pacheco alves ( Setúbal,7 de Janeiro de 2001)
Quando o Papa acaba com o “limbo” na Igreja, os funcionários públicos são mandados para o limbo. Anunciam-se medidas, cortes, diminuição de regalias, a reforma do Estado. Mas, no concreto, não se prepararam as pessoas para nada, não se conversou e impõe-se ameaça-se. E quando isto acontece, tal como numa empresa, é evidente que as pessoas se desmotivam e trabalham ainda menos.
Do lado do ministro das Finanças, autor da estratégia, não há dinheiro. E de qualquer maneira o País nem nota que a Administração Pública está pior. Os portugueses quando tratam com a administração sabem que ela é lenta e pouco operacional. Se os documentos em vez de demorarem 10 dias passarem a demorar 20, as pessoas nem notam tal a má imagem que o País tem da sua Administração Pública.
Há, portanto, duas visões em confronto: o pragmatismo do Governo, que decidiu anunciar cortes, mas que depois acaba por ser inconsequente. Como lembrou Cavaco Silva, só vai para a mobilidade quem quer. Ou seja, o direito ao trabalho no âmbito do contrato individual é um imperativo legal. Só vai para o quadro da mobilidade ou para o humilhante quadro de excedentes quem quiser. O Estado é obrigado a dar trabalho aos funcionários que contratou. Se extingue postos de trabalho, então a lei que regula o contrato individual está aí para dizer como proceder.
Ninguém sabe como isto ficará. Os direitos adquiridos não são populares no País que paga impostos. Mas os 750 mil funcionários são uma força bastante para paralisar o País, mais para deitar Sócrates abaixo nas próximas eleições.