2008/03/16

ESTÁ NA HORA! …

    

1- Poderíamos comentar com alguma profundidade a controversa temática da realização de registos sobre veículos pedidos on-line e que a portaria n.º 99/2008, de 31 de Janeiro veio instituir. Ou ainda o ainda mais controverso regime transitório especial de regularização do registo de veículos previsto no artigo 6.º do Decreto – Lei n.º 20/2008, também de 31 de Janeiro, que veio atulhar e tolher alguns  dos serviços com competências no âmbito do registo de veículos. Com uma simples notificação, que poderá ser enviada para uma virtual residência dum real ou inventado comprador, será possível hoje efectuar o registo de propriedade de um veículo, a favor de alguém que poderá não ter, sequer, qualquer possibilidade de se opor à feitura de tal registo. Poderá mesmo ser possível efectuar o registo de propriedade a favor de pessoa falecida sem que os reais herdeiros sejam notificados e possam efectuar qualquer oposição.
           Poderá … poderá até o regime transitório possibilitar o  registo de propriedade em falta e fazer, como tal, presumir que o direito existe e pertence ao comprador referido na declaração apresentada pelo vendedor ( artigo 7.º do CRP), mas é certo  também que, tal regime,  pode levar à feitura de um registo de propriedade em que o veículo  é  juridicamente virtual. A materialidade em causa já não exista,  jazendo mesmo por aí num “canto” qualquer deste país. A publicidade registral, deixando de ser segura, poderá,  agora,  mesmo  publicitar  uma mentira.

       2 - Embora esta e outras questões sejam importantes, é essencial que os profissionais do registo pensem, reflictam nos reais problemas que profissionalmente os afectam. Há questões que urge discutir, e, tal como referimos no editorial do REGINOT, só com o diálogo nos podemos aproximar. Pensar e discutir os nossos problemas não constitui qualquer crime em democracia. Numa altura em que muita gente não o deseja, é importantíssimo que se estabeleça o diálogo entre conservadores e oficiais. Angustiantes, não são as reformas apressadamente engendradas por um certo estilo crispado e mesmo despótico. Pensar que as reformas podem ser feitas não com as pessoas, mas contra as pessoas, constitui um erro e mas tarde ou mais cedo, perdem-se. Inquietante, para nós, parece ser a falta de reacção dos profissionais face a objectivos muitas vezes inatingíveis, e que, quando alcançáveis, o são apenas com evidente sacrifício de natureza pessoal e familiar. A passividade e a resignação nunca levam à solução. O medo leva à imposição.

Setúbal, 16 de Março de 2007.
J.C. Pacheco Alves

      

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Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:53:01 | Link permanente | Comments (11) |
Comentário
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1 - "...sacrifício de natureza pessoal e familiar."
Mas não é o que se passa com qualquer cidadão ("trabalhador") que deseja realizar-se profissionalmente?
“Nada se consegue sem trabalho”, já dizia o meu pai.
Qualquer pequena empresa privada é regida por objectivos. Quem quer vencer – nesta vida – deverá não só cumprir os objectivos, mas sim ultrapassá-los.
Pena é, que o funcionalismo público ainda não esteja preparado para estas “modernices” - Objectivos.

Com os votos de uma Santa Pascoa.
A.Costa

P.S. – Sem ofensa.
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Escrito por: Anónimo em 2008/03/20 - 01:18:41
2 - Sempre fui, penso, um sério e responsável servidor do Estado e desde que o sou. Mas trabalhar horas sem fim no serviço e levar trabalho para casa, e trabalhar aos sábados e domingos, o que é isto? Em linguagem clara é escravidão. E isto se não acontece com todos os profissionais acontece com muitos outros. E não venham com aquela da má gestão dos serviços ... Se o Ministério do Trabalho ainda por aí a olhar para os serviços bancários, porque é que estes serviços não vêm às Conservatórias ver que é que ainda está a trabalhar às sete e oito horas da tarde, ou mesmo às sete ou oito horas da manhã. Hoje já entidades privadas que tratam melhor os seus trabalhadores que o próprio Estado. (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/03/20 - 10:02:15 em resposta a: 1
3 - ´Não podemos meter toda a administração pública e todos os fincionários públicos no mesmo saco. Sempre trabalhei muito e nunca andei a fazer de conta no serviço. E talvez nem seja um mau gestor. O que digo é que nalguns serviços se trabalha muito para além do que é normal e ainda, por vezes se leva serviço para casa. Se há funcionários que cumprem o horário, e ninguém os pode obrigar a permanecer até às oito horas da tarde, outros há que o fazem, para que as coisas corram melhor no dia seguinte. E quem tiver dúvidas que desça do Céu e venha cá abaixo ver, nomeadamente, os senhores inspectores e os agentes da inspecção do trabalho. Ou será que se devem inspecionar apenas as instituições bancárias? Não se deve ser autista ... Desçam ao terreno.



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Escrito por: Pacheco Alves em 2008/03/20 - 10:37:03 em resposta a: 1
4 - quando li o 1º comentário eram 7h desta manhã e sorri. Lembrei-me do meu pai e do que ele dizia "para vencer na vida é preciso trabalhar muito". Ele trabalhou 44 anos (descontados) 38 deles numa entidade bancária. Lembro-me bem do rigor do cumprimento, quer do horário, quer do sigilo. Também me lembro da alegria dele aquando das férias e do prazer em nos levar (à familia) à praia, a piqueniques, a passeios pela Serra e da angústia que tinha dias antes de regressar ao trabalho. Reformou-se com mais um nível (11) por mérito e recebeu vários louvores. Também me lembro da alegria com que se levantava mais cedo do que quando era um comum trabalhador e do orgulho que tinha quando nos mostrava as mãos com bolhas por causa de ter estado a fazer uma horta e ainda da alegria que mostrava quando os produtos hortícolas davam resultados bem perfumados e saborosos.
Sempre nos disse que gostava do trabalho que tinha feito, mas lamentava as horas de cansaço extremo que o impediam de ter mais tempo para "Amar" a família, os amigos e ter alegria para partilhar uma conversa simples sem se impacientar por não ter mais cabeça para ruídos e gargalhadas.
Venceu na vida "se venceu", trabalhou para isso, mas quando estava mais feliz por poder gozar o tempo como seria normal a qualquer ser humano. . . fez a sua passagem. Esse gozo merecido durou apenas 3 anos sem se saber doente e mais um com a consciência de que iria morrer.
Tivesse sido tudo mais doseado, sem tanta agitação e ansiedade, sem tanto rigor, sem tanta responsabilidade, tivesse sido tudo feito com a maior certeza de todas, a de que "SOMOS MORTAIS", o prazer de viver e conviver teria sido uma possível constante durante os 64 anos em que deambulou pela terra.

Ontem foi o dia do Pai. Não gosto "dos dias de ", mas de tão falado e referido por vários meios, lá tive de recordar que não tenho o meu há 15 anos e a emoção veio.
Deixo um desafio aos Pais, não dêem como perdido qualquer tempo de que possam dispor e dizer "eu quero estar com o meu filho" ou com qualquer pessoa que amem. Também não se consegue ser feliz sem Amar e muito menos se consegue vencer na vida.

E já agora ficam as perguntas - " Como se sabe quem venceu na vida ? "
" Através de que processo se pode verificar isso ? "
e, " Quais são os trabalhos que qualificam o possível vencedor/a na vida ? "

escreveu uma dona de casa - maria de fátima
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Escrito por: maria de fátima em 2008/03/20 - 21:23:55
5 - maria de fátima,boas perguntas ! ... (Comentar)

Escrito por: J.C.Pacheco Alves em 2008/03/20 - 22:36:47 em resposta a: 4
6 - maria de fátima,boas perguntas ! ... (Comentar)

Escrito por: J.C.Pacheco Alves em 2008/03/20 - 22:36:53 em resposta a: 4
7 - Há muitos funcionários públicos que trabalham e que se esforçam para que tudo funcione da melhor maneira possível, mas também há muitos requerentes que quando se dirigem á administração pública já levam um carro de mão cheio de pedras prontas para lançar, em vez das habituais duas enm cada mão...como V.Ex.ª (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/03/23 - 20:21:19
8 - O comentário 7 é para si, peço desculpa pois não estou habituado a estas modernices... mas V.Ex.ª despertou a minha atenção
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Escrito por: Anónimo em 2008/03/23 - 20:27:50 em resposta a: 1
9 - Não há muito tempo, dizia-me um Conservador em “plena cavaqueira” – Ó meu caro, eu ‘sou’ uma Conservatória não ‘sou’ uma Recusatória!
E de facto, este Conservador ‘é’ uma Conservatória.

Mas, como tão bem sabe, ainda existem demasiadas "Recusatórias" a laborar por este País fora. Nessas, é frequente e natural que os requerentes entrem por ali adentro com alcofas cheias de pedras – não vá o Diabo tece-las...

Contudo, a sua intervenção faz todo o sentido.

Enquanto as reformas não saem
Dou-lhe os meus Cordiais cumprimentos
A.Costa
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Escrito por: Anónimo em 2008/03/27 - 01:11:42 em resposta a: 8
10 - Cara Maria de Fátima (uma dona de casa),

Dou-lhe os parabéns pelo seu - excelente - Post.

Vejo-me ‘obrigado’ a penitenciar – me e a alterar a expressão ‘Quem quer vencer’ para uma outra como ‘Quem quer sobre’viver’...

Quero com isto dizer, que é natural que nos esforcemos (talvez em demasia) de forma a podermos concretizar os “nossos” objectivos (tanto profissionais como pessoais).

Fica a dúvida se valerá a pena ou não tanto sacrifício?

Viver e Amar, é tão bom!
Porquê complicarmos...

A.Costa

P.S. – Mais um devaneio do momento
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Escrito por: Anónimo em 2008/03/27 - 01:47:31 em resposta a: 4
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