2008/04/16

CARTA A SOPHIA OU O QUINTO POEMA DO PORTUGUÊS ERRANTE

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NB:  Pela  intemporalidade que oferece, o canto de Manuel Alegre serve de poética a gerações diferenciadas mesmo pela ideologia. Recusamos, ontem, o país que nos era oferecido. Recusamos hoje um país que referencia  uma  mera democracia formal, continuando, assim, a oferecer à generalidades dos seus cidadãos   uma vida sem dignidade.

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Querida Sopfia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imagínei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal

Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.

    Do "Livro do Português Errante"

        M. Alegre

Escrito por J.C.Pacheco Alves em 00:15:19 | Link permanente | Comments (0) |
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