2008/05/06

DATA


NB: Como dizia Sophia « a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma cordenada fundamental de toda a obra poética. (...) A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas , porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido.» E o poema que citamos integra-se perfeitamente nos tempos vividos de hoje.



Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação

Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão

Tempo dos convenientes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo de ameaça


Livro Sexto, Sophia de Mello Breyner  Andresen

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:52:17 | Link permanente | Comments (0) |