2008/02/29
Em 20 de Agosto do ano passado, publicamos aqui artigo de opinião sobre as reformas em curso. Assumimos que era essencial para o país reformar não só e apenas os serviços de justiça, mas toda a administração pública.
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É PRECISO QUE NÃO SE FUJA! URGE QUE SE PENSE
2008/02/23
"CONSTRANGIMENTOS OU ENTROPIAS" NOS SERVIÇOS
NB: Limitamo-nos a transcrever aqui o artigo, do Dr. Jorge Silva, sem qualquer nota explicativa, por não existir tal necessidade. O artigo pode ser lido também em http://notariosprivados.blog.pt/ .
«Instituto dos Registos e do Notariado nega "apelo à delação" e garante que o objectivo é identificar "constrangimentos ou entropias" nos serviços»
«Um "apelo à delação". Foi deste modo que muitos funcionários das conservatórias do Registo Civil, Comercial e Predial encararam um e-mail que lhes foi endereçado pelo sector de acção inspectiva e disciplinar do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN) instando-os a denunciar os colegas ou os serviços que "obstem, comprometam ou atrasem" os procedimentos necessários aos projectos lançados no âmbito do programa Simplex.
"Está criado um clima de intimidação e chantagem com os inspectores a ameaçar com processos disciplinares quem recuse executar novas tarefas", declarou ao PÚBLICO uma fonte que preferiu não se identificar, atribuindo este ambiente à pressa que o Governo liderado por Sócrates tem em fazer avançar os diversos programas de simplificação burocrática e administrativa contidos no Simplex, como o "Casa Pronta", o "Balcão das Heranças e Partilhas" e o "Cartão do Cidadão".
O episódio mais recente ocorreu na terça-feira, quando os funcionários dos diferentes serviços do IRN foram confrontados por um e-mail cujo teor encararam como "um convite à delação". No documento, o serviço de acção inspectiva e disciplinar do IRN pede a conservadores, notários, adjuntos e oficiais que comuniquem qualquer incumprimento que comprometa os novos projectos do IRN, como seja a informatização de determinado assento necessário a uma aquisição ao abrigo do "Casa Pronta". O objectivo é "promover a imediata regularização da situação", lê-se no e-mail, onde se avisa: "Não há neste contexto margem para atitudes menos atentas".
"O IRN tem usado os meios mais inacreditáveis para intimidar as pessoas nas conservatórias", confirmou o bastonário da Ordem dos Notários, Barata Lopes. Em rota de colisão com o Governo, desde que os notários na recta final do processo de privatização se viram esvaziados de competências, este responsável acusa o IRN de ter exortado os inspectores a "semear uma cultura de terror" pelas conservatórias, "instigando toda a gente a denunciar quem não cumpra".
"Os inspectores estão a exercer uma chantagem psicológica que surte efeito por causa dos receios relacionados com o quadro de excedentários", acrescentou, para concluir: "É inaceitável que o Governo anuncie medidas em catadupa sabendo que não tem meios técnicos nem humanos para os fazer cumprir".
O presidente do IRN, António Figueiredo, garantiu que o e-mail visa identificar "casos de constrangimento ou entropias" nos serviços. "Não está, nem nunca esteve, em causa a intenção de denúncia de colegas ou serviços", garantiu por escrito. Fontes ligadas ao processo alegaram ainda que as conservatórias, sobre as quais recaíram muitos dos procedimentos até agora afectos aos notários, não estão equipadas para responder aos prazos apertados que o Governo estipulou para avançar com as novas medidas do Simplex. "Os assentos prediais, por exemplo, têm que estar informatizados até Julho. E há funcionários que, ou não estão preparados para lidar com suportes informáticos, ou demonstram resistência por temerem ser dispensados".
Barata Lopes, bastonário da Ordem dos Notários, denuncia clima de terror que se vive nas conservatórias. in Público»
Escrito por Jorge Silva
2008/02/16
«O SUAVE BLOQUEIO DAS IDEIAS»
Como no antigamente na vida, novamente se torna perigoso ter ideias. Torna-se por isso natural ver que há holofotes virados, conscientemente, para alguns dos servidores do Estado. Quem está contra a corrente ou o pensamento único, que se cuide! ... É preciso saber “ não meter a pata na poça”. O oportunismo espreita em cada esquina, como tal a bufaria não falta por aí …Mas há princípios, sejam eles republicanos ou de influência católica, de que não abdicamos. Devemos lealdade à educação que recebemos. Há que saber estar de cabeça erguida. Quem não deve não teme.
Setúbal, 16 de Fevereiro
J.C. Pacheco Alves
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«Ninguém será capaz de negar que se tem assistido, no âmbito da comunicação social, à imposição daquilo que se poderia chamar a vulgata do pensamento único, expulsando do universo das ideias uma vasta panóplia de questões que, pela sua natureza, podem ser incómodas ou de expressão radical face ao mundo da política. No fundo, impõe-se, de forma subtil, ou nem tanto, a restrição do debate, o afunilamento do diálogo, o suave bloqueio do confronto de ideias. È evidente que isso se traduz num gradual enfraquecimento da democracia e, sobretudo, um convite ao empobrecimento da própria vida em comunidade. António Sérgio tem muita actualidade quando adverte de que as “avenidas do diálogo” são indispensáveis à vitalidade e sentido da vida democrática. O enriquecimento do contraditório, a possibilidade de abordar a realidade sem limitações ou censuras, é condição fundamental, não só de saúde democrática, como indispensável a uma visão, tanto quanto possível objectiva, da sociedade. Ora, em Portugal, não faltam tabus à discussão das ideias, baias pautadas por padrões de unidimensionalidade que não tem outro objectivo que não seja a própria domesticação do diálogo. Viver em democracia é correr o risco do confronto ideológico, não ter medo de pensar em voz alta. É dessa substância que se faz a vida. Somos todos crescidinhos e o paternalismo é apenas um disfarce circunstancial para iludir a realidade. Quando trataram de proibir as Conferencias do Casino, Antero perguntou: “ Mas Excelentíssimos Senhores, é possível viver sem ideias?”. Não é. O poder e os poderes são excelentíssimos. Mas Brecht bem avisou que o homem tem um defeito – pode pensar … Virtualizar o pensamento na sua completude e a liberdade de expressão são, também, deveres implícitos, da missão de informar. Este jornal é uma tribuna livre. A nossa grande regra continua a ser clássica: “ Não concordo com o que dizes, mas farei tudo para que possas dizê-lo”. Uma boa forma de combater o pensamento único.»
Fernando Paulouro das Neves
In, Jornal do Fundão de 14 de Fevereiro
2008/02/09
QUE RAIO, O QUE É QUE ESTA GENTE LÊ? ...


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E o Fern