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NB: Como dizia Sophia « a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma cordenada fundamental de toda a obra poética. (…) A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas , porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido.» E o poema que citamos integra-se perfeitamente nos tempos vividos de hoje.

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos convenientes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo de ameaça

Livro Sexto, Sophia de Mello Breyner  Andresen

 

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