Arquivo para Novembro 16th, 2008

Avaliação do desempenho - “Complex ” ou “Simplex”?

Domingo, Novembro 16th, 2008

         Por diversas vezes firmamos opinião crítica sobre o actual sistema de avaliação do desempenho dos oficiais e conservadores (SIADAP). E deixamos aqui a ideia de que se o antigo sistema de avaliação não tinha, no plano dos resultados, qualquer eficácia, o actual, por evidente autismo, estava completamente desfasado da realidade dos serviços dos registos. E se os professores, pela dimensão e união da classe, conseguem fazer passar a ideia de que o sistema de avaliação que lhes foi imposto é demasiado burocratizante, como poderão os conservadores e oficiais do registo transmitir à tutela a inadequação do actual modelo?
         
Sendo este o tempo da simplificação, impondo-se como se tem imposto soluções “simplex”, afinal porque é que, contraditoriamente, se complica tanto quando em causa está a avaliação do desempenho, não só dos professores, mas também dos profissionais do registo?

Setúbal, 16 de Novembro
J.C.Pacheco Alves
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             Não é possível dissolver os professores

            A EMERGÊNCIA do quotidiano é um laboratório social essencial para percebermos a sociedade em que vivemos. Os sinais que extravasam da inquietação comum e adquirem expressão colectiva não só reflectem aquilo que muitos vêm reclamar como vitalidade da própria democracia, como ignorá-los é suicidário do ponto de vista político. Uma das doenças da democracia portuguesa, e que mostra, de resto, a sua debilidade, é subvalorizar precisamente a emergência da inquietação colectiva. Tudo o que cheire a rua (não foi Vieira da Silva que pintou a essência do nascimento da democracia portuguesa – o 25 de Abril – com a legenda: “a poesia está na rua”? Ora, venham lá com essas …), tudo o que cheire a expressão crítica a céu aberto, é olhado como heresia ou tido como manifestação de protagonistas de má fé. O problema é que o país sofre, vê e não gosta de ser tratado como estúpido. Menorizar o que tem significado amplo, o gesto e a palavra colectiva, é um colossal erro político. O país assistiu no sábado a uma gigantesca manifestação dos professores, cerca de 120 mil no centro de Lisboa. Que faz o Governo? A ministra da Educação, sobre quem pesa boa parte do mal-estar nas escolas e do enfado do universo escolar, vem à televisão subestimar o acontecimento numa retórica que tem marca de arrogância. Apetecia dizer-lhe aquele verso famoso do Brecht que, face á incapacidade de dialogar do Governo, se calhar é melhor dissolver os professores …

Fernando Paulouro Neves

“Jornal do Fundão” de 13 de Novembro