2007/06/16

ÁFRICA

      

         E porque não um momento para a poesia?

        Também nós calcorreamos África: Angola, Guiné-Bissau, Senegal e Cabo Vede.  África , e em particular Angola, apesar de tudo, apesar da guerra que vi e também vivi, valeu sempre a pena. Não devemos esquecer a experiência adquirida e tudo o que ficou para trás, quando o que se passou teve influência positiva em  nós. Por isso e só por isso, e em homenagem a todos aqueles que ficaram e que talvez nunca mais verei, aos que foram meus  alunos, a semente mais valiosa que deixamos, a todos os professores,   ex- cooperantes,   presto  aqui a minha mais sentida homenagem.
               Ficou o sonho e a amizade, sempre,  com o povo africano.


                         Canto quando ando
                         A bruma dos teus olhos, a vida da tua alma,
                         África!...

                         Pego  no cacochi e sai ritmo,
                         Na  marimba e chia que chia !...
                         Agarro o n´hungo e diz   hem do  vem!...
                        
                         E é  este canto que  perpetua
                         A recordação que de ti faço,
                         África ...

                        
                         Nunca  me ofertaste fortunas,
                         Não te fiz promessas imaginárias,
                         E destruidoras...
                         Também nunca me mostrei mercenário

                         Mas  em ti,
                         Encontrei a oferenda que consola,
                         Que nos lança  na vida e integra

                        Devo-te estes ritmos,
                        A música do  meu cantar, África!...
                        E é   este palpitar e toda esta  estima
                        Que  ainda me constrói e anima a vida

                        pacheco alves   (Setúbal,1993)
                        



Escrito por J.C.Pacheco Alves em 13:38:33 | Link permanente | Comments (2) |
Comentário
1 - Já que o tema é a poesia, não resisto a deixar aqui um poema de Vinicius de Moraes, que alguém me lembrou hoje que poderia bem ser um hino ao "Casa Pronta", passo a transcrever:

Hino ao Casa Pronta


Era uma casa muito engraçada
Não tinha tecto não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na Rua dos Bobos número Zero.

Para quem apreciar pode até fazer karaoke em http://www.microke.com/
Natacha
 (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2007/06/18 - 21:35:06
2 - Natacha, para não tornar o blog maçaduo, de vez em quando vou postando por aqui alguma da poesia escrita por mim. Profissionalmente, acho que as coisas parece que estão mesmo a descambar, e por este caminhar não sei onde vamos parar. Temos o dever, a obrigação de acompanhar os nossos problemas com a seriedade que se exige. Mas, por vezes, penso que é importante descontarair, porque se continuadamente pensamos no negativo que está acontecendo, ainda podemos colapsar. Daí a poesia que pode ajudar-nos a t ornar a nossa vida profissional um pouco mais airosa. E ainda bem que a Natacha assim pensa. O poema que aqui postou é de ironia suprema ... e vem mesmo a propósito. Vou colocá-lo aqui no blog no lugar que merece. Obrigado Natacha. Não sei se já lhe disse, se quiser postar algum artigo sobre o que entender, o blog.com poderá fazer-lhe o convite. Agradecia imenso, porque tudo isto dá algum trabalho e o tempo, face ao trabalho que desenvolvemos no serviço, começa a escassear. (Comentar)

Escrito por: P. alves em 2007/06/19 - 00:09:04
Escreva um comentário