E cá estou eu novamente. Sim o Vítor Rabaça como sou tratado pelos meus amigos mais chegados e os colegas no serviço. Vítor é mesmo nome próprio do nascimento. Foi assim que a minha mãe me baptizou na conservatória do registo civil lá da cidade do meu concelho, mas o Rabaça não faz parte mesmo do meu nome. A família do meu pai era e é conhecida lá na aldeia pelos Rabaças … de maneira que é assim lá na nossa parvónia que nos põem os nomes. Isto já vem do meu bisavô, que segundo o meu pai, parece ter sido o primeiro Rabaça … mas a história deste nome não vou contar … não, porque é muito escandalosa e neste Portugal ainda é preciso ter muito cuidado com as estórias que contamos. Sabem, podemos ferir susce… susceptibilidades. Temos de ser decentes. Não é assim que se diz? É que tenho algumas dificuldades em arranjar a palavra própria ou original. Mas parece que é mesmo susceptibilidades, é que por vezes as coisas que dizemos podem ser melindrosas para algumas pessoas. E prontos … já referi a estória do meu nome.
Mas não era sobre a minha alcunha que eu queria falar. Isto foi um de repente que me deu. O que eu queria deitar mesmo cá p`ra fora não era nada sobre o meu nome, que, aliás, não merece qualquer importância. Sim, era para falar do tempo calminho que agora se vai passando nos balcões. Já tenho dado comigo a perguntar: mas que raio se passa com os utentes? Para onde é que eles foram? Talvez seja da crise ou dos registos on-line! Mas estamos no mês de Agosto, não nos podemos esquecer que muita gente foi de férias e os carcanhóis foram-se!
O meu amigo ex seminarista, o tal que estudou muito latim, diz que tempo tão calminho na administração pública como agora nunca tinha visto nestes últimos anos. E ele tem razão. Já repararam que aquelas pressões que nos enchiam de nervos e nos punham a falar mesmo sozinhos, como nos anos que passaram, desapareceram? E não é que as videirinhas baixaram a bola? Eu acho que eles andam com o medo que a coisa vire. A política tem com cada uma! Não é? Eu acho que a gente devia de ser mais decente … isto é descaradez demais. Andávamos todos amedrontados e então não é que a névoa que pairava por aí desapareceu mesmo? Vocês vão ver que depois de botarmos o voto na urna vem logo a trovoada e a névoa escura aparece logo carregadinha sobre as nossas cabecitas. Eu que ando p ´raqui a defender os valores da vida, tal como me educou a minha mãe e os tais professores que marcam mesmo uma pessoa, não é que parece que, agora, vale tudo?
E falando de registos! … Sabem, o meu chefe já distribuiu todas as nossas competências originais. Ele diz que é apenas um empecilho registral e que como agora é tudo para fazer ele entregou-nos o mando da confirmação. Ele tem toda a razão. Cada vez que troco opinião com ele sobre um qualquer registo falta sempre qualquer coisita e sendo eu a tomar conta deste mando eu já não chateio ninguém. Desde que acabaram com a competência do balcão, ele diz que agora é tudo para fazer. E eu toco a confirmar os registos que me dão. E já repararam que os inspectores agora não vão ver nadinha do que a gente faz. Para mim acho que eles, como os conservadores, também não fazem falta nenhuma. E se agora só querem saber os números das coisas que a gente faz e se são feitas na horinha, estes números podem ser mandados por e-mail para o big brother. Sim aquele gajo que controla tudo e sabe tudo na hora.
E pronto, por agora é tudo. É que a hora já vai adiantada … e de manhãzinha tenho que ir tomar conta da Casa. Sim a “Casa Pronta” aquele produto novo que está a dar cabo dos notários.
Com as cordiais saudações do Vosso
Vítor Rabaça
Descanse que apesar de agora ser tudo na hora, que é o que está a dar, logo virá o verificar se tudo está bem como devia ser, e aí meu amigo mais uma vez vamos estar “Quilhados”, é que “depressa e bem não há quem” e não é a darem cada vez competências a todos e mais alguns que se vai aprender a fazer bem, para isso é preciso esforço e dedicação por parte de quem faz e por vezes é também preciso o saber de alguém que esteja acima de nós, com mais estudos, para tudo ser bem feito.
E as coisas nos nossos serviços começam a não ser assim, querem acabar com~tudo e mais cedo ou mais tarde penso que chegam lá…
Bom dia meu Vitor Rabaça. Não te esqueças dos últimos acontecimentos noticiosos. Ou melhor
da última cabala que anda por aí a circular nos meios noticiosos. Como dizias há duas
num dos teus desabafos ” quem se mete com estes gaijos”, leva!