Era uma vez uma aldeia onde viviam dois homens que tinham o mesmo nome: Joaquim Gonçalves. Um era sacerdote e o outro,taxista. Quis o destino que morressem no mesmo dia. Quando chegaram ao Céu, São Pedro esperava-os.
- "O teu nome?" -"Joaquim Gonçalves."
- "És o sacerdote?"
- "Não, o taxista."
São Pedro consulta as suas notas e diz:
- "Bom, ganhaste o Paraíso. Levas esta túnica com fios de ouro e este ceptro de platina e rubis. Podes entrar."
- “E tu qual o teu nome?"
- "Joaquim Gonçalves."
- "És o sacerdote?"
- "Sim, sou mesmo sacerdote. "
- "Muito bem, meu filho, ganhaste o Paraíso. Levas esta bata de linho e este ceptro de ferro."
Diz o sacerdote :
- "Desculpe, mas deve haver engano. Eu sou o Joaquim Gonçalves, o sacerdote!”
- "Sim, meu filho, ganhaste o Paraíso. Levas esta bata delinho e..."
- "Não pode ser! Eu conheço o outro senhor. Era taxista, vivia na minha aldeia e era um desastre! Subia os passeios, batia com o carro todos os dias, conduzia pessimamente e assustava as pessoas. Nunca mudou, apesar das multas e repreensões policiais. E quanto a mim, passei 75 anos pregando todos os domingos na paróquia."
- "Como é que ele recebe a túnica com fios de ouro e eu … isto?"
- "Não é nenhum engano" – responde S. Pedro
- "Aqui no Céu, estamos fazer uma gestão mais profissional, do que a que vocês fazem lá na Terra."
- "Como assim!..."
- "Eu explico. Agora orientamo-nos por objectivos. É assim: durante os últimos anos, cada vez q ue tu pregavas, as pessoas dormiam. E cada vez que ele conduzia o táxi, as pessoas começavam a rezar.
- Resultados! Percebeste? Gestão por Objectivos."
Setúbal, 28 de Março de 2008.
J.C. Pacheco Alves
Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
esperas.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada
soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.
Tourada
José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo (Comentar)
"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
do que os homens ! Morder como quem beija. . ."
É um belo poema e fica só o começo para quem sabe e possa reconhecer. . .
sem mais palavras. . .
maria de fátima (Comentar)
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros são túmulos caiados
Onde germina a podridão
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não. (Comentar)