2007/12/09
NB : Sem qualquer comentário. Limitamo-nos por isso a publicitar o que Fernando Paulouro Neves, digníssimo director do JORNAL DO FUNDÃO, afirma no editorial de 6 de Dezembro:
«HÁ, HOJE, uma crise iniludível na democracia que radica na debilidade da participação cívica das populações. As questões da “res publica” vai-se tornando uma coisa cada vez mais difusa, remetida exclusivamente ao alto alvedrio dos mandantes, nas respectivas esferas de poder. Num país já tão propício à indiferença e ao desinteresse pela coisa pública, esperava-se que a democracia portuguesa exercesse uma natural pedagogia sobre a participação dos cidadãos, exigências que ao longo período de ausência de liberdade tornava mais premente. A verdade é que o país do mando acha a democracia uma chatice e a participação dos cidadãos uma maçada incómoda. Esta aversão à expressão pública da política, ao seu debate e ao seu confronto, agudizou o desinteresse colectivo e uma anemia cívica preocupante. O caso extravasa do âmbito dos poderes meramente políticos para a sociedade civil e suas instituições representativas. Por todo o lado, de cooperativas as instituições de solidariedade social, associações culturais ou desportivas, o associativismo, salvo raras e honrosas excepções, arrasta idêntico défice de intervenção cidadã. Tudo isto converge num vazio cultural que é a nota mais evidente de ausência de pensamento crítico e de capacidade de acção sobre as especificas realidades, sejam da política, sejam da sociedade civil. Não havendo cultura de diálogo, não existindo participação cívica, a crise larvar da democracia alastra as suas nódoas ás instituições que se tornam incapazes de resolver as suas crises interiores algumas até perdendo a independência relativa que gozavam. Temos assim, alegremente, o recurso a democracia tutelada, com extensões do poder em que alguns decidem por todos. Estes fenómenos, cujos exemplos se conhecem um pouco por todo o lado, têm uma outra dimensão igualmente penalizadora da sociedade: o fraco grau de consciência pública dos problemas. “Feira cabisbaixa”, pois.»
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