2007/03/11

MAIS UMA VEZ BATISTA BASTOS E O JORNAL DO FUNDÃO

                            «ALDRABICES PORTUGUESAS»

 

                « O País protesta, vive alvoroçado, é atirado para o desemprego, a emigração recrudesce, os impostos crescem, a mentira tornou-se numa espécie de desporto particularmente banalizado – e José Sócrates, inexaurível, grave, severo, ameaçador, afirma, reafirma, treafirma que tudo vaio bem. Vou a Fernando Pessoa (que tem servido para tudo, tal como Freud) e tomo de mão: “ O português é capaz de tudo, logo que não lhe exijam que o seja. Somos um grande povo de heróis adiados. Partimos a cara a todos os ausentes, conquistamos de graça todas as mulheres sonhadas, e acordamos alegres, de manhã tarde, com a recordação colorida dos grandes feitos por cumprir”.

              Pouco ou nada podemos fazer por nós, exactamente porque nada fazemos. Mas o equívoco Sócrates foi nós que o criámos. Assim como António Guterres, uma ambiguidade oscilante entre o padre-nosso e um “socialismo” de razão subjectiva. Assistimos com perplexidade comum à ignorância, ao ressurgir de Salazar, muito bem composto, cheio de pó-de-arroz e de rouge, pela mão de Maria Elisa Domingues, senhora de muitos fazeres e afazeres, a quem a meia-idade não pode servir de desculpa. Tudo o que é historiador a sério, no país, desancou a leviandade, propícia à manipulação repugnante. Displicentemente, olhamos de viés e passamos ao lado. (...) »

 

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Escrito por J.C.Pacheco Alves em 20:36:36 | Link permanente | Comments (0) |
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