2007/05/16

VAZIO

 

 


                            Não posso conceber
                            Que se viva sem amor
                            A Vida é chama a arder
                            E nada arde sem calor

                            Os homens  gélidos, frios
                            São como pedras sem alma
                            Para estes nunca houve estios
                            Nem  Primaveras com calma

                            Ignoram a beleza !...
                            Não se dão a ninguém !...

                            Será que sinto dó, compaixão?
                            Não, é apenas mágoa, tristeza, 
                            Porque estes seres nada sentem,
                            Nasceram assim,  sem coração

                                           pacheco alves ( Setúbal,7 de Janeiro de 2001)

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 21:47:53 | Link permanente | Comments (5) |
Comentário
1 - Eduardo Prado Coelho - in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.

O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria-prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais o que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios
onde se paga por um só jornal
E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa,
como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e

tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo,
onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem Memória política, histórica nem económica.

Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e ben eficiar

a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.

Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar.

Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.

Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.·
Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria-prima" de um

país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país
precisa.
Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que
Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS.
Nascidos aqui, não em outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma
matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém
possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu

Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa Portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocrida de de

programas de televisão nefastos e
francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.

*Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.
AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
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Escrito por: Joaquim Santana em 2007/05/17 - 22:07:00
2 - Joaquim Santana, penso que no essencial estamos sintonizados. A culpa de tudo isto está fudamentalmente em nós, em todos nós. Cada um de nós , como cidadãos , deveriamos ser exigentes e consequentes nas nossas atitude, nos nossos comportamentos diários. O país é de todos .Deviamos pensar, não tanto em cada um de nós, mas sim no que cada um pode fazer pelo nosso Portugal. Mas o problema é que não amamos o nosso país, não gostamos verdadeiramente da nossa Terra. Critica-se a tal esperteza do ministro A, do secretário de estado B, o deputado que pode ser do PS, do PSD, do CDS, ou de qualquer outro partido, mas no fundo o que este povo quer mesmo é fazer o que alguns maus exemplos politicos, no fundo, fazem. Assim não vamos lá .... No fundo impera o vazio ... Os portugueses gostam muito de ser todos muito iguaizinhos e esquecem-se que a vida de um país esta na diferença de cada um O rumo, o caminho para um país não está no pensamento Socraticamente globalizado, mas é na diferença que deveremos todos encontrar as soluções para o País. (Comentar)

Escrito por: Pacheco Alves em 2007/05/18 - 00:32:10 em resposta a: 1
3 - Mas é efectivamente a essa conclusão que a politica pretende que nós cheguemos... Está a conseguir! (Comentar)

Escrito por: João Melo em 2007/05/18 - 19:48:08
4 - João Melo, pois é criticam o Salazar, mas no fundo o que em parte hoje politicamente se faz é muito proximo do autoritarimo SAlazarista. O problema é que as cópias são sempre muito piores ! ... .... (Comentar)

Escrito por: Pacheco Alves em 2007/05/18 - 22:33:17 em resposta a: 3
5 - É verdade Pacheco, neste País parece não ter futuro, pois nada de bom nos deve esperar... mas (Comentar)

Escrito por: João Melo em 2007/05/19 - 23:40:50
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