Quantas? Quantas vezes,
Fervilha em mim a tua imagem?
E é sempre pela calada da noite
Que eu te vivo,
Que sinto o teu pulsar,
Angola!…
Quantas?
Quantas noites mal dormidas?…
Fustigado por imagens
De destruição e de dor
Pela angustia infinda
Dum povo que sofre
Sem lamentos
E desesperadamente vive
Mas que continua e espera!…
Nunca, nunca será demais,
Angola,
Lembrar os teus anónimos heróis,
O teu povo, os teus homens,
As tuas mulheres, as tuas crianças
Que continuam a morrer,
Os estropiados, e mesmo
Os que desiludidos desistiram …
Nunca, nunca será demais
Angola,
Lembrar também os teus vivos,
Os que corajosamente ainda resistem,
E lutam…
E que defendem a liberdade
Nas paredes esventradas das casas
Onde escrevem o que sentem
Mantendo assim acesa a chama
Da grande “Esperança”
E Amanhã, Amanhã …
Quando a Esperança voltar
E não houver mais aves de rapina
Abutres a voar
Voltarei
Voltarei a ver a felicidade do teu povo
Nos campos desminados
Voltarão a colher goiabas e mangas
E os milharais voltaram a reverdecer,
Voltarei a ver o sorriso das tuas crianças
Que nas ruas das tuas cidades, de novo, brincarão
E no chão regado pelo sangue
Dos que heroicamente tombaram
Florirão rosas vermelhas e brancas
Como as que minha mãe cuidadosamente cultiva
Na terra nua, na terra crua
Crescerão novas acácias rubras
O gado voltará a saciar-se
Porque com a chuva
O capim reverdecerá mais forte
A terra será novamente fértil
Haverá mangas e pitangas, loengos,
Maboques, nonchas e matambotes para todos
Serás, então … livre, ANGOLA!
pacheco alves ( Novembro de 1999)