2006/11/12

CARTA A SUA EXCELÊNCIA, O SENHOR PRIMEIRO MINISTRO

      

           A nossa preocupação com os registos não é de hoje. Sempre pressentimos que o caminho  que caminhavamos  estaria minado.           

          Por razões que se prendiam, não apenas com a credibilidade, mas também com a seriedade dos profissionais que laboravam e continuam a laborar neste sector, face aos sinais que se manifestavam há muito, requeria-se pelo menos uma atitude, um comportamento por parte de quem tinha o dever e a obrigação de sensibilizar os políticos para as reformas que se exigiam. Por sonolência de muitos ou mesmo por puro oportunismo de alguns, “pecaram” muitos de nós por omissão, pois a preocupação era nada fazer. Importante, como já temos referido, era apenas garantir o status quo reinante.            

         Atacar os males que há anos grassam ou alastram nos nossos serviços e o corroem, nomeadamente o da qualificação dos oficiais do registo, deveria constituir tarefa importantíssima. A modernização dos serviços deveria ser equacionada e posta ao mesmo nível do da qualificação profissional. Sem quadros capazes e sem meios técnicos à altura, não era possível nunca servir com a qualidade necessária e exigível o cidadão utente dos serviços.           

         Por dever cívico e por obrigação profissional e porque nunca fomos afectados pela dita sonolência, destas preocupações, sentidas angustiosamente, demos conta por escrito, não apenas ao Senhor Director Geral em 1999, mas também a Sua Excelência O Senhor Primeiro - Ministro em Maio de 2000 que, por mera coincidência, era do partido que actualmente nos governa.E salientávamos nós, nessa missiva, que a maioria dos problemas burocráticos só deixariam de se colocar se se caminhasse no sentido de uma maior descentralização ou autonomia dos serviços, acompanhada por regras e princípios bem definidos, nomeadamente através da materialização de uma nova filosofia no campo das relações de trabalho que incentivasse a dedicação à causa pública e criasse nos agentes públicos a auto estima necessária. Sabendo nós que os tempos que decorriam deveriam ser já de alguma exigência, não só pelos níveis de qualidade técnica atingidos pelos nossos serviços, mas fundamentalmente devido à nossa integração europeia e ainda pela exigência que o poder governamental faz aos serviços públicos, e constando nós que o sector dos registos e do notariado  regrediam no campo da qualidade e da sua eficácia, manifestamos ao senhor Primeiro-Ministro de então,  e nessa carta,  a nossa preocupação, porque nas condições em que laboravamos não era possível que os nossos serviços respondessem com edicácea e eficiência,  como exigível  seria, ás pretensões dos cidadãos utentes.

                Sempre houve e continuará a haver  profissionais atentos e não será justo, agora,  nem muito menos aceitável que sejamos um alvo preferencial a abater. A administração pública e muitos dos seus  agentes não   mereciam o tratamento que o actual poder político lhes manifesta.

 

         Pela sua importância,publicitamos aqui a dita missiva  que, como não podia deixar de ser,  não teve consequências, a não ser ao seu subscritor.

          Clique aqui e veja a carta em seus detalhes ...

                 J.C. Pacheco Alves                           
Escrito por J.C.Pacheco Alves em 18:30:18 | Link permanente | Comments (8) |
Comentário
1 - Dr. Pacheco Alves, teremos todos nós de sentir orgulho em si, pois tem a bravura de dizer o que cogita e combater o que considera estar mal. Se todos fossemos assim viveríamos num mundo melhor.

No entanto... O Mundo, melhor, as pessoas andam aterradas, têm medo de falar, pois pensam que serão por isso acossadas... amigos, se assim fosse estaríamos ainda na Pré-História, não teria havido progresso.

Joaquim Passos Dias Aguiar Mota
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Escrito por: Jaquim Passos Dias Aguiar Mota em 2006/11/16 - 10:08:56
2 - Caro amigo: Sabe ainda estamos vivendo muito debaixo do ferrete do Salazarismo e depois ainda há muitos complexos quer na direita quer mesmo na esquerda. Os tiques permanecem em todas as formações políticas e em todos nós. E eu também estou incluido, só que, pode crer , faço um esforço enorme, para não dizer hercúleo, para escrever e dizer as coisas. Costuma dizer-se que por detrás de um homem está sempre uma mulher. E quanto ao que sou, tenho que dizer que, sempre esteve por trás mesmo uma grande mulher: A MINHA MÃE.Era uma pessoa grande em todos os sentidos. Era analfabeta, mas educada. Não recebeu instrução, mas foi educada por pais briosos e muito corajosos. Tento agora ser laborioso como ela., Sempre t lhe admirei a sua coragem, a sua honestidade e o seu espírito apurado de justiça, coisa que vai havendo cada vez menos. (Comentar)

Escrito por: J.C.pacheco alves em 2006/11/16 - 17:19:48
3 - O dito Salazarismo existe e permanecerá indefinidamente, não se conseguirá jamais extirpar da mente de alguns.
Mas, bom amigo, deveria ser perpetuamente nosso apanágio a gratidão maternal, jamais poderemos olvidar quem nos ama ou amou.
É gratificante ler o seu texto. Enche-nos de enternecimento, nunca, jamais alguém poderá ser inferior por ser iletrado. Vivam as mães. Que elas sejam as nossas conselheiras na existência!!!
José Domingos
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Escrito por: José Domingos em 2006/11/17 - 14:39:33 em resposta a: 2
4 - A mente de muitos portugueses permanece colonizada. O sonho de muitos era mesmo ser funcionário público. Imagine! E querem muitos ser funcionários públicos talvez para nada fazerem. Apesar de o ser nunca interiormente me senti como um funcionário. (Comentar)

Escrito por: j.c.pacheco Alves em 2006/11/18 - 16:47:01
5 - VI A CARTA A PRIMEIRA VEZ E ESTÁ DIFERENTE AGORA... O QUE SE PASSA TAMBÉM TÊM MEDO DAS REPERCUSÕES??? SERÁ CORBARDIA OU APENAS RESPEITO? (Comentar)

Escrito por: Artilheiro de Sevilha em 2006/11/19 - 21:29:38
6 - Não comento o anonimato. (Comentar)

Escrito por: J.C:Pacheco Alves em 2006/11/19 - 22:18:36
7 - “Artilheiro de Sevilha”, é com alguma perturbação que leio o seu comentário, pois considerei que tal designação fosse de alguma película romântica do período do “Cinema Mudo”, afianço que sua efectiva “graça” seja mais razoável e recente, bem, pelo menos assim o anseio… Agora e intentando redarguir à sua questão, digo: -Como poderemos chamar cobardes a pessoas que encaram o touro de frente, de peito aberto? Que no cartaz colocam os seus reais nomes? Agora, respeito? Acredite, teremos sempre… Até por pessoas sensíveis como o senhor. Respeitaremos sempre as opiniões, instituições e pessoas… Acredite… cobardia é esconder-se nunca dar a cara!
José Domingos
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Escrito por: José Domingos em 2006/11/22 - 18:48:28
8 - E para não haver mais caretas, acaba-se com o anonimato que é o que há mais neste país. Para destruir há sempre muita gente.Aos que têm rosto, mas não querem dar a cara, mas que apesar de tudo respeito, dedico o meu poema "NÓS". (Comentar)

Escrito por: J.C. pacheco alves em 2006/11/22 - 22:25:29
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