O DÉCIMO SONETO DO PORTUGUÊS ERRANTE
NB: Há quem não goste ... mas vale sempre a pena ler e reflectir o poeta e o seu poema.
Contra a usura e o juro contra a renda
contra um tempo de ter mais do que ser
contra a ordem fundada em compra e venda
contra a vida que mói até doer
contra a força que oprime – aí eu canto.
E onde amor se procura e não se encontra
onde a vida se mede a tanto e tanto
onde a mentira impera – aí sou contra.
E por isso incomodo e sou mal visto.
Que se o tempo é de grades eu resisto
e quando alguns se calam não me calo
Eu sou renitente o inconformado.
Por isso me deitaram mau olhado
e por isso persisto e canto e falo
Manuel Alegre

