OS VELHOS DO RESTELO E OS OUTROS
Em 17 de Março do ano que passou escrevemos o artigo que novamente publicitamos, e com o título “Turbulência ou Tsunami”. Pela sua actualidade, republicamo-lo aqui novamente. E num mundo em que a palavra escrita está em desuso por parte de quem tinha o dever e a responsabilidade de esclarecer o caminho que se pensa para os serviços dos registos, num mundo em que é hoje quase um crime fazer o debate de ideias, num mundo em que algumas associações sócio profissionais pura e simplesmente hibernaram ou entraram em estado de hipnose, acreditando hoje que o tenham feito por consciente idiossincrasia, ou talvez por mero oportunismo, teremos de dizer que, restaram muito poucos. Ficaram os que humildemente acreditaram sempre na virtualidade da democracia, na cidadania, no debate de ideias. Estes são os que o sistema apelida de “Velhos do Restelo”. Os outros são “crânios”, os que Deus bafejou com a suprema inteligência.
Setúbal, 24 de Janeiro
P. Alves
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«Profissionalmente vivem-se momentos algo estonteantes. Alguns são mesmo difíceis de descrever, sendo apenas apreensíveis por quem diariamente os sente. E adivinhamos um ano turbulento, tempestuoso. Oxalá, que toda esta agitação não se transforme num qualquer TSUNAMI que, varrendo a segurança que o registo transmite, acabe por nos varrer também a nós enquanto profissionais do registo.
Mas não é timbre nosso entoar música ou cantiga de tonalidade lamurienta. Sempre acreditamos na dinâmica da acção. Pena é que, muitas vezes, o direito à indignação se dissolva, na vulgaridade clandestina, ou apenas em fúria circunstancial, e se calem as bocas, quando necessário se torna exercitar, e digo exercitar responsavelmente, o direito à crítica publicamente.
Quantas vezes o medo, e por vezes também o nosso egoísmo, tolhe a nossa voz, a voz da nossa cidadania? Podem alguns de nós pensar que o que se passa é sintoma passageiro ou que vai mesmo de vento em popa a saúde dos serviços dos registos e que o próprio processo em curso de simplificação os reformará. Tenho dúvidas que tal aconteça e creio mesmo que sem a participação ou interacção dos seus profissionais será difícil vitalizar o instituto dos registos.
Os mecanismos de segurança registral, que deveriam ser aprofundados e mesmo reforçados, nomeadamente com a adopção do sistema de inscrição constitutiva para todos os actos de aquisição de direitos ou constituição de encargos por negócio jurídico, penso que tenderão a ceder num qualquer processo de simplificação. Sendo salutar a inovação e a introdução das novas tecnologias na área dos registos, cremos, no entanto, que sua deificação poderá ter efeitos perniciosos sobre a segurança que o registo deve transmitir. A excessiva concentração do registrador e dos oficiais do registo nos aspectos tecnológicos da inovação e na consequente e excessiva burocratização interna dos serviços, poderá relegar para segundo plano a segurança que cabe ao registo assegurar, podendo mesmo acabar por ceder face à simplificação anunciada e já concretizada no registo comercial.
É forçoso que o nosso sistema de registo evolua, nenhum de nós não deseja essa evolução, mas ela deveria dar-se no sentido da segurança jurídica plena, pelo que deveriam evitar-se os saltos bruscos já que podem ter consequências imprevisíveis. Para nós enquanto profissionais, evolução deveria ser sinónimo de reforço ou consolidação da segurança jurídica, facilitação do intercâmbio dos bens e facilitação do crédito. E porque o registo pode não espelhar a verdade sobre os prédios e sobre os direitos sobre eles, deveria tornar-se obrigatório o registo. Seria importante, para além da interligação entre os serviços registais fiscais e camarários, de modo que qualquer alteração feita em qualquer dos serviços fosse obrigatória e imediatamente transmitida ao outro serviço, o incremento da execução das operações do cadastro da propriedade rústica e no processamento de operações congéneres relativamente a propriedade urbana.
A crítica, por mais inócua que seja, não poderá nunca ser entendida como se fosse seta envenenada. Uma voz dissonante ou discordante não poderá ser compreendida ou entendida como ousadia excessiva. A nossa responsabilidade profissional e cívica, caros amigos, não poderá nunca ter a virtualidade de subverter a ordem estabelecida. Cidadania não é apenas liberdade. É também responsabilidade. E nós seremos tanto mais credíveis, enquanto profissionais do registo, quanto melhor soubermos explicar à sociedade em geral e aos agentes económicos em particular, a importância do registo para o desenvolvimento e progresso, face à segurança que o registo promove, sendo certo também que, para além desse progresso, o registo ainda promove o seguro mais económico.
E dizemos tudo isto, não que desejemos contrariar modas ou reformismos hodiernos publicitados por slogans que os média anunciam até à exaustão, ou para fazer mesmo qualquer exigência de inclusão ou de participação nessas modas. Não é esta a nossa legitimação. Como é evidente, como profissionais do registo que somos, só serviremos bem a nossa instituição se tivermos sensibilidade e soubermos nós mesmos qual o melhor caminho para os registos.»
Setubal, 17 Março de 2007.
Pacheco Alves
Escrito por
J.C.Pacheco Alves em
22:32:09 |
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E recuso-me a ser crâneo porque não quero ser bafejada com aquilo que nos dias de hoje se define de inteligência, noutros dias defenir-se-ia com "anado a armar-se em chico esperto". Mas mudam-se os tempos, mudan-se os conceitos. Inteligente (do antigamente) SIM e SIM, Chico esperto NÃO e NÃO.
Mas voltando ao assunto, o TSUNAMI veio ou está ainda para vir?
Cada dia que passa vamos sendo varridos por bátegas de legislação, orientações aos quais não se pode chamar propriamente de TSUNAMI.
Todos os dias abanamos com o que nos deparamos pela frente.
Um Tsunami destrói indistintamente o que está pela frente, mas também predispõe para a reconstrução, apela à união à entreajuda. Aliás quanto maiores são as desgraças, quanto maior é a destruição mais as pessoas arregaçam mangas, mais as pessoas metem a mão na massa e avançam para a reconstrução (estarei errada?).
Com estas correntes cruzadas, estas ondas desordenadas, algumas coisas foram já atingidas - aliás diga-se que a escolha dos alvos é cirurgicamente escolhida.
O método é sempre o mesmo "para português ver" - aliás, melhor dizendo "para português ver na tv" e não um forma de procurar uma solução real para um problemas real.
A receita é sempre a mesma Publicidade+Informática+Internet. Tudo neste país, neste momento passa por uma boa dose de publicidade e depois a solução é sempre a mesma um computador ligado à internet, dando a ideia ao cidadão comum de que a Internet é solução para tudo e mais alguma coisa, tudo se pode obter na internet e "na hora"
Mas para além de tudo funcionar bem no que diz respeito à publicidade, já nas fases seguintes o mesmo não se poderá dizer.
Concretamente até hoje só vi medidas que se dizem facilitar tudo e mais alguma coisa, mas que de facto não facilitam nada, porque os meios para que as coisas funcionem de facto, pura e simplesmente não existem ou não funcionam.E lá volto eu à informática...De que serve estar tudo informatizado (a qualquer preço, esteja bem ou mal, "não tem importância - as rectificações servem para isso mesmo" citação) se os programas não funcionam?
O importante é ser "Na hora" seja lá a que hora for.
Só vejo legislação e orientações feitas por crânios que estão tão distantes da realidade como do alcance das próprias decisões irresponsáveis.
O ano passado foi um ano de águas turbulentas, mas teria sido esse o TSUNAMI?
Creio que ainda não.
Este ano prevejo aguas ainda mais turbulentas, correntes ainda mais fortes, ventos destruidores e até abalos de terra de nos fazerem tremer diariamente, mas o verdadeiro TSUNAMI não vejo não.
O que tem vindo e e o que está para chegar, de facto, não deixa pedra sobre pedra, mas fica-se apena por isso, pela destruição.
Depois tem o outro grande problema, não vejo pessoas que frente à destruição sucessiva saibam, queiram ou se predisponham a arregaçar as mangas e a meter a mão na massa de forma a impedir a destruição ou a reconstruir o destruido.
E tambem não vejo humildade nos crânios que permita aprender com os próprios erros a criar portos de abrigo.
Só vejo "destruir para contruir diferente", não para fazer melhor.
Não se pede "qualidade" exige-se "na hora"
Cá por mim vou fazer já a minha primeira e única exigência "quero uma varinha mágica igual à da madrinha da Cinderela"- prefiro-a a um qualquer computador dos novos (daqueles que se compram à grosa porque é mais barato), talvez com um pouco de magia se consiga dar a volta ao resultados das ondulações, dos ventos emeter juízo na cabeça de alguns crânios.
Natacha (Comentar)