2008/03/28

GESTÃ0 POR OBJECTIVOS

       

        Num mundo globalizado em que tudo parece girar à volta de objectivos ou resultados e  sem contestarmos o facto de que qualquer organização  terá de os ter, o que nunca poderemos aceitar é que nos comprimam o    tempo para sentir e amar a vida. Talvez ... porque para alguns  responsáveis políticos, importante são as  suas próprias carreiras. Para muitos  destes o que conta, não são as pessoas como membros das organizações ou instituições, porque desconhecem que os resultados, para além da racionalidade que sempre encerram,  são fruto essencialmente do sentimento empenhado das pessoas.  Num mumento particularmente difícil para a administração pública portuguesa, nomeadamente no sector dos registos, e em que pensavamos já ultrapassadas algumas sequelas do passado, os tique autoritários voltaram.  E sendo meras cópias, mais malefícíos fazem aos agentes da administração por falta de  conduta ou comportamento com  genuidade própria. Reflectir é um gesto que fica sempre bem e á política e a muitos  políticos falta -lhe a dimensão humana,  essencial para  sentir e amar os outros. E o problema da nossa sociedade está precisamente aqui. Ela só avançará quando, solidariamente,  soubermos dar as mãos, quando aprendermos a  amar. Tudo o resto são tretas ! ... Acreditem ! ...

        E porque é em avaliação e  objectivos que hoje mais se tagarela  a nível de toda a  nossa administralção pública,   e nomeadamente porque a nível dos serviços dos registos a única coisa que se discute é a de saber quantos registos é que cada oficial deve converter para o SIRP, valerá a pena trazer à colacção  a célebre anedota sobre o sacerdote e o taxista.
  
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         Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome: Joaquim Gonçalves. Um era sacerdote e o outro,taxista. Quis o destino que morressem no mesmo dia. Quando chegaram ao Céu, São Pedro esperava-os. 
          - "O teu nome?" -"Joaquim Gonçalves." 
          - "És o sacerdote?"
          - "Não, o taxista." 
          São Pedro consulta as suas notas e diz: 
          - "Bom,  ganhaste  o Paraíso.  Levas esta  túnica com fios  de ouro e este ceptro de platina e rubis. Podes entrar."
 
          - “E tu qual o teu nome?"
          - "Joaquim Gonçalves." 
          - "És o sacerdote?"
          - "Sim, sou mesmo sacerdote. "
          - "Muito  bem, meu  filho, ganhaste o  Paraíso.  Levas  esta  bata de linho e este ceptro de ferro."
       Diz o sacerdote :
          - "Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou o Joaquim Gonçalves, o sacerdote!”
          - "Sim, meu filho, ganhaste o Paraíso. Levas esta bata delinho  e..." 
          

          - "Não  pode ser! Eu  conheço o  outro  senhor. Era taxista, vivia na minha  aldeia e era um desastre! Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais. E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia."
          - "Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu … isto?"
          - "Não é nenhum engano" – responde S. Pedro

          - "Aqui no Céu, estamos fazer uma gestão mais profissional, do que a que vocês fazem lá na Terra."
          - "Como assim!..." 
          - "Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos. É assim: durante os últimos anos, cada  vez q ue tu  pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar. 
          - Resultados! Percebeste? Gestão por Objectivos."

           Setúbal, 28 de Março de 2008.

           J.C. Pacheco Alves

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:36:57 | Link permanente | Comments (3) |

2008/03/26

«OS RECOLECTORES»


NB: PELO HUMOR QUE REVELA, VALERÁ A PENA LER O ARTIGO QUE AQUI TRANSCREVEMOS DA AUTORIA DE JOÃO GONÇALVES E QUE PODERÁ SER LIDO TAMBÉM EM  http://portugaldospequeninos.blogspot.com/

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«Na Índia existe uma espécie de infra-casta que é designada profissionalmente por recolectores. Os recolectores andam pelas ruas, com umas cabaças à cabeça, e dedicam-se a - como o nome indica - "recolher" os dejectos que as castas mais elevadas aliviam ao ar livre. Faça chuva ou sol, os recolectores lá vão, na sua azáfama diária, com aquilo com que ganham o ordenado e que, em dias de tempestade, acaba por lhes escorrer pela cara abaixo. O governo português e a Ordem dos Advogados criaram a sua pequena "casta" de recolectores, desta feita de multas. Depois de ter desbaratado a defunta DGV, o governo percebeu que andava a perder dinheiro com multas enfiadas em processos que pararam. Com o concurso da Ordem, trinta e dois advogados vão "separar um mínimo de 1000 processos por dia, e fazer pelo menos 30 propostas de decisão diárias", sendo cada proposta "paga a 1,67 euros e cada lote de processos separados vale 50 euros." Se um jurista recolector cumprir um daqueles objectivos ganha no fim do mês cerca de 1050 euros. Sobre isto incidem os habituais descontos legais. Candidataram-se a esta edificante tarefa, para já, cerca de setecentos advogados. Considero que a profissão de advogado possui uma dignidade específica, inconfundível com esta bizarra "missão", tipicamente estadual, de evitar que multas, cuja legalidade na sua emissão é muitas vezes duvidosa, prescrevam. Todavia, no país das "novas oportunidades", em que tudo está a ficar cada vez mais insuportável, tudo é possível. Por isso não admira que os "mais qualificados" acabem a apanhar a porcaria dos outros.»

PUBLICADA POR JOÃO GONÇALVES EM 25.3.08

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 00:01:52 | Link permanente | Comments (2) |

2008/03/22

BOA PÁSCOA

A vida não deixa de ser o caminho que vamos caminhando. De sentido e vivência agnóstica, mas de educação profundamente católica, mantemos grande respeito por toda a simbologia que herdamos do judaísmo e mais, concretamente, do cristianismo. E a RESSURREIÇÃO de JESUS CRISTO e toda a alegoria que representa, ressuscita em nós a esperança do renovamento da vida. Apesar da inquietude existencial, e que se coloca hoje à escala global, teremos de acreditar na renovação e ter esperança no desabrochar de um novo olhar perante a vida e o mundo.

Feliz Páscoa! …

Setúbal, 22 de Março de 2008.

J.C.Pacheco Alves 

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 18:12:47 | Link permanente | Comments (0) |

2008/03/16

ESTÁ NA HORA! …

    

1- Poderíamos comentar com alguma profundidade a controversa temática da realização de registos sobre veículos pedidos on-line e que a portaria n.º 99/2008, de 31 de Janeiro veio instituir. Ou ainda o ainda mais controverso regime transitório especial de regularização do registo de veículos previsto no artigo 6.º do Decreto – Lei n.º 20/2008, também de 31 de Janeiro, que veio atulhar e tolher alguns  dos serviços com competências no âmbito do registo de veículos. Com uma simples notificação, que poderá ser enviada para uma virtual residência dum real ou inventado comprador, será possível hoje efectuar o registo de propriedade de um veículo, a favor de alguém que poderá não ter, sequer, qualquer possibilidade de se opor à feitura de tal registo. Poderá mesmo ser possível efectuar o registo de propriedade a favor de pessoa falecida sem que os reais herdeiros sejam notificados e possam efectuar qualquer oposição.
           Poderá … poderá até o regime transitório possibilitar o  registo de propriedade em falta e fazer, como tal, presumir que o direito existe e pertence ao comprador referido na declaração apresentada pelo vendedor ( artigo 7.º do CRP), mas é certo  também que, tal regime,  pode levar à feitura de um registo de propriedade em que o veículo  é  juridicamente virtual. A materialidade em causa já não exista,  jazendo mesmo por aí num “canto” qualquer deste país. A publicidade registral, deixando de ser segura, poderá,  agora,  mesmo  publicitar  uma mentira.

       2 - Embora esta e outras questões sejam importantes, é essencial que os profissionais do registo pensem, reflictam nos reais problemas que profissionalmente os afectam. Há questões que urge discutir, e, tal como referimos no editorial do REGINOT, só com o diálogo nos podemos aproximar. Pensar e discutir os nossos problemas não constitui qualquer crime em democracia. Numa altura em que muita gente não o deseja, é importantíssimo que se estabeleça o diálogo entre conservadores e oficiais. Angustiantes, não são as reformas apressadamente engendradas por um certo estilo crispado e mesmo despótico. Pensar que as reformas podem ser feitas não com as pessoas, mas contra as pessoas, constitui um erro e mas tarde ou mais cedo, perdem-se. Inquietante, para nós, parece ser a falta de reacção dos profissionais face a objectivos muitas vezes inatingíveis, e que, quando alcançáveis, o são apenas com evidente sacrifício de natureza pessoal e familiar. A passividade e a resignação nunca levam à solução. O medo leva à imposição.

Setúbal, 16 de Março de 2007.
J.C. Pacheco Alves

      

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Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:53:01 | Link permanente | Comments (11) |

2008/03/10

O QUE É QUE FICA, SE O QUE AMAMOS SE TRANSFORMA EM AZEDUME?


O título é nosso e apenas surje para enquadrar  o texto, de pensamento profundo e de sentido bem poetico. Obrigado, Maria de Fátima! ...
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- O prazer de aprender e ensinar transformou-se em azedume
as palavras sem erros estão curtas e grossas
os versos perderam o sentido do estilo
a harmonia de uma conversa converteu-se em duelo
lamento pelos nascituros que nunca saberão
quão belos eram os debates com os professores
quando o tempo que tinhamos para aprender
permitia manhãs, tardes e dias criativos
onde o debate gerava momentos de reflexão


Passaram muitos anos para os mais jovens
mas não tantos para os que comigo privaram
são apenas trinta e que saudades
da liberdade que tão certa sopunhamos


Somos filhos de um tempo de viragem e por isso
sabemos e podemos afirmar que não foi isto que pedimos
por isso não consigo entender onde está a diferença entre
os meus ideais e os dos que nos governam
porque eu sou a mesma, mas eles mudaram

Escrito por: maria de fátima at 2008/03/09

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 21:00:06 | Link permanente | Comments (0) |

2008/03/07

«A TEORIA DA DEMOCRACIA MUSCULADA E A CRISPAÇÃO»

       O JORNAL DO FUNDÃO  constiuiu para nós uma referência no jornalismo. E podemos dizê-lo, sem qualquer complexo, que ele também nos ajudou a construir a ALMA. O seu fundador, António Paulouro  e o actual Director, Fernando Paulouro Neves, jornalistas e homens de referência, merecem um cantinho sempre muito especial no REGINOT. Jornalistas de palavra séria, eticamente irreprensíveis, nunca se deixaram vencer pelos poderes circuntanciais e o caciquismo que, por vezes,  os rodeiam.         
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       Alguma coisa se passa na sociedade portuguesa que devia produzir alguma inquietação na área do poder. Há um estado de crispação, que tem alastrado pelo país, sobem os queixumes que já não se reduzem ao restritivismo dos interesses das corporações, aumenta o “ direito à indignação”, como espécie de último recurso face à indiferença do Governo. Questões tão sensíveis como a pobreza (…) – fenómenos tão dramáticos como o desemprego e o crescimento das desigualdades, merecem alguma coisa do que o estafado argumento (tão de cariz salazarento) de que quem não está connosco ou é tolo ou é mal intencionado. Chegou-se ao cúmulo, depois de mais de três décadas de democracia, de se vir imputar ao radicalismo comunista ou a meros propósitos estratégicos do populismo em voga no PSD, a expressão pública dos protestos ou o sentido de iniciativas cívicas de carácter muito mais abrangente e plural. Ora, toda a gente sabe – basta ter em conta, aliás, alguma retórica em curso – que o descontentamento também afecta expressiva base social de apoio do Partido Socialista, inquieta com aquilo que tem vindo a ser definido como “ falta de sensibilidade social” de um Governo sobretudo apostado na gestão economicista e na estratégia reformista. È certo que este último conteúdo, ainda que com hesitações de circunstância, provocaria sempre descontentamentos numa sociedade, cujas reformas estruturais foram sempre adiadas, ou então, feitas apenas para tudo continuar na mesma. A questão da eficácia e do alcance das políticas reformistas, e da sua racionalidade, medem-se, também, pela capacidade da pedagogia política que se puder realizar à volta da sua imposição. A pressa de as construir apressadamente, começando às vezes pelo telhado, é o meio caminho para a sua ruína. Num país, como o nosso, marcado por muitos défices, entre eles os do debate político e da participação cívica, o autismo político e a incapacidade para perceber sinais na sociedade, aliados à tendência para o autoritarismo, são fenómenos desencorajadores e apenas podem agravar a anemia cívica que tanto condiciona a hora que vivemos. O que se passa com os professores é, talvez, a imagem mais visível da crispação e das contradições que minam o sistema educativo. E cabe perguntar por que razão o Ministério da Educação deixou degradar o diálogo a tal ponto que a conflitualidade entre as partes atravessa hoje, com intensidade, o país inteiro. E, do mesmo passo, que responsabilidade tem no recrudescimento do descontentamento a teoria musculada do “ manda quem pode, obedece quem deve”, de que a imagem policial a recolher identificações dos professores que falaram para as televisões não deixa de ser um certo paradigma. O país navega em crescimento onda de contestações. Talvez no ruído, que parece cada vez mais intenso, se esqueçam questões centrais do quotidiano, que também era bom terem visibilidade. O aumento do custo de vida – até o pão! – o desemprego dos jovens, o país do trabalho precário e a recibo verde, os salários baixos da generalidade dos trabalhadores e os salários altíssimos dos gestores (mais altos que na Alemanha!), os horizontes de futuro cada vez mais longe. No meio de tudo isto, como é necessário voltar aos versos de Raul de Carvalho: “Vem, serenidade”…

Fernando Paulouro Neves
Jornal do Fundão de 6 de Março.

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 15:45:40 | Link permanente | Comments (2) |

2008/03/03

O COMUNICADO DE 27 DE FEVEREIRO E A VIRTUAL "COMISSÃO PRÓ- SINDICAL"


     Duma dita "Comissão Pró-Sindical", com proveniência do mail pro_ sindicalregnot@sapo.pt, receberam os serviços externos extenso comunicado, informando os oficiais dos registos e conservadores, que estava em curso a criação de uma estrutura sindical “INDEPENDENTE e reivindicativa”. Em democracia devemos acreditar que o debate de ideias será sempre útil, se o mesmo for encarado de forma séria. Temos por isso afirmado que, ter ideias, não constituirá crime nenhum se as assumirmos de modo claro e responsavelmente. O que não podemos tolerar é que sob a capa do anonimato, se lacem ideias sem rosto. E o referido comunicado, enviado para os serviços dos registos, primando pelo anonimato, não deixará, na nossa perspectiva, de ser um acto medroso e cobarde, por mais genial e concordante que possa ser. 
 
 
 Setúbal, 3 de Março de 2008.

 J.C. Pacheco Alves
                     
Escrito por J.C.Pacheco Alves em 21:58:26 | Link permanente | Comments (1) |