Arquivo para Dezembro, 2007
SILÊNCIO
Domingo, Dezembro 30th, 2007 SILÊNCIO, é o estado de uma pessoa que cessou ou se abstém de falar; ausência de ruído; omissão: interrupção de correspondência; segredo; pausa, em música; toque nos quartéis, depois do recolher.
NATAL
Terça-feira, Dezembro 18th, 2007É tempo de Natal, e dedico este poema a todos os profissionais do registo. Com a mesma afeição dirijo-o também à consciência dos que servem o mando, aliás, sempre efémero, para que acreditem que o diálogo, numa sociedade que se quer e deseja democrática, é essencial numa qualquer dinâmica reformista. A mudança não pode nunca potenciar a intolerância. Antes pelo contrário, só o respeito pelos valores humanísticos pode ajudar a criar uma sociedade mais justa e tolerante. E os portugueses têm memória, sabem, conhecem muito bem os caminhos erradamente trilhados e impostos pelo ferrete Salazarista e os consequentes resultados! …
NATAL! …
É preciso, é necessário, urge!…
Que se renasça, se cresça
E que, enfim, o sonho continue a alimentar a vida…
E que Natal é hoje, a toda a hora,
Todos os dias devem ser de Natal,
E como tal, importante não é apenas estar,
É também ser! Sermos!…
É preciso, é necessário relançar o amor,
Fútil, é continuar a olhar para as pequenas coisas,
Só as grandes causas nos fazem renascer e crescer…
Urge, assim, que continuemos a sonhar,
Importante é mesmo amar,
Não temos alternativa!…
Por aqui passará muito do segredo da vida.
NATAL, SEMPRE!…
pacheco alves (Setúbal, 22 de Dezembro de 2000)
O DÉCIMO SONETO DO PORTUGUÊS ERRANTE
Quarta-feira, Dezembro 12th, 2007
NB: Há quem não goste … mas vale sempre a pena ler e reflectir o poeta e o seu poema.
Contra a usura e o juro contra a renda
contra um tempo de ter mais do que ser
contra a ordem fundada em compra e venda
contra a vida que mói até doer
contra a força que oprime – aí eu canto.
E onde amor se procura e não se encontra
onde a vida se mede a tanto e tanto
onde a mentira impera – aí sou contra.
E por isso incomodo e sou mal visto.
Que se o tempo é de grades eu resisto
e quando alguns se calam não me calo
Eu sou renitente o inconformado.
Por isso me deitaram mau olhado
e por isso persisto e canto e falo
Manuel Alegre
A RETÓRICA DOS SACRIFÍCIOS E A CRUEL REALIDADE
Segunda-feira, Dezembro 10th, 2007A RETÓRICA sacrificial, por via da exigência do défice, tornou os portugueses – a maioria dos que trabalham e comem o pão que o diabo amassou – reféns da desesperança. Não faltam exemplos de sísifos de carne e osso vergados ao peso das dificuldades, cansados de apertar o cinto, subjugado pelas condições deletérias da conjuntura que lhes apontam como fatal condenação dos tempos. Tudo isso entrou nas rotinas da macropolítica, com os ditames de Bruxelas apontados como cutelo, não restando ao cidadão comum, cada vez mais desorientado nos labirintos Kafkianos da política imediata, outra reacção senão o cepticismo, a descrença, a indiferença cívica, às vezes a irracionalidade do protesto. É isso que os políticos, se frequentassem os cafés e as ruas, encontrariam decerto à hora da bica ou nas fugas mais prolongadas ao tédio quotidiano. Essa realidade tornou também, é certo, o cidadão mais sensível às injustiças, quando elas vêm de cima, dos que alçados a lugares de topo navegam em estranhas prosperidades, ou daqueles que, resguardados pelos excessos do poder económico, são cidadão mais iguais do que os outros. No primeiro caso, ainda recentemente os jornais denunciavam que o Ministério da Justiça adquirira veículos de super luxo para chefes, onde não faltava sequer um automóvel-limusine ! No segundo, a denúncia partiu do secretário de Estado João Amaral Tomaz que veio dizer que “ em Portugal a fraude fiscal tem características diferentes da de outros países, pois as grandes empresas estão envolvidas em fraudes”. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais sugeriu mesmo que se comparasse a lista das 1000 maiores empresas que têm sido associadas à Operação Furacão, pela comunicação social. Quer dizer, vale tudo. Impunememente. Os portugueses que pagam impostos – e tão pesados – ficam à espera que o Governo actue e não se fique pela retórica.
Fernando Paulouro Neves
“Jornal do Fundão”
CRISE DA DEMOCRACIA CRISE DAS INSTITUIÇÔES
Domingo, Dezembro 9th, 2007NB : Sem qualquer comentário. Limitamo-nos por isso a publicitar o que Fernando Paulouro Neves, digníssimo director do JORNAL DO FUNDÃO, afirma no editorial de 6 de Dezembro:
«HÁ, HOJE, uma crise iniludível na democracia que radica na debilidade da participação cívica das populações. As questões da “res publica” vai-se tornando uma coisa cada vez mais difusa, remetida exclusivamente ao alto alvedrio dos mandantes, nas respectivas esferas de poder. Num país já tão propício à indiferença e ao desinteresse pela coisa pública, esperava-se que a democracia portuguesa exercesse uma natural pedagogia sobre a participação dos cidadãos, exigências que ao longo período de ausência de liberdade tornava mais premente. A verdade é que o país do mando acha a democracia uma chatice e a participação dos cidadãos uma maçada incómoda. Esta aversão à expressão pública da política, ao seu debate e ao seu confronto, agudizou o desinteresse colectivo e uma anemia cívica preocupante. O caso extravasa do âmbito dos poderes meramente políticos para a sociedade civil e suas instituições representativas. Por todo o lado, de cooperativas as instituições de solidariedade social, associações culturais ou desportivas, o associativismo, salvo raras e honrosas excepções, arrasta idêntico défice de intervenção cidadã. Tudo isto converge num vazio cultural que é a nota mais evidente de ausência de pensamento crítico e de capacidade de acção sobre as especificas realidades, sejam da política, sejam da sociedade civil. Não havendo cultura de diálogo, não existindo participação cívica, a crise larvar da democracia alastra as suas nódoas ás instituições que se tornam incapazes de resolver as suas crises interiores algumas até perdendo a independência relativa que gozavam. Temos assim, alegremente, o recurso a democracia tutelada, com extensões do poder em que alguns decidem por todos. Estes fenómenos, cujos exemplos se conhecem um pouco por todo o lado, têm uma outra dimensão igualmente penalizadora da sociedade: o fraco grau de consciência pública dos problemas. “Feira cabisbaixa”, pois.»
Fernando Paulouro Neves
In Jornal do Fundão de 6 de Dezembro
.http://www.jornaldofundao.pt/index.asp?idEdicao=513&idSeccao=4870&Action=seccao
AS CADEIRAS DO PODER E AS QUEDAS FATAIS
Quinta-feira, Dezembro 6th, 2007
«Talvez resida na debilidade cultural de base humanística, em sentido lato, a razão principal da intolerância e dos tiques de autoritarismo que povoam hoje, com estranha frequência, a sociedade portuguesa. O 25 de Abril abriu curso a muitos tiranetes de circunstância. Era inevitável. Alçados ao poder formatam a realidade de acordo com os específicos interesses políticos, que os sustentam e abominam o exercício da cidadania, que discorda ou levanta a voz, como se o pensamento alternativo fosse um delito que é preciso meter nas baias da sua ordem de interesses. E apropriando-se da realidade julgam-se então com privilégios sobre o carácter selectivo dos acontecimentos, onde obviamente só deveriam ter visibilidade aqueles que não incomodassem as digestões de suas excelências. O direito de informar está sempre no fio da navalha dessa arrogância provinciana, desse despotismo que engorda todos os dias na feira das vaidades. Sobram os exemplos desses actores da coisa pública, que julgando-se proprietários dos territórios que comandam, não percebem que a cadeira do poder é sempre um fenómeno de transitoriedade e que até os ditadores, que se julgam seguros para a eternidade, dão, ás vezes, quedas fatais.»
Fernando Paulouro Neves
“Jornal do Fundão” de 29 de Novembro.
TALVEZ VALHA A PENA RELEMBRAR O QUE DISSEMOS HÁ MAIS DE UM ANO
Terça-feira, Dezembro 4th, 2007 BARALHAR E DAR DE NOVO
Estou certo que vamos assistir ao plano mais desconcertante, a que jamais assistimos, para a administração pública. Os registos não ficarão de fora. E a ideia será a de baralhar, sim baralhar e dar de novo. O clima está criado e os boatos circulam em catadupa. A informação e a contra informação andam por aí. E não tenham ilusões! …A ideia é destabilizar para reinar.
Aquilo que, responsavelmente, deveria ter feito ao longo dos últimos anos, não o foi. O caminho é-nos agora imposto, sem princípios, atabalhoadamente e mesmo com falta do respeito, que é devido a quem sempre trabalhou com seriedade nos registos. E tudo parece acontecer como se fossemos nós cúmplices e mesmo autores de algum crime, os culpados por tudo o que se omitiu na Administração, nomeadamente nos serviços dos registos. Sem querer desresponsabilizar-nos, porque também há responsabilidade que deverá por nós ser assumida, teremos de dizer que há muita demagogia metida em tudo isto.
Numa altura de vacas magras transforma-se uma Direcção – Geral num Instituto que à partida nasce falido. Com que finalidade? E com que autonomia? O que transparece de tudo o que vai acontecendo e do que se vai sabendo, é que não irá acontecer qualquer reforma ou ideia de concertação ou mesmo de regeneração dos nossos serviços, mas sim o desmoronamento do edifício jurídico-administrativo.
E o processo de desmoronamento dos nossos serviços já começou. E chamem-me,Velho do Restelo, de visão pessimista, ou como quiserem. Eu não me importo.
Desenganem-se … Não esperem flores como as que florescem na primavera do campo! … Nem rosas ou cravos como as que Minha Mãe cultivava no seu quintal …!
Setúbal, 29 de Setembro de 2006.