2008/04/28
NB: Como muitos outros poetas da sua geração, a poética de António Ramos Rosa responde às exigências de denúncia e de resistência, que se colocaram aos intelectuais durante a noite longa da ditadura, mas que, pela sua actualidade, não deixa de se colocar hodiernamente, num mundo que aparenta ser cada vez mais opressivo.
Sou um funcionário apagado
SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO E AVALIAÇÃO ( SIADAP)
Como refere o n.º 2 do artigo 1,º da Lei n.º 66-B/2007, de 28 de Dezembro, «O SIADAP visa contribuir para a melhoria do desempenho e qualidade de serviço da Administração Pública, para coerência e harmonia da acção dos serviços, dirigentes e demais trabalhadores e para promoção da.
Com especificidade e orgânica própria, sem o desvirtuamento dos princípios e objectivos do SIADAP, impunha-se a sua adaptação aos serviços dos registos. No caso dos institutos públicos, a referida adaptação deve ser aprovada em regulamento interno tal como refere o artigo 3.º, nºs 3 e 4). E tal regulamentação, era absolutamente essencial aos serviços dos registos. Tendo em vista o princípio da transparência e imparcialidade, (artigo 5.º alínea d), que é exigível por parte de quem coordena e avalia, há que assegurar a utilização de critérios objectivos e públicos de avaliação do desempenho. A subjectivação dos critérios num qualquer processo de avaliação, acabará sempre por criar injustiças e a sua consequente descredibilização.
Para além da objectividade dos critérios, impõe-se realismo e seriedade na contratualização dos objectivos. A determinação de metas ou objectivos inalcançáveis ou inatingíveis apenas podem servir ou contribuir para destabilização dos serviços. Aliás, em cumprimento dos princípios enumerados no artigo 3.º, deverão ser garantidos os meios e condições necessários ao desempenho em harmonia com os objectivos e resultados da contratualização. E, tanto quanto conhecemos e nos foi dado observar, o modo e as circunstâncias em que são contratualizados os objectivos para cada serviço, assemelha-se mais à figura do contrato de adesão do que a um qualquer acordo alcançado pela negociação.
Setúbal, 25 de Abril de 2008.
J.C.Pacheco Alves
2008/04/21
ABRIL AINDA VALE UM POEMA
Sobre o caminho que temos trilhado, que continua de dor e sempre dolente para grande parte dos portugueses, convirá dizer que Portugal vivendo-se como se tem vivido não tem sabido transformar o sonho sonhado de Abril, em acção e missão de cumprimento. Valerá por isso a pena, apesar da angústia e do pessimismo reinante, relembrar aqui o poema por nós escrito no dia 25 de Abril de 2001. Apesar de todas as interrogações, Abril valeu a pena.
Afinal,
Que fizemos da esperança?
Será paixão sem lembrança?
Os Cravos vermelhos de Abril,
Foram enfeite na ponta de fuzil?
Afinal,
Onde está do Zeca a canção?
Perante as teologias do cifrão,
Não foi a promessa desmentida?
Onde as manhas claras da vida?
Afinal,
Onde está a grandeza de Portugal?
Jaz morta no oceano profundo,
Na rota que Gama abriu ao mundo?
Há séculos nascido de lança viril
Levanta-te, caminha e luta Portugal
A liberdade e a esperança são de Abril!...
Apesar do cepticismo da vida actual, pensamos que nem tudo estará perdido. Urge ir de encontro às urgências inadiáveis da nação portuguesa, transformando a democracia meramente formal em que vivemos, num país de cidadania plena. Como disse um dia Baptista Bastos, In Jornal " ainda resta uma esperança: nós", ou como afirma Holderlin: "Onde nasce o perigo nasce também aquilo que se salva". Saibamos encontrar as manhãs claras da vida, Abril ainda é de Esperança.
Setúbal, 21 de Abril de 2008.
J. C. Pacheco Alves -21
2008/04/20
GESTÃO E AVALIAÇÂO DO DESEMPENHO

Sendo certo que o SIADAP está subordinado a vários princípios (artigo 5.º da Lei 66-B/2007, de 28 de Dezembro), será absolutamente essencial que se assegure o princípio da transparencia e imparcialidade da avaliação.
Nesta perspectiva, para além de ser importante assegurar a utilização de critérios objectivos públicos na gestão do desempenhgo dos serviços, dirigentes e trabalhadores, será necessário que se propicie adequada formação aos conservadores e oficiais no âmbito do SIADAP. A subjectivização dos critérios num qualquer processo de avaliação, além de ser eticamente imoral, acabará por criar injustiças e a sua consequente descredibilização.
Sinceramente, esperamos que o novo sistema de avaliação não se reveja na imagem caricatural que aqui postamos.
Setúbal, 19de Abril de 2008.
J.C.P. Alves
2008/04/18
LUGAR AGORA PARA SOPHIA COM O SEU CANTO PLENO DE ACTUALIDADE.
Este é o tempo
Da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam.
De Sophia de Mello Breyner Andresen - "NO TEMPO DIVIDIDO e MARNOVO"
2008/04/16
CARTA A SOPHIA OU O QUINTO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE
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NB: Pela intemporalidade que oferece, o canto de Manuel Alegre serve de poética a gerações diferenciadas mesmo pela ideologia. Recusamos, ontem, o país que nos era oferecido. Recusamos hoje um país que referencia uma mera democracia formal, continuando, assim, a oferecer à generalidades dos seus cidadãos uma vida sem dignidade.
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Querida Sopfia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imagínei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal
Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.
Do "Livro do Português Errante"
M. Alegre
2008/04/13
O DÉCIMO SONETO DO PORTUGUÊS ERRANTE
NB: Na sua essência, o canto de Manuel Alegre contém em si, acto, grito, apóstrofe, desafio, denúncia, vida jogada como arma. O seu grito, a portugalidade e musicalidade do seu canto continua actual. Um país onde as manhãs, que deveriam ser claras e onde as ondas varrem as estruturas do tempo, deixa de ter futuro. Como afirma o poeta, "apetece perguntar para onde vamos".
CONTRA A USURA E O JURO CONTRA A RENDA
CONTRA UM TEMPO DE TER MAIS DO QUE SER
CONTRA A ORDEM FUNDADA EM COMPRA E VENDA
CONTRA A VIDA QUE MÓI ATÉ DOER
CONTRA A FORÇA QUE OPRIME - AÍ EU CANTO .
E ONDE AMOR SE PROCURA E NÃO SE ENCONTRA
ONDE A VIDA SE MEDE A TANTO E TANTO
ONDE A MENTIRA IMPERA - AÍ SOU CONTRA.
E POR ISSO INCOMODO E SOU MAL VISTO.
QUE SE O TEMPO É DE GRADES EU RESISTO
E QUANDO ALGUNS SE CALAM NÃO ME CALO.
EU SOU O RENITENTE O INCONFORMADO.
POR ISSO ME DEITARAM MAU OLHADO
E POR ISSO PERSISTO E CANTO E FALO.
M . Alegre
2008/04/09
«O PRIMEIRO SONETO DO PORTUGUÊS ERRANTE»
NB: A poesia de Manuel Alegre desde sempre se encarnou em música e canto. Como guerrilheiro, sempre trouxe a tiracolo uma espingarda carregada de poemas.
Eu sou o solitário o estrangeirado
o que tem uma pátria que já foi
e a que não é. Eu sou o exilado
de um país que não há e que me dói.
Sou o ausente mesmo se presente
o sedentário que partiu em viagem
eu sou o inconformado o renitente
o que ficando fica de passagem.
Eu sou o que pertence a um só lugar
perdido como o grego em outra ilíada.
Eu sou este partir este ficar.
E a nau que me levou não voltará.
Eu sou talvez o último lusíada
em demanda do porto que não há.
Manuel Alegre
2008/04/06
RESULTADOS E COMPETÊNCIAS


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