NB: PELO HUMOR QUE REVELA, VALERÁ A PENA LER O ARTIGO QUE AQUI TRANSCREVEMOS DA AUTORIA DE JOÃO GONÇALVES E QUE PODERÁ SER LIDO TAMBÉM EM http://portugaldospequeninos.blogspot.com/
«Na Índia existe uma espécie de infra-casta que é designada profissionalmente por recolectores. Os recolectores andam pelas ruas, com umas cabaças à cabeça, e dedicam-se a - como o nome indica - "recolher" os dejectos que as castas mais elevadas aliviam ao ar livre. Faça chuva ou sol, os recolectores lá vão, na sua azáfama diária, com aquilo com que ganham o ordenado e que, em dias de tempestade, acaba por lhes escorrer pela cara abaixo. O governo português e a Ordem dos Advogados criaram a sua pequena "casta" de recolectores, desta feita de multas. Depois de ter desbaratado a defunta DGV, o governo percebeu que andava a perder dinheiro com multas enfiadas em processos que pararam. Com o concurso da Ordem, trinta e dois advogados vão "separar um mínimo de 1000 processos por dia, e fazer pelo menos 30 propostas de decisão diárias", sendo cada proposta "paga a 1,67 euros e cada lote de processos separados vale 50 euros." Se um jurista recolector cumprir um daqueles objectivos ganha no fim do mês cerca de 1050 euros. Sobre isto incidem os habituais descontos legais. Candidataram-se a esta edificante tarefa, para já, cerca de setecentos advogados. Considero que a profissão de advogado possui uma dignidade específica, inconfundível com esta bizarra "missão", tipicamente estadual, de evitar que multas, cuja legalidade na sua emissão é muitas vezes duvidosa, prescrevam. Todavia, no país das "novas oportunidades", em que tudo está a ficar cada vez mais insuportável, tudo é possível. Por isso não admira que os "mais qualificados" acabem a apanhar a porcaria dos outros.»
1 - Devido á porcaria que os outros fazem, neste país das oportunidades e do SIMPLEX e da geração On-Line, os funcionários das Conservatórias e dos Cartórios Públicos, (sim porque parece que ainda existem alguns por aí, apesar de não contarem para atingir objectivos) vão trabalhar para o Estado horas extraordinárias sem fim, desculpem eu corrijo, vão dispor do seu tempo para além do horário laboral, porque afinal parece que horas extraordinárias são pagas, isto para atingir os tais objectivos que lhes são impostos e que por certo nenhum dos Srs. Inspectores do SIADAP que os estão a implantar, os conseguem fazer e pergunto eu, a troco de quê?
No entanto há pessoas que acham que isto está certo pois o funcionário público não vale nada para muitas delas, seja ele bom ou mau, eu sempre defendi uma avaliação justa pelo conhecimento que temos da legislação e das matérias necessárias ao nosso serviço porque se o tivermos o trabalho apresentado e o serviço prestado ao requerente terá forçosamente que ter qualidade.
No entanto na era da informatização o que conta são os números e ninguém se junta para defender os Conservadores e os Oficiais, reparem que digo ambos, porque se o Oficial não atingir os objectivos o Conservador também não, mas se calhar ainda ninguém pensou nisso, será que isto acontece, devido ás diferenças que existem em termos dos vencimentos, dentro dos mesmos Serviços e nas mesmas Categorias? Talvez fosse de pensar um pouco onde vamos parar, porque no fim, contas feitas, não vai haver orçamento, para pagar a quem superar os objectivos, se é que isso vá ser possível algum dia... (Comentar)
Escrito por:
Anónimo
em 2008/03/27 - 00:31:26
2 - Já me tenho perguntado se quando não concordo com a maioria dos comentários seja em relação ao que for, se é por ser contrariadora, ou se é porque para além do que é dito, vejo outros lados da mesma questão. Concluo que é esta última.
Creio que a comparação feita pelo João é exagerada e geradora de mais distância entre uns e outros trabalhos. Compreendo que a indignação leva a muitas manifestações empolgadas. Mas a ser verdade, a existência dos recolectores, os mais "qualificados" teriam muitas dificuldades em caminhar, não fosse quem anda a limpar o que os outros sujam. Será que ninguém pensa que as casas de banho dos grandes centros comerciais onde tanta e tanta gente gosta de passear são limpas por pessoas ? e não é agradável entrar e utilizar um lugar desses limpo ? e quando se encontra nesse local uma pessoa que as limpa será que a olham com respeito e a cumprimentam ? e perguntar-se-ão se seriam capaz de o fazer ?
Certamente que não sendo nada animadora a tarefa destes advogados, pior ainda é o cenário em que a classe se encontra, uma vez que para 32 lugares a concurso, se candidataram 700, isso sim muito preocupante. Mas o importante é a vontade de fazer alguma coisa.
Quem como eles se qualificou, terá sempre esse valor disponível a ser empregue numa qualquer oportunidade.
Creio que devemos motivar sempre quem quer que seja a desenvolver-se e a crescer pessoalmente, independentemente do trabalho que faça.
Por outro lado, nunca sabemos a volta que a vida de cada um pode dar.
No entanto há pessoas que acham que isto está certo pois o funcionário público não vale nada para muitas delas, seja ele bom ou mau, eu sempre defendi uma avaliação justa pelo conhecimento que temos da legislação e das matérias necessárias ao nosso serviço porque se o tivermos o trabalho apresentado e o serviço prestado ao requerente terá forçosamente que ter qualidade.
No entanto na era da informatização o que conta são os números e ninguém se junta para defender os Conservadores e os Oficiais, reparem que digo ambos, porque se o Oficial não atingir os objectivos o Conservador também não, mas se calhar ainda ninguém pensou nisso, será que isto acontece, devido ás diferenças que existem em termos dos vencimentos, dentro dos mesmos Serviços e nas mesmas Categorias? Talvez fosse de pensar um pouco onde vamos parar, porque no fim, contas feitas, não vai haver orçamento, para pagar a quem superar os objectivos, se é que isso vá ser possível algum dia... (Comentar)
Creio que a comparação feita pelo João é exagerada e geradora de mais distância entre uns e outros trabalhos. Compreendo que a indignação leva a muitas manifestações empolgadas. Mas a ser verdade, a existência dos recolectores, os mais "qualificados" teriam muitas dificuldades em caminhar, não fosse quem anda a limpar o que os outros sujam. Será que ninguém pensa que as casas de banho dos grandes centros comerciais onde tanta e tanta gente gosta de passear são limpas por pessoas ? e não é agradável entrar e utilizar um lugar desses limpo ? e quando se encontra nesse local uma pessoa que as limpa será que a olham com respeito e a cumprimentam ? e perguntar-se-ão se seriam capaz de o fazer ?
Certamente que não sendo nada animadora a tarefa destes advogados, pior ainda é o cenário em que a classe se encontra, uma vez que para 32 lugares a concurso, se candidataram 700, isso sim muito preocupante. Mas o importante é a vontade de fazer alguma coisa.
Quem como eles se qualificou, terá sempre esse valor disponível a ser empregue numa qualquer oportunidade.
Creio que devemos motivar sempre quem quer que seja a desenvolver-se e a crescer pessoalmente, independentemente do trabalho que faça.
Por outro lado, nunca sabemos a volta que a vida de cada um pode dar.
maria de fátima
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