NB: Talvez não mereça tão elevados encómios. Pressinto no entanto que, alguém possa ficar regozijado pela “vergonha” que por vez sentimos. Talvez , não sei, seja o efeito desejado, querido, e como tal conscientemente desencadeado. Está na berra, penso, desacreditar não apenas os profissionais do registo mas destruir o próprio instituto do registo. Satisfaz-nos, no entanto, saber que há alguém que nos dá força para podermos continuar.
Setúbal, 30 de Março
J.C.Pacheco Alves
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- Meu Caro Pacheco Alves:
O meu Amigo não tem de que sentir vergonha.
Foi sempre um profissional honesto, trabalhador e estudioso, preocupado em saber fazer e fazer bem.
Testemunhei isso ao longo dos anos em que, como notário, que tive a honra de ter sido e como advogado que me orgulho de ser há quase 36 anos,levo de convívio consigo, tanto no plano profissional, como no pessoal.E só lamento que, presentemente, a distância a que vivemos um do outro, aumentada, no que me diz respeito, pelo peso da idade que já vou sentindo, me impeça de usufruir, com a frequência que desejaria, a sua sensibilidade,a sua cultura e a sua honestidade e frontalidade beirãs.
Compreendo o seu desencanto e o de tantos dos seus Colegas e de muitos dos Oficiais, bem como o desabafo do Colega a que se refere, seja ele quem for, pois todos os Conservadores, hoje aposentados, que leccionaram nos cursos de ingresso para conservadores e notários em Coimbra, com quem tive a honra de privar e trabalhar, eram (e são) grandes juristas e , sobretudo, gente de grande carácter e de uma infinita honestidade intelectual.
Quem se deve envergonhar, meu prezado Amigo, são os autores das sucessivas leis que, a pretexto de uma simplificação de procedimentos -cuja necessidade ninguém de boa-fé questionaria - estão a descaracterizar a instituição registral e a criar um “híbrido” no domínio quer da documentação, quer do registo dos actos e negócios jurídicos, que não pode conduzir a bons resultados, mas sim - e oxalá me engane - à destruição da segurança jurídica.
Mas porque não haveria de ser assim, na área dos registos e do notariado e em tantas, tantas outras, se, afinal, vivemos num país de “trapalhadas”?
Um cordial abraço do seu amigoCastilho e Cunha