Baptista-Bastos
Escritor e jornalista - b.bastos@netcabo.pt

Portugal, aliás, é um concentrado de deprimidos. Leia-se Manuel Laranjeira. Mas também Antero, Eça (que escondia o acabrunhamento com a zombaria e o cinismo) e, sobretudo, o imenso Oliveira Martins, cujo Portugal Contemporâneo fundamenta um magno tratado do que fomos e do que somos. Além do mais, Martins escrevia num idioma admirável, no qual a clareza se associava ao mais elegante sainete. Mas se quiserem uma excelente introdução a essa época, a essa gente e ao espírito de uma fascinante aventura cultural, estética e ética leiam, com mão diurna e mão nocturna, A Tertúlia Ocidental, de António José Saraiva, outro dos grandes esquecidos. Numa semana em que se comemora um autor estimável, seria bom não olvidar aqueles que tentaram a identificação do “moderno”, combatendo a desgraçada condição social do português. Eles procediam de Verney, de Luís da Cunha, de Herculano e de Garrett, e pelejavam com forças inominavelmente superiores. A “desistência” das elites, substituída por uma casta de medíocres, transformou-nos em uma espécie de carpideiras. A depressão vem de longe, e aqueles de nós que almejavam defender a condição de todos e a livre realização de cada um, cedo foram ameaçados, removidos ou impelidos ao silêncio. Sei muito bem do que falo.
O pensamento político dos partidos portugueses continua imutável. O debate entre as duas grandes opções ideológicas, que instigou as gerações saídas da II Grande Guerra, quedou-se na banalidade ou na repetição dos equívocos. Vejamos: se as declarações de Sócrates pecam por um excesso de optimismo ou se se apoiam em técnicas de marquetingue, a dr.ª Manuela Ferreira Leite, ao quebrar o tenaz mutismo, acentua a depressão nacional. Quando a política deixa de ser relação, deixa de ser política e converte-se nesta massa parda e viscosa. Reformular as categorias políticas só seria possível com a radicalização dos conceitos de liberdade e de sociedade. Já se viu a falência do “socialismo real” e estamos a assistir à queda da infausta experiência do “neoliberalismo”. Os encomiastas de um sistema económico que deixou o mundo derreado carregam um fardo pesadíssimo.
Diário de Notícias de 29-10-2008
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| 30-Out-2008 | |
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O PGR considera que a subida da criminalidade violenta em Portugal está associada a uma “mistura perigosa” de factores, como a pobreza e o desemprego. Em declarações ao Diário Económico, Pinto Monteiro sublinha que “o excesso de garantismos dos arguidos consagrado nas leis penais” também não ajuda no combate ao crime.
O Procurador-Geral da República considera que o aumento da criminalidade violenta registado nos últimos meses em Portugal se deve a uma “mistura perigosa” de várias factores. Pobreza e desemprego, a livre circulação de pessoas e capitais, a sofisticação de meios técnicos ao serviço do crime e o “excesso de garantismo dos arguidos consagrado nas leis penais” são algumas das causas apontadas. Pinto Monteiro não esconde que existe falta de eficácia na luta contra o crime mais complexo e chama a atenção para a necessidade de intensificar o combate à criminalidade violenta. São as respostas do Procurador-Geral da República ao Diário Económico sobre um tema que esta semana volta a estar na ordem do dia com o alerta do Observatório de Segurança, Medidas da PGR - Em Agosto, quando se assistiu à onda de crimes violentos, Pinto Monteiro ordenou aos magistrados que, nos casos de criminalidade violenta, deve ser proposta a prisão preventiva sempre que se mostrem verificados os pressupostos. - Foram criadas as unidades especiais de crime especialmente violento (UECEV), a funcionar e da colaboração e da troca atempada de informações entre o Ministério Público e os órgãos de Polícia Criminal. Recessão económica aumenta criminalidade O que faz aumentar a criminalidade 1 - Livre circulação de pessoas e bens 2 - Sofisticação de meios 3 - Desemprego e pobreza ANÁLISE / POUCO OU NADA SE SABE SOBRE AUTORES DE CRIMES Criminalidade está a mudar? Carlos Alberto Parares - Director da Faculdade de Psicologia da Lusófona DIÁRIO ECONÓMICO | 30.10.2008 |
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| 29-Out-2008 | |
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O antigo Procurador-Geral da República (PGR) Cunha Rodrigues defendeu hoje, em Coimbra, que deve ser “restaurada a autoridade dos tribunais”, contrariando uma alegada “erosão” mediática do seu papel na sociedade. “Os media encarregam-se de fazer manchetes que atestam que a situação da Justiça vai de mal a pior”, afirmou Cunha Rodrigues. Na sua opinião, por exemplo, as agressões a magistrados em Portugal durante julgamentos demonstram, como “primeira prioridade”, que importa “restaurar a autoridade dos tribunais”.
”É urgente um programa nacional de educação para o direito, que já não pode limitar-se às escolas”, sendo necessário que comece logo na infância, “no leite materno”, como afirmou o conselheiro Cunha Rodrigues.
Neste domínio, acrescentou, caberá à Assembleia da República um papel determinante para fazer avançar essa iniciativa. O juiz do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias (TJCE) proferia uma conferência, subordinada ao tema “Justiça: atitude e método. O papel do Ministério Público”, no salão nobre do Tribunal da Relação de Coimbra, integrada nas comemorações do 90º aniversário desta instituição judicial. “A educação para o direito é um desígnio nacional que compete ao Estado no seu conjunto”, disse. Cunha Rodrigues preconizou, por outro lado, que “se impõe revisitar a Justiça como fim” e que “a formação permanente dos magistrados é geradora de mudança” no sector. “A preparação dos magistrados portugueses é excelente, quando comparada com outros países”, referiu, para defender que “é importante, então, a atitude”. O julgador deve possuir, em seu entender, “uma compreensão forte do mundo”. Cunha Rodrigues admitiu que a especialização na área da Justiça, “hoje incontornável”, acaba por “desintegrar a capacidade intelectual” dos seus agentes. “O especialista tem que continuar ligado à vida real, particularmente o magistrado”, sublinhou o juiz do TJCE. VISÃO ONLINE | 29.10.2008 |
28 Oct
Posted by: J.C.Pacheco Alves in: Informativo
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| 28-Out-2008 | |
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No processo que corre termos no Tribunal Judicial de Faro, em que a Ordem dos Advogados pretendeu constituir-se como assistente, «foi multada em cerca de 200 euros por não ter saldado a tempo o valor das custas judiciais para se constituir assistente no processo. Ao que o CM apurou, junto de fonte judicial, só ontem de manhã, altura em estava previsto começar o julgamento, é que o pagamento foi efectuado. Assim, a constituição como assistente custou o dobro: com multa, quase 500 euros. A Ordem terá interpretado que não teria de pagar custas judiciais. “Não fomos notificados. Isto é o que se chama veto de gaveta ou de bolso”, comentou ontem o bastonário António Marinho Pinto. “É inadmissível que a Ordem pague multas como esta porque não consegue perceber e ler o Código das Custas Judiciais. Não faz qualquer sentido”, lamentou ontem à saída do Tribunal de Faro Pragal Colaço, advogado de quatro inspectores em julgamento.
CORREIO DA MANHÃ | 25.10.2008 |
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| 25-Out-2008 | |
Mário Mendes, secretário-geral do Sistema de Segurança Interna.Na primeira entrevista, o homem escolhido para coordenar todas as polícias, defende que estas deviam ter uma só tutela governamental e assume que o seu cargo é uma “solução de estudo”. Reconhece que o Estado “perdeu autoridade” e que a polícia tem de “recuperar a rua”. Sente-se um ’super-polícia’?
Não. De forma alguma. Nunca fui super-nada. Não entendo as minhas competências com esse alcance. Mas tem poderes que nunca antes estiveram reunidos numa só pessoa…Não há dúvida nenhuma. E isso acentua-se principalmente nas situações de crise, onde tenho poder de comando operacional. Todas as restantes competências, a coordenação, direcção e controlo que me estão atribuídas na lei de segurança interna são funções de mediação. No meu entender, este cargo deve ser visto em duas vertentes. Primeiro é que, dada a natureza da organização policial no nosso país, e preciso que haja uma entidade que coordene. A segunda vertente é a necessidade de racionalização dos meios que existem. Não somos um país que possa desperdiçar os recursos que tem. Uma duplicação de recursos para uma mesma situação é irracional, quer do ponto de vista da actuação, quer do ponto de vista financeiro. É isso que acontece? Não há coordenação nem racionalização? Como é que vai acabar com isso? Não basta uma lei… Seria mais fácil com uma tutela única para todas as polícias? Essa opinião contraria a política que foi definida pelo Governo… E o que falta em Portugal para se dar esse passo? Vê este seu cargo como uma solução transitória para esse cenário? Uma questão controversa, que preocupou o Sr. Procurador-Geral da República PGR), tem a ver com a sua competência de poder dar orientações genéricas aos órgãos de polícia criminal. Como é que pode fazer isso sem ter acesso aos inquéritos em concreto e ao que está a ser tratado, entrando assim no campo de intervenção do Ministério Público? Que tipo de relação vai ter com o PGR? Outra das suas competências é dirimir conflitos de competências entre forças de segurança. Estão identificados os principais focos de conflitualidade? Por vezes tem havido também nos assaltos a bancos com sequestros, como aconteceu em Almada há um ano. No caso deste Verão, do BES, o que teria sido diferente se já estivesse em funções? Este assalto tão violento fê-lo concluir que já não estava num país de brandos costumes? Mas aquele caso foi uma sucessão de vários, igualmente violentos que tinham começado no início do Verão, o duplo-homicídio, a bomba do avião… Acha que os ’snipers’ que atingiram os assaltantes do BES devem ser alvo de um inquérito? Teria dado a mesma ordem? Em que é que o ‘Verão quente’ de crimes poderia ter sido diferente se o Sr. Secretário-geral já estivesse neste cargo? E o que é que vai passar ser diferente nestes casos? A polícia perdeu o contacto com a rua? Mas não se pode ter um polícia em cada esquina? Acha que há falta de polícias no país? Mas há áreas críticas em que esse ratio não é assim tão bom… Os militares podem ser uma ajuda também? Houve críticas de altas patentes pelo facto das forças armadas não terem ficado com um papel mais definido no sistema de segurança interna, como acontece nos mais importantes países europeus. Podemos prescindir destes recursos? Não o chocaria, como acontece, por exemplo em Paris, ver militares nas ruas ao lado de polícias, em acções de prevenção, quando há ameaças terroristas? Na intervenção que fez no parlamento falou em novos riscos na criminalidade. Quais são as ameaças emergentes? E a tendência é para piorar, caminhar para uma criminalidade cada vez mais violenta e espectacular? Tem cuidados especiais quando sai à noite? Como interpreta o aumento das agressões a polícias? Porque se sentem impunes? E as leis penais não estão muito brandas?
Como juiz o que acha das notícias recorrentes “polícia prende, tribunal liberta’?
Mas são os polícias que prendem mal ou os juízes que soltam mal?
Mas as pessoas ficam confusas. Não percebem o que está a falhar ..
Uma questão que foi levantada com a criação desta estrutura, na dependência do primeiro-ministro (com competências delegadas no MAI) é o da governamentalização da segurança e de um excesso de poder político sobre as polícias. Sente-se de mãos atadas ou sente-se um homem livre?
E vai servir primeiro os interesses dos cidadãos que os interesses do Governo?
Mas essa influência pode ser exercida em pequenas coisas, como ordens para divulgar ou esconder determinadas estatísticas…
Mesmo que contrarie o Governo?
Quais são as suas prioridades neste momento?
Mas ninguém quer dar informação à ‘quinta’ do lado…
O que leva um magistrado do Supremo Tribunal de Justiça, no topo da carreira, uma vida à partida pacífica, a aceitar um cargo destes onde os riscos que corre provavelmente são maiores dos que os benefícios Porque aceitei? Talvez porque estivesse fora do meu estado normal. Estava na praia, talvez fosse sol a mais… Foi o Sr. Primeiro-ministro que me telefonou directamente. Só tinha estado com ele uma vez na vida, em Bruxelas, quando ele ainda era Ministro do Ambiente. Foi uma surpresa. Ponderei os prós e contras e acho que foi um bocadinho pelo desafio que isto significava. Uma coisa é uma pessoa ser convidada para um cargo de algum risco aos 40 anos, outra coisa é ter este desafio aos 60. Achei interessante. Num país que não é para velhos, estar perante um desafio destes aos 60 anos merece que se veja do que sou capaz. Participei em alguns trabalhos do grupo do professor Severiano Teixeira, quando ele estava no Instituto Português de Relações Internacionais, sobre os modelos do sistema de segurança interna e ao aceitar este posto quis ver se era possível por alguma daquelas ideias em prática, algum desafio profissional. Desde há muitos anos que vinha defendendo a necessidade de uma coordenação nas polícias. Desde que estive na PJ e já saí de lá há 13 anos. E quer ficar na história como a pessoa que conseguiu por todas as polícias sob o mesmo comando ? EXPRESSO | 25.10.2008 |
| 23-Out-2008 | |
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O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses desafiou o bastonário da Ordem dos Advogados a apontar qualquer caso em que algum juiz tenha recusado aplicar a lei por discordar dela.
António Martins reagia à posição de Marinho Pinto, que questionou o papel dos juízes que se pronunciam contra alguns diplomas, como a Lei do Divórcio, e vêm depois julgar processos nessa área. “Que confiança podem ter então esses magistrados, se estão contra a lei?” perguntou o bastonário. António Martins entende que Marinho Pinto continua com a “senda persecutória em relação aos juízes”, e só encontra duas explicações: ou se trata de “uma obsessão”,e “a psicologia e a psiquiatria é que tratam das obsessões”; “portanto, convém tratar-se”, aconselhou. Ou é “a preocupação desse senhor em defender tudo o que seja do Governo ou do PS”. GLOBAL NOTÍCIAS | 23.10.2008 |
Branco é, galinha o pôe!
Então, usando a terminologia em voga, é assim: o nosso sistema registral “ainda” - mesmo o comercial, com o impagável registo por depósito - pressupõe e exige a qualificação, logo, conhecimento do ordenamento jurídico, quer substantivo, quer adjectivo por banda de quem tiver de proceder à mesma.
Este conhecimento pode adquirir-se através da formação académica e, por assim dizer, sedimentar-se com a aplicação prática do direito e, evidentemente, ser permanentemente complementado com a sua actualização, através do estudo e, como agora está na moda, com acções de formação (que, às vezes, muitas vezes, não passam, de feiras de vaidades e de ocasiões para se pôr a má-língua em dia …); pode (o tal conhecimento) adqurir-se, também, de forma empírica (aprende-se a fazer, primeiro vendo fazer e, depois, fazendo também, de preferência sob a supervisão do mestre do ofício).
O conhecimento obtido pela primeira das indicadas formas habilita quem o detem a resolver, com maior ou menor dificuldade, os problemas que lhe surgem no dia a dia, mesmo quando a solução não aparece nos livros jurídicos (às vezes em simples notas de rodapé) ou quando não se encontra uma decisão judicial sobre aquela concreta matéria; mais, este tipo de conhecimento permite a prévia qualificação da matéria em causa, o que é imprescindível para se saber procurar no sítio certo e encontrar com rapidez, separando o trigo do joio.
O conhecimento empírico, sobretudo quando alicerçado numa prática longa e constante e obtido por quem aprendendo uma vez jamais esquece, permite a resolução de questões complexas, contanto que estas sejam frequentes, que haja doutrina e jurisprudência acerca das mesmas, com conclusões senão uniformes, pelo menos com orientações dominantes.
É por isso que encontramos nas conservatórias e nos tribunais, como ontem também encontrávamos nos notários (hoje encontra-se menos ou quase nunca), gente sem formação jurídica de base, sabendo muito de Direito, concretamente ao que aos registos diz respeito, ajudantes e escriturários muito sabedores.
Mas todos com um calcanhar de Aquiles: perante situações novas ou pouco frequentes, por vezes sem grande dificuldade, claudicam (compreensivelmente, diga-se), para lá da limitação resultante de não terem, nem poderem ter, uma visão global do ordenamento jurídico.
Para além de tudo o que vem de ser dito, o conhecimento empírico para se manter a um nível elevado de qualidade pressupõe que a ordem jurídica não sofra alterações frequentes e que, a ocorrerem, essas alterações não sejam de fundo.
Quando as leis não mudavam ou mudavam pouco, o funcionário zeloso e atento levava quase sempre (e bem) a carta a Garcia … sem necessidade degrandes apoios ou orientações das chefias.
Todos os que, como eu, estão no Outono (avançado) da vida, recordarão os nomes de ajudantes de cartórios e conservatórias que sabiam muito. Porém, os códigos levavam anos a ser alterados, as alterações, quando surgiam, eram de pormenor e as leis avulsas surgiam de quando em vez.
E recordo-me do alvoroço que entre esses esplêndidos funcionários se instalou quando o velhinho Código de Seabra foi colocado na prateleira, quando o actual Código Civil sofreu a profunda reforma que vigorou após 01.04.1978 e aquando da entrada em vigor do Código das Sociedades Comerciais …
Ora mesmo nessa época - a da estabilidade legislativa - não passou pela cabeça do legislador atribuir aos oficiais competência própria para a qualificação (salvo nos casos de substituição do notário ou do conservador, procedimento aliás errado e contra o qual se levantaram várias vezes vozes autorizadas, manifestando a sua discordância e defendendo que a substituição do notário ou do conservador, em caso de falta ou impedimento do mesmo, deveria ser necessariamente assegurada por outro notário ou conservador).
Então porquê este presente (envenenado) dado aos oficiais, quando a diarreia legiferante está na sua fase mais aguda, quando os códigos se transformaram em mantas de retalhos, as leis avulsas pululam e as alterações são extensas e profundas, algumas claramente desfasadas do sistema, colocando sérios problemas de interpretação e aplicação da lei?
The answer, my friend (como dizia o Bob Dylan da minha juventude, na sua célebre balada) é simples.
Qual a razão mais consistente para justificar o fim de uma instituição ou, pelo menos, a sua profunda remodelação e descaracterização, senão o descrédito da mesma?
Vamos então, maquiavelicamente, atribuir competências a quem manifestamente não reune, nem pode exigir-se-lhe que reúna, os requisitos para bem as exercer e aguardar pelo resultado, necessariamente desastroso.
Quando o incêndio deflagrar - e alguns recentes despachos de provisoriedade e de recusas já estão a entrar no anedotário da comunidade jurídica - aí virá o bombeiro (leia-se legislador) apagar o fogo: acaba-se com a qualificação, o registo perde aquilo que o torna verdadeiramente útil - a presunção dele derivada - torna-se o almejado registo com a natureza de mera publicidade (à maneira anglo-saxónica, pois caro, que é para onde está já a caminhar a passos largos o notariado) e transita, o predial para as associações de “patos bravos” que por aí andam, e o comercial para as associações de patrões e outros galifões …
All is business. Capito?
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| 21-Out-2008 | |
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DIABO - Como avalia esta crise financeira mundial? O professor Medina Carreira faz um retrato real da situação do País? E os resultados não são muito animadores. Desde 2005 - ano em que o Governo de José Sócrates tomou posse - e olhando para o País e para aquilo que foi feito, hoje estamos melhor ou pior? «Má consideração pelos magistrados» Disse há uns tempos que o Governo utilizou «mentiras» para fundamentar a reforma na Justiça. Que mentiras são essas? E que outros aspectos o preocupam? O problema é a falta de preparação das pessoas ou falta a tal grande reforma estrutural? Qual o balanço que já pode ser feito das alterações às leis penais? Porquê? E que tipo de consequências são essas? «Estão a jogar ao tiro ao alvo» É muita alteração? Estas alterações têm sido apontadas como responsáveis pela ondade criminalidade que tem assolado o País. Concorda? O que está a dizer é que as polícias estão limitadas na sua actuação? Nessa medida, e já que fala de Segurança, já temos SecretárioGeral de Segurança Interna. Como avalia a criação desta figura, uma «espécie de super-polícia» e com amplos poderes? Marques Vidal, ex-director nacional da PJ, disse há uns meses ao nosso jornal que o Secretário-Geral podia vir a ser um «superpide» e um «super-controleiro». Concorda? Fala-se muito na junção das policias de forma a melhorar a coordenação entre elas, tal como existe em Espanha. Esta ideia faz algum sentido, tendo em conta as naturezas de cada uma delas? Voltando às leis penais. A redução dos prazos da prisão preventiva tem-se mostrado negativa? Como avalia a nova Lei de Política Criminal? O Ministério Público continua instrumentalizado e ao serviço do Parlamento? Esta Lei pode levar à violação do princípio da separação de poderes e permitir restrições nas investigações? De que forma se pode ter uma alteração do MP: mais eficaz e sem ser instrumentalizado e politizado? Como avalia o novo mapa judiciário? Há ou não nesta reforma um entrave no acesso dos cidadãos à Justiça? Mas estamos aqui perante uma visão meramente economicista?
Muito se tem falado de corrupção. Temos um novo Conselho de Prevenção da Corrupção, que irá apresentar um relatório anual sobre as áreas de maior risco na administração do Estado e empresas públicas. O que espera deste órgão? Se nada muda, qual é o grande problema no combate contra a corrupção? Mas a corrupção começa ou não na classe que tem nas mãos o poder de mudar este panorama? As áreas de risco em matéria de corrupção são as obras públicas? Falando dos advogados. Como olha para a classe? A Ordem hoje é mais populista? Não há hoje por parte da OA esse reconhecimento de contributos e opiniões? Quais são actualmente os grandes problemas por que passam os advogados? Que balanço faz do trabalho do ministro da Justiça, Alberto Costa, e que nota lhe dá? O DIABO | 21.10.2008 |
Não foi com espanto que recebemos as recentes alterações registrais. Nos dias que correm tudo pode ser possível. Interrogamo-nos, no entanto, face ao comprometedor silêncio dos juristas, dos senhores advogados e nomeadamente dos conservadores, é claro. Os principais actores da justiça, os cidadãos em geral, estão hoje apreensivos e por isso concentrados no comportamento violento, na atitude criminosa dalguns transviados cidadãos. Assiste-lhes, assiste-nos sem dúvida esta preocupação. Mas a justiça não pode e nem deve resumir a sua actuação no plano restrito do direito penal ou processual; não se deve reduzir, pois, à prevenção e redução das actividades criminosas, ou à controvérsia instalada da prisão preventiva. A justiça tem horizontes mais vastos, outras facetas, nomeadamente a da segurança do comércio jurídico imobiliário, tal como refere o artigo 1.º do Código do Registo Predial, e que constitui a base imprescindível ao desenvolvimento económico de toda e qualquer país.
Será, por isso, legítimo perguntar: já algum jurista retirou as consequências ou implicações das recentes alterações no âmbito do registo predial? Para além de se ter omitido qualquer debate sério entre os profissionais do registo sobre o anteprojecto, que se manteve em segredo até à sua publicação, alguém valorou o simplex para o registo predial?
Numa atitude de coerência, claramente aparente, mantiveram-se os princípios registrais, parecendo até reforçados face à obrigatoriedade do registo. Mas, quando se atribui a um simples escriturário competência própria para qualificar um pedido de registo de penhora, com o respeito que é devido a todos os escriturários competentes, não teremos de chegar à conclusão que o instituto do registo predial, na prática, deixará de ser um instituto do direito civil para se transformar um instituto do direito administrativo? Face competência própria dos funcionários, o direito registral não se transformará, assim, num instrumento meramente burocrático e burocratizante? Alguém ordena e o escriturário ou o ajudante cumpre.
E a eficiência do serviço, ou melhor do balcão, como qualquer instituição bancária, não passará a reger-se apenas pela estatística? E a qualidade do serviço? Face á crise da instituições financeiras fruto da onda neoliberal que varre o globo e à influência nefasta destas instituições nos serviços do Estado, será que os governantes terão capacidade para tirarem as devidas conclusões?
Estamos certos que o instituto do registo predial entrou em decadência, ou mesmo em falência. A segurança jurídica foi conscientemente e seriamente enfraquecida.
Setúbal, 19 de Outubro de 2008.
J.C.Pacheco Alves
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| 17-Out-2008 | |
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Vasco Pulido Valente escreve na sua crónica habitual do jornal Público sobre os «mistérios da crise», defendendo a tese de que «a crise acabou por se tornar a salvação dos políticos falhados».
Segundo o historiador, os políticos andam numa roda viva de reuniões e cimeiras, passando a ideia de que alguma coisa depende deles. «Sarkozy, que andava há meses pelas ruas da amargura, resplandece em reuniões sobre reuniões, como se dele (ou delas) dependesse alguma coisa». Para Pulito Valente, os exemplos atravessam os países da Europa à América e, por isso, Portugal também se inclui. «Em Portugal, Sócrates, muito apertado, e em risco de perder a maioria, emergiu de repente como uma espécie de “pai da pátria”, tranquilizante e forte. Em Inglaterra, Gordon Brown, em vésperas de uma derrota histórica, produziu um plano “salvador”, convenceu a “Europa”, impressiou a América e passa agora (desconfio que por dias) pelo génio providencial do Ocidente».
PORTUGAL DIÁRIO | 17.10.2008
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