Como afirma, Fernando Paulouro Neves, director do Jornal do Fundão, a menoridade da democracia portuguesa cria cada vez mais apatias e desinteresse.
E concordamos com o jornalista. Efectivamente, a cidadania em Portugal restringe-se hoje a uma via muito reduzida. E neste aspecto, olhemos para os cidadãos em geral, para os agentes da administração e em concreto para os que laboram na área dos registos, onde o direito à indignação se dissolve na ingenuidade e mesmo na boçalidade clandestina, em mera fúria ocasional e restrita, pois quando se trata de exercitar o direito à crítica publicamente, logo se calam as bocas.
E convirá aqui citar tão prestigiado jornal e o seu director, que referindo-se ao cidadão que vem ao seu jornal reclamar, afirma que nele se opera um mimetismo curioso, pois «da vontade crítica se passa a um medo entorpecedor, como se estivesse em causa a vida ou a morte … “Por favor, não ponha lá o meu nome, eu não quero chatices!” Quantas vezes ouvimos isto? Quantas vezes este medo dos poderes ou de instituições afins tolhe a voz da cidadania? Podem alguns ingenuamente pensar que isso é apenas um sintoma passageiro e que a saúde da participação democrática vai de vento
em popa. Mas o que isso revela é que, afinal, estamos longe de sacudir o atraso e a ganga da servidão que esvaziam o país de homens livres. E, sem eles, não há futuro digno. »