2008/08/31

Lei e a obrigatória candura dos magistrados

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     A  crise,  a todos os níveis,   que  grassa  no  país, agravada pelas crescentes desigualdades
entre os portugueses,está na origem da onda criminal que avassala  o país.Cremos também que
ela é  fruto  da  desautorização e da demagógica  sementeira  efectuada  pelas  forças   políticas 
que  ao  longo dos anos  nos  têm governado . Como diz o ditado: "quem semeia ventos colhe
tempestades".
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         31-Agosto-2008
         Os  problemas  de  segurança  que  enfrentamos estão, antes  do  mais, ligados  ao  tipo  de
sociedade   que   se  construiu  nos  últimos  anos.  Já    parece, contudo,  correcto  afirmar,  sem
riscos  de  demagogia,   que  o  sentimento  de   insegurança,  de  impunidade,  de  desmotivação
das  forças  de  segurança  e de inutilidade do sistema judicial tem muito a ver com os efeitos  das
reformas  das   leis  penais.  O   resultado querido   e   aplaudido  pelo  Governo  foi,  no  entanto,
alcançado:   a  redução em  mais  de  50% dos presos do País. Mais do que através  das  normas
do  Código  de  Processo  Penal  esse resultado  foi, contudo,  obtido  por  via  da   interpretação
legal obrigatória de tais normativos imposta ao Ministério Público pela Lei da Política Criminal.

  «Os problemas de segurança que enfrentamos estão, antes do mais, ligados ao tipo de sociedade
que se construiu nos últimos anos. À insegurança das ruas somam-se muitas outras: a precariedade
do  trabalho, o desemprego, a saúde, a redução de reformas, as péssimas soluções urbanísticas,os
graves  problemas  da escola  pública. Tudo, em  conjunto, vem  desestruturando  a sociedade, os
valores  de   responsabilidade  e  a  solidariedade  social,  o  brio  profissional, a  possibilidade  da
sobrevivência  das  famílias  (quaisquer que elas  sejam), enfim, o  que permite a segurança de uma
vida social responsável, pacífica e movida por valores de progresso.

    Difícil  é, por  isso,  reduzir  as  causas da actual crise de segurança às reformas  das leis penais:
Código Penal, Código de Processo Penal e Lei da Política Criminal.

 É verdade que algumas foram ditadas mais pelos preconceitos exasperados que certos processos
judiciais provocaram, do que fundamentadas em estudos rigorosos.

   Mas,   até  pela falta desses  estudos sobre a delinquência, não é  honesto dizer que a  crescente
ocorrência  de crimes graves, violentos  e, nalguns casos, sofisticados é uma consequência directa
daquelas reformas.

  Já parece, contudo, correcto afirmar, sem riscos de demagogia, que o sentimento de insegurança,
de  impunidade,  de desmotivação das forças de segurança e de inutilidade do sistema judicial tem
muito a ver com os efeitos daquelas reformas.

 Poder-se-ia dizer ainda que não era possível prever tais efeitos. Mas muitos práticos, académicos,
analistas e jornalistas, alertaram, em tempo, para os riscos evidentes que elas comportavam.

  O resultado querido e aplaudido pelo Governo foi, no entanto,  alcançado: a redução em mais de
50% dos presos do País.

Mais do que através das normas do Código de Processo Penal esse resultado foi, contudo, obtido
por via da interpretação legal obrigatória de tais normativos imposta ao Ministério Público pela Lei
da Política Criminal.

   Só quem não se lembrar da polémica então ocorrida e não tiver lido os artigos 13. º e 15.º dessa
Lei,que ordenam ao Ministério Público que, sempre que se vislumbre uma mínima hipótese legal de
o  fazer,   não  requeira  condenações  em penas  de  prisão  efectiva  ou  a  prisão  preventiva  dos
delinquentes,poderá ficar espantado com o que digo.Essa foi contudo, até agora,  para o Ministério
Público, a interpretação legal obrigatória do Código de Processo Penal.

 Foi por causa dessas excêntricas, rígidas e desadequadas normas de interpretação desse  Código
que muitos delinquentes foram sendo sucessivamente soltos, apesar de, alguns,  terem sido detidos
mais de uma vez por semana pela prática dos mesmos crimes. Neste aspecto da reforma, o  cerne
da questão.

Foi  essa orientação do legislador que, numa interpretação arrojada do artigo 20.º da  mesma lei,o
procurador-geral da República,com aplausos gerais, teve agora necessidade imperiosa de revogar.

    O problema da incongruência destas leis e dos efeitos que elas potenciam não se resume apenas
ou sobretudo à aplicação restritiva da prisão preventiva.

    Ela reside,  essencialmente, no facto de nunca se terem criado verdadeiras condições legais e de
organização judiciária  para  usar,  com amplitude devida, as formas simplificadas  de processo que
permitiriam, em alternativa à prisão preventiva,fazer julgar e condenar em tempo útil os delinquentes
que  vão  sendo detidos pelas polícias na sequência dos crimes que cometem.É isso que, para além
dos processos sumários, acontece com sucesso em outros países europeus.

       Os delinquentes  acabam,  assim - eles   próprios - inexplicavelmente soltos  e crescentemente
convencidos da sua impunidade.

Nisto consiste parte da incongruência da reforma do nosso sistema penal e judiciário. Aqui, mais do
que   no   agravar   de  penas  e pressupostos  da  prisão  preventiva,  residem  as  causas  de muita
insegurança, de muita impunidade e do crescente descrédito da autoridade do Estado.

Mas, note-se: nem o Ministério Público nem os juízes são órgãos de segurança. Nunca, apesar dos
apelos  que  se  façam  à  sua  cooperação  com  as  polícias  e  os  órgãos  do  poder político dela
encarregados,  as  suas funções  devem  ser  confundidas  com as daqueles órgãos. Aí a necessária
limitação  do seu contributo.

            Tal confusão,  de resto, subordinaria os valores da justiça aos valores da segurança e isso é
incompatível com os valores do Estado de direito e da democracia».
 
ANTÓNIO CLUNY | PRESIDENTE SMMP | DIÁRIO NOTÍCIAS | 31.08.2008
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Escrito por J.C.Pacheco Alves em 16:58:16 | Link permanente | Comments (6) |

2008/08/28

ZÉ PACÓVIO OU ZÉ NOTÁRIO !..


            Já vi advogados e solicitadores rejubilarem com as competências notariais 
que,  há  algum  tempo  o legislador lhes vem atribuindo e que culminaram, agora, 
com  a  entrada  em vigor do Decreto Lei n.º 116/2008, de 4 de Julho. "E agora é
que vai ser!..." dizem uns, e outros "as coisas vão ficar  mais fáceis! ..."
             Tenho  constatado,  no entanto,  devido  à profissão que exerço, que tais
afirmações são feitas, na maioria dos  casos, pelos  mesmos que não sabem fazer
um  reconhecimento  presencial  de  assinatura, ou  a  rogo  e  que  fazem  outras
barbaridades que, por deontologia profissional, não posso nem devo revelar.
              Rejubilo  por  isso  com  as  palavras  de  "Zé  Pacóvio" a quem querem
transformar em "Zé Notário". Não sei qual é a opinião das Ordens dos Advogados
e dos Solicitadores, mas reconheço que ainda há juristas sérios e responsáveis. 
            Valerá  a pena, neste sentido, realçar aqui o comentário de um dos nossos
leitores.
            P. Alves
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           «É verdade que com as recentes alterações legislativas o princípio do trato
sucessivo  foi  mandado  às  malvas  em    se  tratando  de  partilhas  de  heranças
(refiro-me. obviamente, aos casos em que do acervo hereditário façam parte  nem
devo prédios descritos e com inscrição de aquisição  a  favor de outrem que não o
autor  da herança),  significando  que  em  tais  casos  o  documentador  não  está
sujeito  ao  princípio  da  legitimação  e  o título da partilha será também um meio
para  estabelecimento  de  um  novo  trato  sucessivo  a  partir  do  titular  inscrito
que,  diferentemente  do  que  sucede nas  justificações,  não será notificado, nem
prévia, nem posteriormente, de coisa nenhuma?
          Se assim for, haverá por aí alguma  alma caridosa que expique a "ratio" da
inovação a esta "besta" (eu), que sendo jurista há mais de 40 anos (do tempo  em
que  só  havia  2  Faculdades  de  Direito, as  de Lisboa e de Coimbra e  ninguém
obtinha  licenciaturas  manhosas)  não consegue  descortinar  o fundamento desta
distorsão daquele princípio basilar de qualquer sistema de registo de direitos digno
desse nome.»
      Zé Pacóvio
 
      « PS: Uma anterior intervenção minha neste simpático blog motivou a injusta,
mas  não injuriosa, suspeita de  eu usar nome falso, pois  a minha graça seria mais
precisamente Zé Notário,coisa que, manda a verdade que o diga,de facto não sou,
mas  que  "exaro"  que  muito  me  honraria  ser,  pois  é  uma  classe  que  muito
respeito  e  onde ao longo da minha vida profissional  conheci juristas de  primeira
água;porém,  bem  vistas  as  coisas, acabo por andar perto de o ser (Zé Notário),
digamos  que  por  inerência,  porque  o  legislador,  há  que o reconhecer, se tem
desunhado  para  me tranformar  em tabelião, tantas e tão variadas têm sido e por
certo  continuarão  a ser, as competências notariais que, sem que  eu lhe peça, me
tem vindo a delegar ... vá-se lá saber porquê!
      Chinesisses ...»

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 20:53:28 | Link permanente | Comments (7) |

POBRE POVO NAÇÃO DOENTE

  

POBRE POVO NAÇÃO DOENTE


Baptista-Bastos
escritor e jornalista
b.bastos@netcabo.pt
Está uma batalha lá fora e os políticos não encontram melhor forma de reconhecimento
do que se passa senão com dizer coisas sem sentido. A violência está a mudar (mudou)
a nossa sociedade e põe em causa não apenas a face social do País como favorece a
emergência de ataques à liberdade, em nome da segurança. As primeiras páginas dos
jornais, os "alinhamentos" dos noticiários televisivos não se baseiam em princípios abstractos:
a gestão do medo traduz a realidade do medo, e uma falta de confiança na avaliação dos
políticos.

Impressionamo-nos com a crueza das imagens de brutalidade mas, a seguir, admitimo-las
porque nos resignámos. Criou-se a mentalidade difusa, volatilizada, de que esta realidade
é a concepção subjacente da "modernidade". Oculta-se a verdadeira razão:
o capitalismo contemporâneo criou um indivíduo que recusa e resiste a qualquer forma
de compromisso.Os laços sociais foram destruídos e o homem "moderno" encerra-se
em si próprio, indiferente não só ao "outro" como relapso aos assuntos públicos.

As esferas estão demarcadas. Se, num lado, os guetos não ocultam a injustiça e são
alfobres de ressentimento, resultantes das deformações sociais, no outro lado estão os
condomínios fechados,que multiplicam as fronteiras entre dois mundos distintos. O que se
entrevê como protecção transforma-se em couraça.

As classes dirigentes alteraram, dramaticamente, os espaços de aproximação afectiva.
Vivemos num país, numa sociedade, que ignora o conceito de comunidade e de partilha
para se converter numa massa esvaziada de substância.

A "prevenção" do crime está certa. Mas as declarações nesse sentido, proferidas por
responsáveis da "segurança", desembaraçam-se de qualquer desejo de análise e de
racionalidade. "Mais polícia" é paliativo; não é solução. A desumanização social, a
deformidade e a abjecção que se encontram na natureza do sistema ganharam raízes
na cultura dominante. A desigualdade na distribuição da riqueza é afrontosa. Os jornais
informam que aquele multimilionário superou, em fortuna acumulada, aqueloutro; que
"gestores" auferem reformas sumptuárias após meia dúzia de meses de exercício de funções;
que a fuga aos impostos é uma prática só possível, e permitida, aos ricos - como se o valor
de uma pessoa fosse, claramente, inferior ao de outra.

Dostoievski ensinou que o crime compensa. Raskolnikov é, unicamente, castigado pelo
remorso. Sentimento que me não parece muito comum entre aqueles indicados. Henri Michaux,
poeta de que gosto muito, autor, aliás, de um pequeno livro, Equador, este, sim, maior,
escreveu: "Só lutamos bem por causas que nós próprios modelamos e com as quais nos
queimamos ao identificarmo-nos com elas."

O português não é mobilizado porque
é constantemente desprezado. |
Escrito por J.C.Pacheco Alves em 00:02:09 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/24

ENTREGA

       Os momentos difíceis e as problemáticas actuais do foro registral, fazem-nos
fujir  do  pesadelo  de,  diariamente,  termos   de  aplicar  uma  "reforma" da qual
discordamos  em  muitos  dos  seus aspectos, já  que, nós mesmo, não sabemos o
que fazer face à invenção de contraditórias regras registrais.E ...fiquemos por aqui.

     Continuemos no mundo do sonho, na arte da sugestão ! ... 
       
         Tudo dar e não esperar receber
          É o que devemos fazer na vida
          Mas há, e  para quem tudo ter,  
          Seja  a  meta mais  preferida

          Sabe bem ter consciência calma
          Sinceros e limpos sentimentos
          As mãos devem abrir a palma
          Dar sempre sem ressentimentos

          Sei que há quem não me entenda
          Ninguém compreende sem sentir
          Só vê interesses, anda distraído

           Mas Deus deu-me esta prenda
           Que meus desgostos pode diluir
           Guardo-a comigo, levo-a ao partir

     J.C. Pacheco Alves (Setúbal,10 de Março de 2001)

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 21:50:14 | Link permanente | Comments (12) |

2008/08/21

AI SE EU FOSSE MENINO ! ...

      Um mês depois da entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 116/2008, de  4 de
Julho
,sem menosprezarmos a ideia de que era urgente fazer reformas no sector
do  registo  predial, ideia, alíás, aceite  na  generalidade  pelos profissionais dos
registos, já  será  possível  tirar  algumas  conclusões. Não  é  isso,  no entanto,
que vamos por ora fazer. Em nome da decência e da ética achamos que  não é 
ainda o momento para tal. Muitos  dos  profissionais dos   registos encontram -
se  em  descanso, que  penso  merecido,  mas  quem  ainda  não  foi  de férias,
concerteza, já  se deve ter apercebido  do  autismo,   do  pouco  conhecimento 
que  o   legislador    tem  da realidade.Basta atentar  na nova maneira, ou novo
conceito de tabelar  os actos de registo ... é aterrador ... é de bradar aos céus.
Como dizia o outro "eu quero ir para a ilha! ... Deixei-me ir para a ilha!..."


        Mas deixemos o pesadelo ... Voltemos à poesia! ...
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Ai se eu fosse menino...

Se eu fosse criança...

 

Nesta Primavera,

 

Sofregamente, eu correria pelos campos fora

No ervaçal me envolveria

E por entre pampilhos e leitugas

Me deliciaria com o sabor acre das azedas

 

Ai se eu fosse menino!

Ai se eu fosse criança!

 

Nesta  Primavera ,

 

Me embrenharia por entre o cheiro forte

Da urze, do rosmaninho, das giestas e carquejeiras

E removendo a terra bem junto das estevas

Deleitar- me- ia  com o resinífero sabor de pútegas

 

Ai se eu fosse ... Se eu fosse menino!...

 

Nesta Primavera ,

 

Pediria, Mãe ... hoje não ...

Hoje não me mandes deitar a água da presa...

E ...vestido com a minha nudez,

Perto do bater da roupa pelas lavadeiras, e das barrelas

No Portal do Meio,  nas suas águas turvas me refrescaria

 

E bem já pela tardinha ...

Nas covinhas da rua  de terra batida,

Com os outros meninos, ao  berlinde brincaria.

 

 

 J. C. Pacheco Alves  (Setúbal,12 de Junho de 2000)        

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 22:59:55 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/10

BOAS FÉRIAS OU BOM TRABALHO

                                  
           Aos que escolheram o mês de Agosto para descanso, desejamos boas férias
e aos que continuam na saga registral, depois da entrada em vigor do Decreto-Lei
n.º 116/2008, de 4 de Julho,  um bom trabalho.
           Deixamos aqui, no entanto, uma questão registral  para reflexão: a  questão
do  princípio  trato  sucessivo  e  que urge clarificar, relacionada  com  o número 2
do artigo 34.º. Qual  o seu campo de aplicação? Será aplicável apenas aos prédios
não descritos, ou descritos sem qualquer inscrição em vigor? 
         Setúbal, 10 de Agosto de 2009.
         J.C. Pacheco Alves

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 17:07:05 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/06

ÁLVARO LÁZARO REGISTRADOR DE LA PROPIEDAD


Uma  nota,  curiosa, pode ser lida no site ideal.es. Trata-se de uma entrevistacom o mais jovem registrador espanhol, Álvaro Lázaro. E vejam a diferença entre o que é ser conservador em Espanha e Portugal ! ...
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«Ser el más joven de España me parece algo anecdótico»

Aprobó las oposiciones tras 'sólo' un año y diez meses de preparación
26.07.08 -


Álvaro Lázaro acaba de aprobar las duras oposiciones que le han convertido en el Registrador de la Propiedad más joven de España. Este granadino, nacido en 1983, marca un hito tras menos de dos años de preparación. Estudiante brillante durante su periplo universitario, comenzó el duro camino de las oposiciones después de licenciarse en Derecho y ahora espera destino, mientras aprovecha para descansar.

- ¿De dónde le viene el interés por el Registro de la Propiedad?

-En un primer momento tenía pensado hacer las oposiciones a Judicatura, como mi padre y mi hermana, pero conforme avanzaba en la carrera me di cuenta de que no me satisfacía del todo. El cambio definitivo de opinión se produjo como consecuencia de una charla con un amigo de mis padres, que al final ha resultado ser mi preparador, en la que me habló de la profesión de Registrador y me aproximó explicándome qué hacían.

-¿Y qué fue exactamente lo que le convenció?

-Mi preparador me hizo ver, con tres aspectos muy importantes para mi, que esta profesión tiene una buena dosis de responsabilidad, una gran independencia, y que además se trata de una labor estrictamente técnica como profesional del derecho.

-¿Cuál es su secreto para ser el Registrador de la Propiedad más joven de España?

-¿Suerte! (risas), es broma, evidentemente tienen que influir otro tipo de factores, si bien es cierto y ahora sí que hablo muy en serio, cuando digo que mi padre tiene un 'truco'. Se trata de un sistema de preparación muy definido y consolidado, de hecho mi hermana también consiguió aprobar sus oposiciones en menos de dos años. Ahora bien, no me puedo olvidar de mi preparador que ha sido verdaderamente la clave en todo esto; las largas discusiones que manteníamos tras 'cantar' los temas diariamente, me han servido para comprender la globalidad de la materia y así asimilarla en menos tiempo.

-¿Y cómo se siente?

-Estoy tremendamente feliz. Entienda que ahora voy por la calle y me doy cuenta de que mañana no tengo que levantarme a estudiar. Le aseguro que es una situación sensacional para mí, sobre todo después de la carga de presión y tensión que he tenido durante estos casi dos años. Y respecto a ser el más joven, simplemente me parece algo anecdótico pero para serle sincero...se lo contaré a mis nietos (risas).

-A pesar de haber aprobado a la primera, habrá sido muy duro.

-Claro que lo ha sido, es una gran cantidad de materia la que hay que conocer y además la exigencia endurece aún más el proceso. Sin embargo,por suerte, la cantidad de horas diarias de estudio ha sido menor de lo que me imaginaba, pero aún así ha llegado a las ocho cada día durante un año y diez meses.

-Y sin embargo ha tenido que aprenderse entre otras muchas cosas, los cerca de 2.000 artículos que tiene el Código Civil...

-¿Eso para empezar! Aunque mejor ni le detallo todo el temario porque estaríamos horas...

-Ahora sólo le falta conocer su destino.

-Sí, aunque antes queda hacer la jura del cargo y a continuación tomaré posesión en el Registro que me toque, aunque eso será más o menos en noviembre.

-¿Y hasta entonces que tiene pensado hacer?

-No dude de mi elección: ¿Descansar!
Escrito por J.C.Pacheco Alves em 22:25:48 | Link permanente | Comments (0) |

2008/08/01

A corrupção não é apenas material, é fundamentalmente intelectual

                Da Revista Digital In Verbis e da autoria de Orlando Maçarico ( advogado) e com o título 
" ainda a   propósito  da  corrupção,  também  intelectual", extraimos o seguinte artigo de opinião.  

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         «Em alguma intelectualidade portuguesa, que poderia funcionar como contra-estimúlo, como
cabeça  de  um  sistema   de  controlo  social e cultural do desregramento que grassa, não há que
depositar grande esperança. Pelo contrário.  
         É que, parte dela mantém um vínculo totémico com o poder e o desmando; vende o saber a
pedido, o  rosto  a  preceito  e a  alma a contendo, dando, assim, cobertura espúria à corrupção,à
traficância de influências, como também à onda de insânia que nos vai varrendo.
          Uma  outra  parte  é cúmplice pelo silêncio, sendo certo que o sistema estabelecido,que é o
beneficiário  do  silêncio,  recompensa  generosamente os silenciosos.Assim julgando ser, nunca a
assertiva de Steiner, com as devidas proporções, foi tão adaptável entre nós:
“Sabemos doravante
que   um  homem  pode  à  noite  ler  Goethe  ou  Rilke.Saborear trechos  de Bach ou Shubert,e
no dia seguinte ocupar-se do seu trabalho em Auschwitz”
.
           Parece  ser  esta  a  sina  de  alguns  intelectuais  de  esquerda  inovadores... e bem pagos
(adaptando de Vital Moreira).
         Coimbra 31 de Julho de 2008  - Orlando Maçarico» 
         ORLANDO MAÇARICO | ADVOGADO | 31.07.2008

Pode  também ser lido em
http://www.inverbis.net/

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:18:52 | Link permanente | Comments (0) |