ONDE MORAS, AMIGO! …
Onde moras, hoje, AMIGO?
O tempo passa,
Em vão … espero notícias tuas,
De Angola, da tua adoptiva Pátria,
Da NOSSA querida Huambo
Que tanto admirávamos
E amávamos !
Onde moras hoje, AMIGO?
De Angola, como de toda a África,
A televisão e os jornais trazem notícias tristes
O fogo cruzado da artilharia pesada,
O estoiro dos morteiros, das bazucas e os migues
Arrasaram mais uma vez campos e cidades
Huambo, Kuito, muitas vilas e aldeias
Permanecem hoje em ruínas
A paisagem está completamente destruída
Resta a desolação e a dor dos que lutando
Corajosamente ainda se mantêm de pé
E dos que resignados, impávidos
Assistem a mais esta aniquilação
Afinal, onde moras AMIGO?
Morreste? Finaste?
E onde estás sepultado?
No quintal da tua casa desmoronada
Onde cuidadosamente cultivávamos legumes,
Verdejavam as couves, as alfaces e os feijoeiros ?
E onde pela tardinha, em amena cavaqueira,
Filosofávamos sobre o feiticismo, a mística
Dessa prodigiosa terra?
Pergunto ao vento
Grito bem alto, bem alto,
Para que os verdadeiros responsáveis ouçam:
Afinal onde moras AMIGO?
Onde estáaaaaaaaaaas?
pacheco alves ( Setúbal,1993)
NB: A morte de um AMIGO é sempre dolorosa, e mais dolorosa se torna, quando a mesma é consequência de uma guerra. Hoje, ela já não subsiste em Angola … Importante, essencial, agora é que sarem as feridas. E estas não não se curam com petróleo.
Setúbal, 21 de Novembro de 2007
J.C. Pacheco Alves
Publicado em Quarta-feira, Novembro 21st, 2007 às 19:48 e arquivado em Sem categoria. Pode seguir as respostas a este post pelo respectivo feed RSS 2.0.
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