REGINOT - A actualidade, os Registos e o Notariado

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Archive for April, 2009

“Siadaps, ordenados, formadores e estados de alma”

 
A mensagem foi enviada para os serviços externos. Por a termos achado muito interessante, com muito carácter, merece que o reginot lhe dê relevo de primeiro plano. A ana santos deixou-nos um texto belo, revelador da realidade que actualmente vivemos. Fico contente por saber que os profissionais do registo começam a perder o medo. 
Obrigado, Ana Santos

J.C. Pacheco Alves
 
From:
ana santos
Sent: Saturday, April 25, 2009 2:12 AM
Subject: Siadaps, ordenados, formadores e estados de alma

Olá a todos:

 

Hoje de 25 de Abril, dia da liberdade, venho perguntar a todos os colegas se alguém me consegue explicar estas questões que atormentam a minha insignificante existência:

 

 

1-      Porque é que os funcionários (escriturários por ex. até há bem pouco tempo pouco mais podiam fazer que tirar fotocópias), hoje têm praticamente todas as competências de um Conservador e ganham cada vez menos?

 

2-      O mesmo é valido para os Sr. (as) Conservadores (as) que actualmente têm muito mais competências (os novos procedimentos por ex) e ganham cada vez menos?

 

3-      Que me adiantou andar um ano a informatizar assentos todos os dias até às 8 horas da noite e ao fim de semana com a ajuda inclusive da família?

 

4-      Que atingi?

 

5-      Que superei?

 

Nada. Fiz figura de parva isso sim. - Só num país de 3º mundo se permite que os funcionários trabalhem com esta carga horária. Autorizada superiormente bem sei que não fui (a Conservadora, coitada, também fica até tarde e mal), mas as horas a que se fazem aparecem nos relatórios, se fosse numa Finlândia ou numa Holanda o ministro era demitido ou pior, caso permitisse semelhante absurdo generalizado em todo o país.

 

7- Porque se aplica indiscriminadamente os mesmos critérios na avaliação de uma funcionária(o) como eu que ganha 1000,00 € e colegas minhas da mesma categoria a ganhar o dobro ou mais só porque trabalham numa cidade grande?

 

 8 - Se a o grau de exigência é o mesmo que se ganhe igual é ou não é?

 

9 - Porque é que o IRN, os Conservadores (as) dos serviços externos e os sindicatos    

(desculpem-me os senhores da ASOR não a incluir na categoria dos sindicatos pois a ASOR é uma mera empresa de formação profissional que ao parece que goza dos mesmos privilégios (os dirigentes) de um sindicato - será que algo rola por baixo do pano?) permitem que a existência de uma nova classe em ascensão meteórica chamada de formadores (pessoas cuja principal e única habilitação é serem dirigentes sindicais ou então lambe botas profissionais - que me perdoem os lambe botas amadores mas não conseguem equipara-los).

 Acumulam o ordenado exactamente igual como se estivessem a trabalhar com mais 50 euros/hora x 7por dia x 22 dias x 12 meses + outro subsidio de refeição + alojamento + subsidio de deslocação como já alguém disse “é só fazer contas” - o ordenado de médico especialista dos bons em regime de exclusividade. Tanto como ao Presidente da Republica! Tanto como ao Presidente da Republica? Será que estou enganada? E numa altura que é só fechar fábricas, tanta gente nova a sair das universidades desempregada! E com tanta empresa de formação profissional neste pais! Haja decoro!

 

Tanto dinheiro para dizer que o botão “x” faz o programa fazer “y” pago na sua maioria a uns meros escriturários (como eu), alguns ajudantes e a alguns Conservadores (as) de opereta.

Bem sei que é a galinha dos ovos de ouro para o IRN, para o sindicato, Asor e os formadores, durará enquanto a CEE pagar, o resto do país em plena crise económica desconhecer e os outros (Conservadores (as) e funcionários) que trabalham todos os dias até tarde a fim de assegurar o serviço nas Conservatórias pois estas encontram-se desfalcadas de pessoal (algumas há em que metade dos funcionários é formador!)

 

O que esta a dar é ser formador no IRN, mas só se for a CEE a pagar claro.  

 

 

10-E já agora que tal se reencaminhassem este e-mail para os v. contactos pessoais?

Ou algum Jornal, SIC, TVI, partidos políticos ou ao saudoso Engenheiro Sousa Cardoso? Deixo ao v. critério. Talvez ajudasse a mudar as coisas que vos parece?

 

 

 

 

Peço desculpa pelo eventual transtorno que possa ter causado mas gostava que alguém respondesse a estas questões que levantei.

 

Mas hoje é Abril.

Já estou farta de calar.

 

Grata pela atenção dispensada, sou

 

A.S.

ENCONTROS E DESENCONTROS


      Aqui ao meu ermitério, onde me acoito, vêm chegando as notícias do mundo: umas agradáveis, outras que desanimam, umas quantas intrigantes, outras tantas desconcertantes.

Enfim, “é a vida” como dizia o outro, quando não tinha mais comentários.

Deparei há dias com a “convocatória” do encontro de trabalhadores dos registos em Mirandela.

O dito documento cuja divulgação se avisa foi superiormente autorizada (como lá se diz), tranquiliza os espíritos.

Há frases que são mais identificadoras que o cartão de cidadão ou assinatura digital certificada, mas isso também não interessa agora.

Coisa boa essa das reuniões de companheiros de ofício.

 Quase sempre fui e muitas ajudei a realizar, nunca numas ou noutras para me promover.

Mas há detalhes que me causam engulhos.

Reencaminham-se mails aos milhares das mais variadas matérias, gasta-se tempo tuitando, mas a reunião em causa tem divulgação superiormente autorizada.

Outras porém que eu sei, já foram censuradas com ameaças de processo disciplinar.

Em contrapartida, umas quantas cobardemente “anónimas”, difamatórias, nojentas, circulam pelo intraespaço sem que superiormente ninguém se moleste.

Será que também foram superiormente consentidas, superiormente sugeridas, superiormente engolidas?

A confraternização em causa até se realizou no dia 25 de Abril, o tal que, tanto quanto se saiba não foi superiormente autorizado, e se fez para acabar com certas autorizações prévias.

Pergunto eu: e se a tal divulgação não fosse do agrado dos seres etéreos que nos comandam, como seria?

Teria de ser clandestinamente difundida?

Imaginando…

Começou o Encontro pela contemplação das “Ninfas do Tua”.

Lembro-me do Camões invocando as Tágides.

Aqui serão as Túides ou as Tugas… trazendo no regaço cada uma a sua ânfora de benesses.

Logo a primeira derramou sobre os presentes a Mobilidade Especial

Veio a segunda e os circunstantes foram aspergidos com os salpicos da Avaliação

Chegou a terceira. Essa espalhou as pétalas da Formação que tivemos

Finalmente a quarta desdobrou perante a assistência o projecto mirífico do Estatuto da Carreira.

Passando por alto o programa, chegamos finalmente ao jantar “com a presença do Exmº Senhor PIRN e outras entidades”…

Mas isto é o 25 de Abril de 2009 ou o 28 de Maio de 1973?

E ainda alegam que a greve é “inoportuna”?

Até já ouvi dizer que é ilegal!!!

A última que me chegou foram as manobras desmobilizadoras de gente com obrigação de ter vergonha na cara!

Gente que diz que o dinheiro dos dias de greve lhe faz falta, mas que se esquece (ou não sabe, ou já se esqueceu) que boa parte desse dinheiro que hoje recebe foi conseguido com actividade sindical em conversações com os Governos e com greve também.

Já não se lembram, mas deviam lembrar-se os mais velhos, da greve de 30 (trinta) dias do Registo Comercial.

Há também muito medo entranhado.

É normal.

Quem não tem medo?

Não é vergonha nenhuma: medo das ameaças, medo da mobilidade, medo do desemprego, medo, medo, medo sei lá de quê!

E julgam que os pseudo poderosos não têm medo?

Tenho para mim que os serventuários dos que mandam, e alguns até se dizem dirigentes sindicais (voltando ao Camões “entre os portugueses traidores houve algumas vezes), os que ameaçam em nome do Poder, são dos que têm mais medo.

Vivem à sombra do frágil domínio dos seus donos e sabem lá no fundo que podem ser descartados em qualquer momento ao sabor das conveniências.

Esse já não é medo, é o terror absurdo de perder um pedestal de areia, varrido na primeira onda.

Por isso gritam tanto, como macacos assustados quando avistam o leão

 

Tenhamos medo naturalmente, mas com responsabilidade.

 

Um abraço do

José Martins

 

       

A GREVE DE 29 E 30 DE ABRIL

             Há muito que somos sérios defensores da regeneração dos serviços dos registos. Temos, no entanto, aqui no   Reginot manifestado  desagrado face ao modo e às circunstâncias em que tem sido imposto o denominado “simplex”. E não faltam razões sérias para que os profissionais dos registos façam greve nos dias 29 e 30 de Abril. Nos últimos anos temos assistido absolutamente a situações inacreditáveis. E o mais grave é o modo como hoje são tratados os oficiais, os conservadores e mesmo já os próprios inspectores. Face ao atropelo feito por  alguns em prole das suas carreiras, nunca nas nossas vidas profissionais vivemos tempos tão complexos e difíceis. A falta de respeito que é devido a todos os profissionais é mais que evidente. E basta olhar para o modo como foi e continua a ser feita a conversão dos registos para o sistema informático. A isto chama-se escravidão.
         
Confrontamo-nos agora com o novo sistema de avaliação (SIADAP), que apostando em meios excessivamente burocratizantes, em objectivos pouco clarificadores e de difícil controlo e, porque apenas quantificadores, servirão apenas para destruturar os grupos de trabalho. Com este sistema de avaliação do desempenho, os profissionais do registo tornar-se-ão mais egoístas, menos colaborantes, face à visão quantificadora que impõe, e que, como tal, não deixará de ter consequências do serviço a prestar aos utentes.
          
Muitas são as razões para que nos dias 29 e 30 de Abril os nossos serviços encerrem, tal como no REGINOT temos dado conta.

            É importante que nos mobilizemos, porque a greve é mais que justa.
            Força … oficiais e conservadores ! …

            Setúbal, 27 de Abril

           J.C.Pacheco Alves

 

 

NESTA HORA

NB:  Há hoje um mundo desencantado que nos toca a alma, quando pensamos no que aconteceu à esperança que Abril abriu. Mas   há que cortar a narrativa pessimista, que mói, castiga e mata. Nesta data faz-nos bem ter à nossa frente um punhado de cravos vermelhos e lembrar os  versos do nosso ZECA e de Sophia. Então, Abril renasce.
J.C.Pacheco Alves

Nesta hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo

Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade

Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida

O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe

A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados

Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar

Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão

Para construir o canto do terrestre
- Sob o ausente olha silente de atenção –

Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste

 20  de Maio de 1974
Sophia  de Mello Breyner Andresen

SIADAP 2009 - COMENTÁRIO


                
Ao longo da nossa vida profissional, para além da mediocridade que também está implantada em muitos serviços, temos de reconhecer que sempre conhecemos unidades orgânicas com profissionais de qualidade, e que, face ás características diferenciadoras de cada oficial, constituem sempre uma mais valia para o grupo de trabalho. Para além das qualidades humanas, profissionais e individuais, teremos de reconhecer que o modo de ser da diversidade é essencial para a coesão de qualquer unidade orgânica. Estamos certos que, qualquer liderança para que se afirme no plano dos resultados da unidade orgânica, deverá direccionar a sua acção criando dinâmica muito própria, e que não esquecendo, é certo, a individualidade de cada um dos colaboradores, deverá a mesma centralizar-se na coesão do grupo de trabalho enquanto tal.
              
Concordando, embora, que o antigo sistema de avaliação, tal como o conhecemos, se tenha revelado praticamente inútil no plano dos resultados, para além de patentear injustiças clamorosas pela diversidade dos critérios de avaliação, primando mesmo, em alguns casos, por premiar os mais inábeis, teremos de afirmar também que o actual sistema de avaliação do desempenho se tem revelado excessivamente burocratizante e de difícil controlo para os dirigentes dos nossos serviços.
             
Tendo a Lei n.º 66-B/2007, de 28 de Dezembro, na esteira do revogado Decreto Regulamentar n.º 19-A/2004, de 14 de Maio implementado um novo sistema de avaliação, teremos de concordar que o mesmo não trouxe uma maior e melhor funcionalidade dos serviços dos registos, tal como os conhecemos e parece que também não chegará aos denominados balcões que estão a ser criados. Tanto quanto nos tem sido dado observar, pois vamos no segundo ano da sua implementação, a nova forma de avaliação, porque virada apenas para a estatística, ou seja para a mera quantidade de trabalho, e não para a qualidade do trabalho desenvolvido, acabará, pela pressão exercida, por transformar os nossos serviços menos capazes, tornando-os mesmo mais frágeis e inseguros, face á falta de clareza e á complexidade dos procedimentos superiormente determinados. O desprezo por uma prestação de serviço de qualidade e a falta de controlo desta é hoje mais que evidente.
                
E começamos desde já a observar que os grupos de trabalho que se tem revelado coesos, começaram a destruturar-se face à ênfase que hoje começa a impor-se a nível da individualidade de cada colaborador. O germe do egoísmo parece começar a instalar-se nos nossos serviços, uma vez que face aos objectivos “contratualizados” com cada colaborador, constatamos que os nossos oficiais são agora obrigados a olhar para o trabalho que diariamente desenvolvem de uma forma egoísta e muito menos colaborante, com claro prejuízo da qualidade do serviço prestado, constituindo mesmo factor de perturbação do próprio ambiente de trabalho. Nenhum serviço dos registos adquirirá maior funcionalidade, maior eficácia e eficiência, se tiver como objectivo apenas a execução de um maior número dos actos (registos, certidões, informações e atendimentos) dentro de um curto espaço de tempo.
              
Porquê a exigência da feitura ou execução no mesmo no próprio dia em que são apresentados os pedidos de registo sobre veículos? Face a um elevado número de pedidos, não constituirá tal imposição factor de perturbação face à pressão imposta?
               
Pondo-se o acento tónico como está a colocar, quem é que atende e responde às inúmeras questões que telefonicamente são colocadas das nove às dezassete horas? E como avaliar um oficial, que, pode executar poucos actos de registo, mas que pela sua experiência e saber está sempre disponível para estudar os casos registrais mais complexos? Como quantificar tantos outros serviços, com resultados aparentemente invisíveis? Como quantificar todas estas tarefas que não se revêem nos objectivos “contratualizados”?
               
Estamos certos que, sem dúvida, será essencial uma nova postura face ao trabalho, mas devido à especificidade do trabalho que se desenrola nossos serviços dos registos, será sempre ousadia, constituindo mesmo pensamento de carácter autista, a tentativa de converter toda a actividade desenvolvida nas conservatórias a uma mera matemática. Para além das respostas céleres que possam ser exigíveis, essencial seria promover a segurança do comércio jurídico imobiliário, tal como refere o artigo 1.º do Código do Registo Predial. Exigia-se, tal como refere o artigo 3.º nºs 3 e 4 da Lei n.º 66-B/2007, de 28 de Dezembro, uma adaptação do sistema integrado de gestão e avaliação do despenho aos serviços dependentes do Instituto dos Registos e do Notariado. Essencial seria colocar especial ênfase na segurança e na qualidade do serviço prestado, mas na prática não vemos que a segurança e qualidade sejam objecto de avaliação pelo actual sistema .

 Setúbal, 22 de Abril de 2009.

 José Carlos Pacheco Alves

REGISTOS - GREVE DIAS 29 e 30 de ABRIL

Actualidade

Registos e Notariado: Sindicatos convocam greve para 29 e 30 de Abril

Lisboa, 20 Abr (Lusa) - Os sindicatos dos trabalhadores dos Registos e Notariado convocaram uma paralisação para os dias 29 e 30 de Abril, em protesto contra, nomeadamente, o que consideram ser uma “imposição selvagem” do sistema de avaliação.

Lusa
1:08 Segunda-feira, 20 de Abr de 2009

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Lisboa, 20 Abr (Lusa) - Os sindicatos dos trabalhadores dos Registos e Notariado convocaram uma paralisação para os dias 29 e 30 de Abril, em protesto contra, nomeadamente, o que consideram ser uma “imposição selvagem” do sistema de avaliação.

No apelo à greve, o Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN) e a Associação Sindical dos Conservadores de Registos (ASCR) pedem a adesão à “iniciativa de protesto contra a usurpação dos direitos”, de acordo com um comunicado conjunto.

Denunciam “falhas dos sistemas informáticos nas várias aplicações” e a “desorganização dos recursos humanos”, assim como a “imposição do SIADAP selgagem”, referindo-se ao Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Função Pública.

SIADAP 2009

                Há dias em que fervilhamos. Começamos a escrever e os dedos tropeçam nas teclas. E às vezes seria tão importante que se dissesse, que se escrevesse algo sobre as propostas de objectivos e os procedimentos que deverão ser observados no âmbito do SIADAP 2009.
           
Teclamos … apagamos, tornamos a teclar, e novamente tudo limpamos. Que raio … não costumamos tropeçar! …
           
A dose de calmantes tolhe sempre o pensamento. É necessário baixar a temperatura, porque os nervos afloram na pele. A ângustia assombra-nos, e que, provavelmente, neste momento será transversal a todos os conservadores e oficiais do registo.
          
Teclamos … apagámos … e acabámos por começar a escrever tudo de novo. Confusas ideias, dançam, fervilham e acabam por transtornar o teclado!
           
E tentamos … tentamos … nada de novo escrevemos. É a “raiva” contida que não nos impele, impede e constrange! …
         
  Lemos: “ … o processo de avaliação de 2009 iniciar-se- à de imediato, e logo que oportuno, como se enunciou, terão lugar as entrevistas destinadas à comunicação das propostas de avaliação referentes a 2009.” … E tal … E tal … E tal …
            
Passamos a ler o anexo à ficha de avaliação: Objectivo n.º 1 – pressupostos (…); objectivo n.º 2 – pressupostos (…); objectivo n.º 3-pressupostos (…); objectivo n.º 4 pressupostos (…).
            Agora as metas, os objectivos escritos em rectangulares quadrículas. E interrogamo-nos: Mas que raio como podemos aumentar a produtividade, se os registos estão a ser feitos quase na hora? Como aumentar o número de procedimentos especiais de transmissão, de prédios urbanos? De megafone na Luísa Todi, no Jardim do Bonfim ou numa qualquer grande superfície do Distrito de Setúbal? E como reduzir o tempo médio de espera na conservatória? Passados doze minutos manda-se o cliente embora. Isto nem mesmo na mercearia. Aqui sempre podemos dar duas de trela. 
 
           
Por isso emperramos. Não entendemos, como no Gerês, e em “cascata” teremos de objectivar as metas para os nossos colaboradores.
           
Não temos dúvidas. Isto é o que apelidamos de irracionalidade e de incompetência. A endemia alastra.

            Na noite são já duas as horas  … Esperemos … logo, acordaremos com outra disposição!   
             
Setúbal, 18 de Abril de 2009.

             J. C. Pacheco Alves

 

 

” … Mas as crianças, Senhor …”

“…Mas as crianças, Senhor…”

por Baptista-Bastos

A sociedade portuguesa perdeu, há muito, a noção de valores e tripudiou sobre as regras de convivência. Lenta mas inexorável uma endemia de dissolução alastrou, de tal forma, que põe em causa a própria razão do ser individual. Abandonámos um conceito de destino e desinteressámo-nos da ideia de futuro, se alguma vez a ambos tivemos. Antero e Oliveira Martins disseram que não. Causticámo-los com o ferrete de cépticos. Desprezámo-los quando devíamos tê-los estudado. A República animou-nos, mas a festa durou pouco. Meio século de cantochão, bota cardada, medos vários, foram as insígnias das nossas obediências. No Abril antigo, o bandolim pareceu tocar a nossa música. Pregámos um susto às bem-pensâncias, andámos a lavar as ruas, a oferecer à pátria um dia de salário e a gritar um estribilho que fora funesto no Chile: “O povo unido jamais será vencido!” Pois sim!

Fui um daqueles que deitou foguetes. E ainda me resta uma pequena fagulha, apesar de o desemprego correr a galope, de os nossos velhos morrerem nos jardins, e de termos atingido, agora, a abjecção com o que fazemos aos nossos miúdos: abandonamo-los, enchemo-los de miséria, de fome e de morte por extinção moral.

Anteontem, os jornais alargaram-se em notícias sobre estes sacrilégios. Porque há pais que abandonam os filhos? Que desespero incontido pode levar alguém a deixar uma criança à bússola do acaso? E que bizarro mecanismo mental encaminha progenitores a não dar de comer aos seus miúdos, mas a adquirir-lhes roupas de marca? Pensemos duas vezes.

A família tem cada vez mais dificuldade em se representar. Mas foi a família que se não opôs às imposições de uma sociedade, cuja inconsistência transformou o secundário em primordial. O desprezo pelos miúdos conduz a conflitos profundos com as suas personalidades. Porém, o Estado abandonou os pais, e os pais deixaram de se interessar, no essencial, pelos filhos. O círculo ainda não encerrou. E as notícias a que me refiro advertem da existência de uma compressão da época e de um mal da alma, resumidos nesta frase medonha: “Não tenho tempo a perder.”

Não temos tempo a perder com quem? Com os nossos filhos? Com os outros? Connosco próprios? Estamos a encurtar tudo (a vida, o amor, a amizade, o ócio) com melancólica leviandade. “Às duas por três nascemos/às duas por três morremos/e a vida?/não a vivemos” - ensinou Alexandre O’Neill. Nunca ouvimos os poetas.

 

Não há unidade nem absoluto possível se não conseguirmos travar a marcha de um sistema doente, cuja natureza se opõe à partilha, e tem destruído e aniquilado o melhor dos nossos sentimentos e emoções

 

Diário de Notícias de 15 de Abril

 

O REGINOT E AS MÁS NOTÍCIAS ! …


NB: O REGINOT há muito que vem dando “más” notícias para conservadores e oficiais. Infelizmente tudo foi andando e muitos fizeram de conta como se nada estivesse a acontecer. E dizíamos, que éramos cada vez menos, porque muitos fugiam de pensar.  Perante o aviso de greve … afinal  muito do que se fez e continua a fazer, parece que não estará a bater certo …

J.C. Pacheco Alves

AVISO DE GREVE

As Direcções do STRN e da ASCR efectuaram ontem, um Pré-Aviso de Greve para os dias 29 e 30 de Abril do corrente ano, tendo por base a degradação dos direitos adquiridos e conscientes do rumo indesejado que o sector de actividade dos Registos e Notariado públicos atravessam: 

 

 

  • A acção governativa dos últimos 4 anos, diminuiu e anulou os níveis de fiabilidade e de segurança jurídica dos serviços prestados aos Cidadãos e às Empresas;
  • Desarticulou toda a estrutura de recursos humanos existentes, com o procedimento da figura de destacamentos e requisições, que deveriam ser excepções e não regra;
     
  • Aniquilou toda e qualquer perspectiva de carreira profissional, e condições de exercício profissional dos trabalhadores do sector; 
  • As alterações que as exigências sociais têm vindo a reclamar, muitas vezes induzidas por notícias deturpadas, não têm estado a ser negociadas com os trabalhadores.
     
    A falta de negociação colectiva em inúmeros aspectos, como sejam:
     
  • O Estatuto das carreiras e o exercício profissional; e a
  • A exigência de um novo sistema retributivo;
  • A manutenção da nomeação definitiva;
  • Avaliação, exigida pelos trabalhadores, mas assente em regras transparentes, e com respeito pela adaptação das Leis ao sector;
  • Abolição da competência territorial, que tantos problemas causa aos serviços, nomeadamente com os prédios omissos, registos on-line;
  • A tutela não tem dado resposta a estes anseios, procurando, com a ausência de medidas, situações de facto consumado, sem debate algum e sem a apresentação de propostas sérias, conduzir ao desrespeito dos princípios da negociação.

Estas são razões mais do que suficientes para encetar, novamente, uma luta mais radical

 

TODOS À GREVE CONTRA A PREPOTÊNCIA NEGOCIAL

Cordiais Saudações Sindicais

As Direcções

STRN  e ASCR

2009

2009

2009

00h30m

“Estava um dia frio e límpido de Abril e os relógios batiam treze badaladas” e eu dei comigo a pensar: ‘Se calhar o melhor é passar um pano encharcado em creolina sobre isto tudo e deixarmo-nos de coisas porque a melhor política é o trabalho e qualquer dia… toca-me a mim’. DoMinistério do Amor já tinham vindo sérias admoestações. Recordam-se do zelador da justiça que, questionado por um jornalista mais impertinente sobre se o “Grande Irmão” poderia ser constituído arguido, respondeu: “Olhe, até você pode ser constituído arguido”? E não é que foi mesmo! Só na última semana foram uns três! Tudo isto para que não haja dúvidas que na “Oceânia“, como foi dito, “não é qualquer director de Jornal com as suas campanhas” ou “uma qualquer televisão quem governa”. Quem governa na Oceânia é “quem o povo escolhe”. Por isso, estes três (e brevemente serão mais) obviamente foram entregues ao Ministério do Amor (um deles já foi ouvido) e agora vão de certeza parar à Sala 101 onde “confrontarão os seus piores receios” até aprenderem a amar sem reservas quem tanto bem lhes faz e a quem tanto devem. Tem que haver uma punição exemplar por esta ingratidão dos que não reconhecem o imenso trabalho que tem sido feito pelo Ministério da Abundância na “distribuição de rações”. Como é que os amigos não os denunciaram (como foi feito, e bem na DREN)! Então oMinistério da Verdade não tinha já decidido dar mais um ano de completo bico-calado sobre tudo! E eles (e elas) a pisar cada vez mais o risco contando coisas! Falam de pressões sobre o próprio Ministério da Verdade! Subornos no Ministério da Abundância e, sacrilégio ultrajante, sugerem que há corrupção a alto nível! Qual nível? Ao nível do topo do “Partido Interno“! Como é que se pode dizer uma coisa destas e esperar fazê-lo com impunidade, aqui na Oceânia onde a Abundância é inigualável, e a paz e a justiça nas ruas é garantida por dez mil novos disparadores Glock-19 de 9mm! O Ministério da Verdade já exortou à serenidade com um brilhante anúncio na Rádio e na TV informando que as manifestações de rua são “contra” os cidadãos. E eles não quiseram acreditar! E mesmo no Período do Grande Silêncio decretado pelo Ministério da Verdade divulgaram coisas como se quem mandasse na Oceânia fosse um “qualquer Director de Jornal com as suas campanhas” ou “uma qualquer televisão”, quando todos sabemos que quem manda é “quem o povo escolhe”. Por isso vamos passar a esfregona bem encharcada em creolina sobre tudo isto e, com o Grande Silêncio garantido pelo Ministério da Verdade, com os desviantes na “Sala 101″ a aprenderem a estar calados quando os mandam, o povo sereno votará e escolherá quem quer que continue a mandar na Oceânia. As listas para o “Partido Interno” já estão quase prontas. Depois vêm as do “Partido Externo“. Nessas, os descontentes ao verem como ficam os jornalistas que o Ministério da Verdade vai levar à Sala 101, aceitarão de vez o Grande Silêncio e terá “chegado o grande momento. Salvar-nos-emos, seremos perfeitos.”

PS: As frases entre aspas, mais inspiradas, são do1984 de George Orwell. As menos inspiradas são de 2009. Quanto ao mais, como Marx diz no Capital, “muda-lhes os nomes e esta é a tua história”.

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