GESTÃ0 POR OBJECTIVOS

       

        Num mundo globalizado em que tudo parece girar à volta de objectivos ou resultados e  sem contestarmos o facto de que qualquer organização  terá de os ter, o que nunca poderemos aceitar é que nos comprimam o    tempo para sentir e amar a vida. Talvez … porque para alguns  responsáveis políticos, importante são as  suas próprias carreiras. Para muitos  destes o que conta, não são as pessoas como membros das organizações ou instituições, porque desconhecem que os resultados, para além da racionalidade que sempre encerram,  são fruto essencialmente do sentimento empenhado das pessoas.  Num mumento particularmente difícil para a administração pública portuguesa, nomeadamente no sector dos registos, e em que pensavamos já ultrapassadas algumas sequelas do passado, os tique autoritários voltaram.  E sendo meras cópias, mais malefícíos fazem aos agentes da administração por falta de  conduta ou comportamento com  genuidade própria. Reflectir é um gesto que fica sempre bem e á política e a muitos  políticos falta -lhe a dimensão humana,  essencial para  sentir e amar os outros. E o problema da nossa sociedade está precisamente aqui. Ela só avançará quando, solidariamente,  soubermos dar as mãos, quando aprendermos a  amar. Tudo o resto são tretas ! … Acreditem ! …

        E porque é em avaliação e  objectivos que hoje mais se tagarela  a nível de toda a  nossa administralção pública,   e nomeadamente porque a nível dos serviços dos registos a única coisa que se discute é a de saber quantos registos é que cada oficial deve converter para o SIRP, valerá a pena trazer à colacção  a célebre anedota sobre o sacerdote e o taxista.  
___________________________      

         Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome: Joaquim Gonçalves. Um era sacerdote e o outro,taxista. Quis o destino que morressem no mesmo dia. Quando chegaram ao Céu, São Pedro esperava-os. 
          - “O teu nome?” -”Joaquim Gonçalves.” 
          - “És o sacerdote?”
          - “Não, o taxista.” 
          São Pedro consulta as suas notas e diz: 
          - “Bom,  ganhaste  o Paraíso.  Levas esta  túnica com fios  de ouro e este ceptro de platina e rubis. Podes entrar.”
 
          - “E tu qual o teu nome?”
          - “Joaquim Gonçalves.” 
          - “És o sacerdote?”
          - “Sim, sou mesmo sacerdote. “
          - “Muito  bem, meu  filho, ganhaste o  Paraíso.  Levas  esta  bata de linho e este ceptro de ferro.”
       Diz o sacerdote :
          - “Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou o Joaquim Gonçalves, o sacerdote!”
          - “Sim, meu filho, ganhaste o Paraíso. Levas esta bata delinho  e…” 
          

          - “Não  pode ser! Eu  conheço o  outro  senhor. Era taxista, vivia na minha  aldeia e era um desastre! Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais. E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia.”
          - “Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu … isto?”
          - “Não é nenhum engano” – responde S. Pedro

          - “Aqui no Céu, estamos fazer uma gestão mais profissional, do que a que vocês fazem lá na Terra.”
          - “Como assim!…” 
          - “Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos. É assim: durante os últimos anos, cada  vez q ue tu  pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar. 
          - Resultados! Percebeste? Gestão por Objectivos.”

           Setúbal, 28 de Março de 2008.

           J.C. Pacheco Alves

Share and Enjoy:
  • Google Bookmarks
  • Twitter
  • email
  • Facebook
  • Faves
  • Print
  • RSS
  • FriendFeed

3 Respostas

  1. Anónimo diz:

    É sempre bom lembrar alguns poetas, porque por mais tempo que passe estão sempre actuais

    Não importa sol ou sombra
    camarotes ou barreiras
    toureamos ombro a ombro
    as feras.

    Ninguém nos leva ao engano
    toureamos mano a mano
    só nos podem causar dano
    esperas.

    Entram guizos chocas e capotes
    e mantilhas pretas
    entram espadas chifres e derrotes
    e alguns poetas
    entram bravos cravos e dichotes
    porque tudo o mais
    são tretas.

    Entram vacas depois dos forcados
    que não pegam nada
    soam brados e olés dos nabos
    que não pagam nada
    e só ficam os peões de brega
    cuja profissão
    não pega.

    Com bandarilhas de esperança
    afugentamos a fera
    estamos na praça
    da Primavera.

    Nós vamos pegar o mundo
    pelos cornos da desgraça
    e fazermos da tristeza
    graça.

    Entram velhas doidas e turistas
    entram excursões
    entram benefícios e cronistas
    entram aldrabões
    entram marialvas e coristas
    entram galifões
    de crista.

    Entram cavaleiros à garupa
    do seu heroísmo
    entra aquela música maluca
    do passodoblismo
    entra a aficionada e a caduca
    mais o snobismo
    e cismo…

    Entram empresários moralistas
    entram frustrações
    entram antiquários e fadistas
    e contradições
    e entra muito dólar muita gente
    que dá lucro aos milhões.

    E diz o inteligente
    que acabaram as canções.

    Tourada
    José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo

  2. maria de fátima diz:

    muito bem. . . e acrescento mais. . .

    “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
    do que os homens ! Morder como quem beija. . .”

    É um belo poema e fica só o começo para quem sabe e possa reconhecer. . .

    sem mais palavras. . .
    maria de fátima

  3. J.C.Pacheco Alves diz:

    maria de fátima, e porque se está numa de poesia, porque não relembrar Sopia Andresen?

    Porque os outros se mascaram mas tu não
    Porque os outros usam a virtude
    Para comprar o que não tem perdão

    Porque os outros são túmulos caiados
    Onde germina a podridão
    Porque os outros se calam mas tu não.

    Porque os outros se compram e se vendem
    E os seus gestos dão sempre dividendo.
    Porque os outros são hábeis mas tu não.

    Porque os outros vão à sombra dos abrigos
    E tu vais de mãos dadas com os perigos.
    Porque os outros calculam mas tu não.

Deixe uma Resposta