2008/04/09

«O PRIMEIRO SONETO DO PORTUGUÊS ERRANTE»


NB: A poesia de Manuel Alegre desde sempre se encarnou em música e canto. Como guerrilheiro, sempre trouxe a tiracolo uma espingarda carregada de poemas.   


Eu sou o solitário o estrangeirado
o que tem uma pátria que já foi
e a que não é. Eu sou o exilado
de um país que não há e que me dói.


Sou o ausente mesmo se presente
o sedentário que partiu em viagem
eu sou o inconformado o renitente
o que ficando fica de passagem.

Eu sou o que pertence a um só lugar
perdido como o grego em outra ilíada.
Eu sou este partir este ficar.

E a nau que me levou não voltará.
Eu sou talvez o último lusíada
em demanda do porto que não há.

Manuel Alegre


Escrito por J.C.Pacheco Alves em 00:58:33 | Link permanente | Comments (0) |
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