«O SUAVE BLOQUEIO DAS IDEIAS»
Como no antigamente na vida, novamente se torna perigoso ter ideias. Torna-se por isso natural ver que há holofotes virados, conscientemente, para alguns dos servidores do Estado. Quem está contra a corrente ou o pensamento único, que se cuide! ... É preciso saber “ não meter a pata na poça”. O oportunismo espreita em cada esquina, como tal a bufaria não falta por aí …Mas há princípios, sejam eles republicanos ou de influência católica, de que não abdicamos. Devemos lealdade à educação que recebemos. Há que saber estar de cabeça erguida. Quem não deve não teme.
Setúbal, 16 de Fevereiro
J.C. Pacheco Alves
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«Ninguém será capaz de negar que se tem assistido, no âmbito da comunicação social, à imposição daquilo que se poderia chamar a vulgata do pensamento único, expulsando do universo das ideias uma vasta panóplia de questões que, pela sua natureza, podem ser incómodas ou de expressão radical face ao mundo da política. No fundo, impõe-se, de forma subtil, ou nem tanto, a restrição do debate, o afunilamento do diálogo, o suave bloqueio do confronto de ideias. È evidente que isso se traduz num gradual enfraquecimento da democracia e, sobretudo, um convite ao empobrecimento da própria vida em comunidade. António Sérgio tem muita actualidade quando adverte de que as “avenidas do diálogo” são indispensáveis à vitalidade e sentido da vida democrática. O enriquecimento do contraditório, a possibilidade de abordar a realidade sem limitações ou censuras, é condição fundamental, não só de saúde democrática, como indispensável a uma visão, tanto quanto possível objectiva, da sociedade. Ora, em Portugal, não faltam tabus à discussão das ideias, baias pautadas por padrões de unidimensionalidade que não tem outro objectivo que não seja a própria domesticação do diálogo. Viver em democracia é correr o risco do confronto ideológico, não ter medo de pensar em voz alta. É dessa substância que se faz a vida. Somos todos crescidinhos e o paternalismo é apenas um disfarce circunstancial para iludir a realidade. Quando trataram de proibir as Conferencias do Casino, Antero perguntou: “ Mas Excelentíssimos Senhores, é possível viver sem ideias?”. Não é. O poder e os poderes são excelentíssimos. Mas Brecht bem avisou que o homem tem um defeito – pode pensar … Virtualizar o pensamento na sua completude e a liberdade de expressão são, também, deveres implícitos, da missão de informar. Este jornal é uma tribuna livre. A nossa grande regra continua a ser clássica: “ Não concordo com o que dizes, mas farei tudo para que possas dizê-lo”. Uma boa forma de combater o pensamento único.»
Fernando Paulouro das Neves
In, Jornal do Fundão de 14 de Fevereiro
Escrito por
J.C.Pacheco Alves em
16:30:04 |
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Não acredito que este estado de coisas perdure, porque se isso acontecesse ficaria deveras desiludida com o HOMEM como ser interventor na construção das tais "avenidas do diálogo", sendo estas as maiores bases para criar a tão importante democracia, onde cada Ser é único com a sua participação.
maria de fátima (Comentar)
Um bufo é reles. Um bufo é nojento. Um bufo cheira mal. Um bufo é um merdas, isto é, pior do que uma merda.
E é isto que alto e bom som e olhos nos olhos temos de dizer aos bufos e aos candidatos a bufos que por aí andam.
Boa semana de trabalho. (Comentar)
Não houvesse os 2ºs e os 1ºs nada "poderiam".
maria de fátima (Comentar)