NB: Limitamo-nos a transcrever parte do Editorial do Jornal do Fundão de 11 de Outubro. E a haver alguma coincidência do artigo connosco, é simplesmente pelo facto de termos nascido na Covilhã, e sermos assíduo leitor e assinante do referido jornal.
«LEMBRO-ME de Cavaco Silva, então Primeiro – Ministro com maioria absoluta, ter vindo à Covilhã e de uma manifestação de raiz sindical o receber com apupos e muitas bandeiras negras, sinal de desemprego e fomes que, então, dizia a oposição, incluindo os socialistas, andavam à solta na sociedade portuguesa como desgraça do quotidiano. Na altura, não me lembro dos socialistas terem verberado as manifestações contra Cavaco, nem o tom exaltado das palavras de ordem ou dos cartazes. Era, apenas, mais uma no calendário de desgaste da imagem do Governo, o que aliás, é normal em qualquer democracia. Mas na sabedoria cameoneana encontramos comentário adequado á duplicidade de comportamentos: “ Mudam-se os tempos mudam-se as vontades”! Nesta rápida evocação, a traço breve, sublinhe-se alguns tiques de autoritarismo e de arrogância, que haviam de pronunciar a queda a prazo de Cavaco e a subida ao poder de Guterres. Agora, de novo, a Covilhã esteve no epicentro da actualidade nacional, com a visita de José Sócrates à Frei Heitor Pinto, e mais protestos subiram de tom. Desta vez, porém, um epifenómeno, acontecido na véspera, que bole com o estrito conceito de democracia num Estado de Direito, amplificou a contestação e conferiu-lhe mesmo maior expectativa. (…)».