Arquivo para Julho, 2006

MAIS UMA VEZ A GUERRA!

Quinta-feira, Julho 27th, 2006

Foi ontem e continua no Afeganistão e no Iraque. É novamente a guerra, agora mais uma no Médio Oriente. E quão cruel é ela hoje … e quando tende a banalizar-se na vida dos Homens! Vivemos no Ocidente, ainda longe dela, mas ela já está no nosso meio.
E tudo isto me faz lembrar a guerra de Angola depois da “descolonização”. Guerra por mim vivida … sentida e vertida, se algum dia é possível verter em palavras, mas que escrevi em 1981.

POEMA EM LÁGRIMAS

Foi na poesia que encontrei um hino
O canto da destruição pela construção

Aqui senti a força de mãos contra mãos
De mãos por mãos…

De homens alimentados pela injustiça injusta
Por choros desfraldados
Risos…

De crianças em homens
A violência pela paz
Os nossos rostos oprimidos na desumanidade
A força!… a morte!… a vida!…
As flores violentamente espancadas na morte
Sepulturas na vida de homens

Sempre homens!…
E ainda esperamos
Os hinos exprimidos como que gritos
Gritos em lágrimas
Lágrimas!…
Todas as lágrimas que já não posso chorar! …

pacheco alves,
Angola – Huambo, 1981 (Cidade do Planalto Central)

Juízes acusam solicitadores de estarem ao serviço das grandes empresas

Terça-feira, Julho 25th, 2006
Trata-se de uma denúncia sem precedentes entre operadores judiciários. A Associação de Sindical de Juízes Portugueses (ASJP) afirma que os solicitadores de execução estão a servir sobretudo as grandes empresas financeiras. As pessoas singulares, que também recorrem aos tribunais para reaver o seu dinheiro em dívida, estão a ser remetidas para listas de espera.

A acusação é polémica, já que, segundo a Constituição, todos são iguais perante a lei. Além de que lhe pode estar subjacente a ideia de subordinação a eventuais interesses mais obscuros. Mas “trata-se de uma acusação sem fundamento”, garantiu ao DN o presidente da Câmara dos Solicitadores (CS), António Gomes da Cunha.

O assunto surge num relatório elaborado pela ASJP, apresentado na sexta-feira, em que aborda os principais bloqueios na reforma da acção executiva (cobrança de dívidas através dos tribunais). Considerando “o sistema de execuções como a principal fraqueza do sistema judicial”, a ASJP afirma que um dos bloqueios está relacionado com a insuficiência dos solicitadores de execução - cerca de 480 no País.

Assim, atendendo a que as acções executivas representam cerca de 30% de toda a litigância cível nos tribunais, sendo a maioria proposta por empresas, a ASJP acusa: “Sendo a oferta dos solicitadores de execução escassa, estes tendem a servir sobretudo os utilizadores ‘grossistas’, remetendo os outros para ‘filas de espera’ sem fim à vista” - há mais de 900 mil processos pendentes, dos quais 380 mil já foram distribuídos a solicitadores de execução.

“Utilizadores grossistas”, na óptica da ASJP, são “as sociedades comerciais de grande expressão, sobretudo do sector financeiro”, as quais, afirma, “estão a ‘colonizar’ o novo sistema de execuções, mobilizando os solicitadores de execução mais eficientes para os seus processos, o mesmo fazendo determinados escritórios de advogados mais organizados nesta área, assumindo-se como ‘grossistas’ da execução”. Para estes “colonizadores” , diz a associação, o sistema está a funcionar. Para outros é que não.

Nesse sentido, propõe: “Sem matar a possibilidade constatada dos ganhos conseguidos por esses ‘grossistas’ (o que funciona bem não deve ser prejudicado), é necessário garantir uma compensação para os litigantes ocasionais, ao menos numa fase transitória (cinco anos?), através do recurso a um sistema público (por contraposição ao privado/solicitadores de execução) em que os agentes de execução são os oficiais de justiça.”

Na realidade, o que se propõe é a existência de dois sistemas paralelos - para empresas e para particulares. Proposta impensável, segundo a CS. Isto é: a hipótese até poderia ser ponderada no caso de se verificar a acusação feita pelos juízes. “Mas, de facto, não é verdade que os solicitadores de execução dêem prevalência às empresas”, garante ao DN o presidente da CS. “Não há triagens”, afirma. Até porque, explica, a maioria das acções propostas pelos chamados “grossitas” são relativas a pequenas dívidas de telefone, de cartões de crédito, entre outras. Neste aspecto, “os outros exequentes são muito mais interessantes”, esclareceu.

Licínio Lima

Artigo do “Diário de Notícias de 16 de Julho de 2006

 

 

ISTO ACONTECEU

Sexta-feira, Julho 14th, 2006

Sealed                                        

 

 

            Pessoa amiga possibilitou-me a notícia. E é verdade, aconteceu mesmo no Tribunal Judicial da Comarca de Ponta Delgada.

              Perante processo executivo o Sr. Dr. Juiz notificou o exequente para requerer o que tivesse por conveniente.
 Respondeu o mandatário do exequente em requerimento nestes modos, (o sublinhado é nosso) ”: “notificado para requerer o que tiver por conveniente vem dizer a V. Ex.ª não saber o que requerer porque a figura do solicitador de execução pura e simplesmente não funciona e as execuções nunca mais têm fim. Em má hora acabaram com o serviço externo, que em tão boa hora foi criado e que tão boa conta deu de si enquanto o deixaram …”.
 

           Como conservador compreendo muito bem o requerimento feito pelo mandatário do exequente. E como diz o meu amigo seria importante ouvir, sobre o assunto, a opinião do Dr.ºAntónio Costa e da Dr.ª Celeste Cardona, e é claro “ os papagaios” do costume, que descaracterizaram e destruíram o nosso sistema de justiça, “parindo” este aborto que é o actual sistema de execução. É claro que diriam, que os culpados são os “malandros do costume”: magistrados e funcionários judiciais.
         

             E assim se vão enganando as pessoas …só que “não pode enganar-se toda a gente durante todo o tempo”. Um dia as pessoas vão acordar. E depois o que é que acontecerá? Perguntamos nós.

 

     

             Setúbal, 14 de Julho
   

             Pacheco Alves   

APESAR DE TUDO, VIVA A NOSSA SELECÇÃO! …

Quarta-feira, Julho 5th, 2006

                     

 

 

 

            No JORNAL DO FUNDÃO de 29 de Junho de 2006, referindo-se à actual crise e à sua vivência real, António Paulouro Neves, distinto Director do referido jornal de quem sou assinante há trinta e tal anos, afirma, que se instalou em Portugal “um nacional – cepticismo que o ambiente social, de norte a sul, não deixa de  amplificar em queixumes e não sei quantas mil desgraças com impacte real no quotidiano”.

           Constatando efectivamente que sendo a crise à escala mundial, em Portugal, devido fundamentalmente a debilidades próprias, específicas, a angústia parece ser dado adquirido e persistente. No caso concreto português os horizontes estão hoje cerrados para muitos de nós. O número dos que andam zangados com o país cresce a olhos vistos.

              E referindo-se ao presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, e recomendando este em entrevista recente dada ao “Diário de Notícias” moderação salarial para os portugueses, e que se devem tomar medidas apropriadas para trazer os custos unitários de trabalho para um valor abaixo da média e recuperar a competitividade,diz  ele que  com este entendimento a força de trabalho, não passa de “ carne para canhão”, pois não podemos esquecer que os salários em Portugal estão cada vez mais longe da Europa dos Quinze.  E se o nosso subdesenvolvimento está aqui, teremos de reconhecer que o presidente do Banco Central Europeu encara Portugal como uma realidade do terceiro – mundo.

              Perante tão “sábia” filosofia convirá aqui relembrar novamente o jornalista (o sublinhado é nosso): “ não admira, por isso, que os portugueses dêem expressão a uma certa neurose colectiva que, para além dos seus fundamentos contestatários, desenvolve sobretudo um, certo demissionismo cívico, visível tantas vezes na indiferença com que se encaram as questões da sociedade e outras num silencio que mal esconde uma auto-fagelação mítica.”

            Com tamanho nevoeiro, sebastânico, à nossa frente, não admira que o Campeonato de Mundial de Futebol, com a brilhante participação da nossa selecção, surja como uma ténue luz de auto estima e, sobretudo de festa.

            VIVA A NOSSA SELECÇÃO! …

 

           Setúbal, 4 de Julho de 2006

           Pacheco Alves