Publicado por Alexandre O´Neill em 1951:
“(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Sim
a ratos”
Alexandre O´Neil
Concluímos nós: é preciso que todos não tenhamos medo. Vale mais morrer em pé do que viver ajoelhados ou acocorados, “como ratos, sim, ratos”.
Do REGINOT, de nós, poderão dizer muitos, ou poucos, os que forem, que é só léria. Podem dizer o que quiserem, mas a audácia e o atrevimento de esconjurar o medo em tempo ruim, caracterizado pela dificuldade em botar faladura, traze-nos anímico sossego. Já aqui referimos e por isso repetimos, com excepção da noite salazarenta, que se prolongou por mais de quarenta anos e que presenciamos já no seu ocaso, nunca assistimos a tamanho torpor, inacção e indiferença por parte da sociedade portuguesa. Acobardaram-se muitos. Abafaram-se outros porque, oportunisticamente, deixaram que o vil metal falasse mais alto. O silêncio, o medo e o egoísmo estão a matar o país. E foram muitos os que contribuíram para este torpor. Teremos de esperar: a camuflagem, o compadrio, a falta de transparência nas situações e nos processos virão ao de cima. Perante as injustiças, a falta de princípios e ética, muitos dos “profissionais” dos registos tornaram-se cegos, surdos e mudos. Estamos atentos!
Aqui temos deixado muitas palavras, sem dúvida, mas também a incontinência de algumas lágrimas perante ameaças mais ou menos veladas. E aqui iremos continuar esconjurando o medo. Não nos sentindo especialmente afectados por qualquer doença peçonhenta, por aqui iremos continuar, sem medo, a pensar e reflectir o país, nomeadamente sobre o apelidado processo de simplificação do instituto e sector dos registos.
Setúbal, 7 de Fevereiro de 2010
J.C. Pacheco Alves



