2008/01/09

RECTROSPECTIVA DO QUE TEMOS ESCRITO


                                 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DEMAGOGISMO 

          NB:    Por pensarmos que continua actual, republicamos aqui apenas parte do artigo de opinião por nós escrito em 17 de Junho de 2005, publicitado no nosso antigo blog com o título “A Administração Pública, o Demagogismo e a Reforma do Notariado” .   
           
        “Instalou-se na mente de muitos portugueses a ideia de que os funcionários públicos pouco ou nada fazem. Em parte verdadeira, esta conotação depreciativa, porque associada à ideia de parasitismo, contém, no entanto, em si alguma deturpação, e que não sendo de todo ideia ingénua, corre nos dias de hoje no subconsciente ou mesmo consciente colectivo do povo português, trazendo consigo consequências nefastas para os agentes públicos que sempre exerceram e continuam a pautar a sua acção pela seriedade, imparcialidade e rigor. Na nossa perspectiva, trata-se de pensamento demasiado excessivo, e que por ser em tudo generalizante é torpe e está viciado.”        
           Este ideário negativo, que vem do antigamente na vida, hoje realçado e prenhe de actualidade, consciente ou inconscientemente continua a ser inculcado na mente de muitos portugueses. E dizíamos também nós no referido artigo que, reconhecendo, embora, a muita incompetência e preguiça na nossa administração, e que não deixava de existir também no sector privado, havia também muitos e bons profissionais na nossa administração pública. Mas num tempo em que repetidamente e de modo obstinado os nossos políticos e os meios de comunicação de modo amplificado tanto falam do nosso défice, do desequilíbrio das nossas finanças públicas, não é por acaso que a ideia aflorativa do parasitismo inerente aos agentes da administração, surja nos tempos de hoje com maior relevância e acutilância. Consequência das problemáticas que a sociedade portuguesa actualmente atravessa, o dito parasitismo, em vez de ter sido solvido em tempo “de vacas gordas”, tenta agora resolver-se em tempos economicamente conturbados.        
           Embora, admitindo responsabilidades próprias que não deixam de caber a alguns dos agentes públicos, “o Estado, com as alternâncias políticas que nos últimos anos se tem verificado a nível da governação, terá concerteza responsabilidades primeiras e acrescidas. Exigindo-se um rumo para a administração que consubstanciasse uma dinâmica transformadora, o Estado não fez, em tempo útil, como deveria, as reformas que naturalmente se impunham. Pela falta de coordenação e de fiscalização dos serviços da administração, pelo absentismo e deficiente qualificação de muitos quadros dos nossos serviços, pelo laxismo da sua admissão, pela pouca eficácia e eficiência dos mesmos e pela falta de um sistema integrado de informatização só podemos responsabilizar, é claro, a governação do país.” Sendo essencial a formação e qualificação dos quadros da administração, realçamos, a título de exemplo, o facto de nunca se ter propiciado formação aos oficiais do registo, e de se terem feito admissões inadmissíveis.           
       Referindo-nos, ainda, ao dito ócio vivido no seio da administração, realçámos o desconforto e mesmo a angústia sentidos por parte de muitos dos nossos agentes, por terem a consciência de que o apregoado parasitismo é por vezes resultado de pura demagogia política populista que, incapaz de pensar e fazer atempadamente as reformas que sei impunham, “atira agora pedras, distraindo assim os cidadãos dos reais problemas da nossa administração. No fundo todo este jogo, com tanto fogo de artifício, apenas parece ter por finalidade, não uma ideia regeneradora ou de concertação, mas a de provocar o desmoronamento do edifício jurídico-administrativo do Estado e de esconder as reais responsabilidades que o Estado tem para com a administração e os funcionários. As “generosidades ” oferecidas aos seus agentes em algumas das governações, parecem agora dádivas envenenadas.       
            Se havia e continua a haver problemas relacionados com a deficiente ou pouca produtividade dos seus agentes, porque lhes aumentaram as férias de 22 para 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, etc. dias?
                  Isto não é demagogia?
           
                   29 de Outubro de 2006.
 
           Resta perguntar também  agora em Janeiro de 2008: Afinal, porque nos quiseram bafejar com dois  dias de tolerânia de ponto no final do mês de Dezembro? Não bastaria a tolerância do dia 24? 
  
           J.C. Pacheco Alves        

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:49:29 | Link permanente | Comments (6) |
Comentário
1 - Com muita pena observo que os conservadores estão em definhamento. Com muita pena observo que os conservadores não têm nem querem ter voz activa relativamente às "reformas" em curso no âmbito dos registos. A ASCR que deveria ter uma ideia sobre o que se passa ... não se quer assumir como uma verdadeira associação no sentido restrito, mas também no sentido sindical. Afinal, alguém conhece alguma ideia desta associação para os registos? Alguém conhece uma ideia crítica desta associação?. Se não consegue moblizar os conservadores, afinal, o que está a fazer? Nós não precisamos neste momento de congressos ou conferências .... Nós precisamos que meia dúzia de conservadores consigam congregar os conservadores... Que liderem e os mobilizem relativamente aos problemas profissionais e problemas jurídico - registrais. Afinal, já alguém viu esta associação ter uma ideia para os registos? ... Efectivamente, o Dr. Pacheco Alves tem sido uma voz no deserto. É pena que não usem mais o REGINOT, página onde é possível estabelecer um diálogo franco e aberto. Pela seriiedade e coragem com que aborda os problemas o REGINOT deve continuar. POde haver que não goste da página ... uma coisa é certa ... Há seriedade nos assuntos que aqui são postados. (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/01/11 - 17:53:44
2 - Talvez não mereça tanto. As minhas palavras são apenas fruto da angústia em que profissionalmente vivo. Gostaria de ver mais diálogo construtivo entre a classe, mais cidadania, pois assim nos exige a democracia. Nós também temos ideias e a nossa colaboração deveria ser importante... (Comentar)

Escrito por: J.C.Pacheco Alves em 2008/01/11 - 23:24:42
3 - Muita força Dr Pacheco Alves. O Senhor tem sido nos ultimos tempos a pessoa séria e honesta que tem a coragem de "dar a cara".
É e será Um CONSERVADOR na HORA!...... (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/01/15 - 09:02:53
4 - Não sei se sou d`agora ou na hora... não sei por isso,se se sendo assim, alguma vez, se se pode ser conservador ! ... (Comentar)

Escrito por: p. alves em 2008/01/15 - 22:24:32 em resposta a: 3
5 - Dr. Pacheco Alves!... A sua "Atitude" face à "Liberdade" torna-o um Conservador na hora e de agora!
Conserve a sua profunda convicção de que é preciso travar ...a loucura ...que envolve a classe.
Tem colegas a quem a coragem está a faltar... Não os abandone! Contamos consigo. Obrigado. (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/01/16 - 09:26:38
6 - Concordo plenamente com tudo o que foi dito.
Costumo brincar que ser Conservador, ou trabalhar numa Conservatória "conserva" (o que, de todo, não é verdade).
Mas na verdade agora verifica-se que uma porção enorme de pessoas dos serviços, quiçá desmotivadas pela forma como as atitudes são tomadas ficaram "em conserva" - umas em molho vinagrete, outras em sal e outras ainda mumificadas ou já fossilizadas.Estas últimas preocupam-me bastante porque estão completamente inertes deixando que as decisões passem por eles sem sequer emitir opinião, sem pensar, sem fazer juízos de valores, sem sequer tugir nem mugir. Como é possível deixar de ter opinião ou deixar de a debater num país dito "livre"? Como se consegue mobilizar essa gente? A ASCR, o STRN nem a ASOR até agora não conseguiram mobilizar nada nem ninguém. Será que também eles já fossilizaram?
Por favor vamos lá ver se há uma forma de quebrar o feitiço...
Natacha (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/01/29 - 23:33:05
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