Bastonário não se demite

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28-Nov-2008

Advogados. Votação durou até às 03.30 com reacções exaltadas contra Marinho e Pinto. Quase 80% dos advogados manifestaram-se contra a proposta de Marinho e Pinto.

“Preso por ter cão e preso por não ter.” As palavras do bastonário da Ordem dos Advogados não conseguiram acalmar os mais de 300 advogados presentes no Salão Nobre da Ordem dos Advogados para votação do orçamento para 2009, na madrugada de ontem.

O resultado? Depois da contagem de votos, que só começou depois das 02.00, sete horas depois do início dos trabalhos, o orçamento proposto por Marinho e Pinto foi rejeitado por 2867 votos contra e 905 a favor. Ou seja, 75,7% dos votantes, que no total foram 3786, quer presenciais quer por procuração. “Uma assembleia para discussão do orçamento com uma afluência nunca antes vista”, concordaram muitos dos presentes.

Mas também um cenário constrangedor protagonizado por uma classe que se rege pelo dever da urbanidade. Mas, a sessão que começou na noite de quarta-feira, que parecia não terminar, não primou pela calma e menos ainda pela boa educação. Das 19.00 às 03.30 - oito horas -, foi o tempo que os advogados precisaram para, oficialmente, votar o orçamento.

Em cheque esteve, manifestamente, a actuação de Marinho e Pinto, decorrido um ano da sua eleição como bastonário. “Temos de o correr a pontapé”, “temos de nos livrar dele”, “uma desordem que vai na Ordem”, ` o marque fizemos hoje pode ser irreparável para os advogados” foram comentários ouvidos pelo cerca de vinte advogados que quiseram ter voz activa na assembleia geral. Muitos abanavam a cabeça em sinal de vergonha pelo que se ouvia.

Apesar desta forte contestação, comprovada pela intervenção dos presidentes dos cinco conselhos distritais - Lisboa, Porto, Évora, Coimbra e Faro - e do Conselho Superior da Ordem dos Advogados com Barreiros a protagonizar um dos episódios mais exaltados da noite, Marinho e Pinto fica.

No final da votação Marinho e Pinto manifestou que não vai ceder a pressões, “que não se deixa vergar”, nem com “ameaças nem com pressões” e que não é feito da “massa dos desistentes”. Ou seja, não se demite.Orçamento rectificado ou o cenário de uma gestão por duodécimos são agora as duas possibilidades que o bastonário terá para gerir a Ordem dos Advogados.

Barreiros e Marinho zangados
“Vamos tentar acalmar o discurso que a todos rebaixa.” Foi o apelo de José António Barreiros, presidente do Conselho Superior (CSOA). Mas não deixou de relembrar as contenções que o seu órgão tem sofrido, nomeadamente face a almoços que “apenas são volantes”. Comentário que deixou Marinho irritado: “Nós já nem refeições volantes temos!” Barreiros denunciou ainda que o Conselho Geral tem vindo a abrir correspondência que é dirigida ao CSOA sem autorização deste.

Reacções dos intervenientes

Contra os restantes órgãos da Ordem, o bastonário mantém a sua posição e não considera que estejam criadas as condições para apresentar a sua demissão

Não sou feito da carne da desistência e da fuga. Na Ordem não há demissões nem moções de censura ainda que haja uma oposição organizada contra o bastonário
António Marinho Pinto - Bastonário da Ordem dos Advogados

Se o bastonário não aprender nada com a derrota do Orçamento, muito expressiva e inédita na Ordem, e se não arrepiar caminho adivinham-se tempos muito conturbados
Rogério Alves -  Anterior bastonário da Ordem dos Advogados

O chumbo é fruto da posição autista e da total falta de diálogo e intencional. É falso que os conselhos distritais não tenham apresentado propostas de orçamento.
Carlos Pinto de Abreu Presidente do Conselho Distrital de Lisboa

DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.11.2008

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