Nesta vida atroz de todas as tristezas … Na amargura amarga do tempo e de quantas incertezas que de ti nascem  e caem sobre nós, imploro-te,  ó noite, que   escutes a nossa  voz.  

 Trago comigo o cunho da tristeza

O mal sem remorsos e bem ausente

Não posso destronar a vil frieza

De amor que lei sagrada não consente

 

Minha alma deseja um confidente

Na treva indesejável em que habita

Em sonho vive e em solidão somente

Cruel perseguição gera a desdita

 

A atitude rebelde que abracei

Em mim criou a luta pelo amor

Agora só desejo quanto amei

À sombra duma vida sem rancor

 

Tudo me foje e a vida permanece

A convidar, fiel, o cego amor

A seguir o caminho em que aparece

Esperança e a voz do meu Senhor

 

 J.C. Pacheco Alves

 

Setúbal, 17 de Outubro de 2009

 

 

 

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