2008/06/13

DUPLO CONTROLO DA LEGALIDADE E SEGURANÇA JURÍDICA

            
        
        Sobre segurança jurídica e o duplo controlo da legalidade (notarial e registral) 
um  dos  nossos  leitores,  Cícero, produziu   neste  blogue  substancial comentário.
Fica aqui o seu  destaque.        
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               «O problema está em que quando se começou a colocar a falsa questão -
como   lapidarmente  foi  demonstrado  por Mouteira Guerreiro - do chamado  duplo
controlo   da legalidade,   logo se constatou que os seus próceres  ou não sabiam o
que  era  a  segurança   jurídica   e   de  como  a documentação e o registo do acto
se   complementam   para   a concretizarem  ou   estavam pouco interessados nela
(afinal,   convenhamos, há   grupos  profissionais que ganham rios de dinheiro com
a conflitualidade   e  a  litigiosidade, quer nos tribunais ordinários, quer, sobretudo,
nos tribunais arbitrais, essa autêntica mina de ouro para alguns).
                A verdade   é  que no que toca aos registos e ao notariado, as medidas
adoptadas   no   simplex  têm  vindo progressivamente a desacautelar a segurança
jurídica,   não  sei  se por ignorância ou pelo tal desinteresse que terá na sua base,
afinal, grandes interesses ...
            O resultado prático, qualquer que seja a motivação subjacente às soluções
que vão sendo consagradas, é o   mesmo: o tráfico jurídico, nome adamente no que
se  refere  ao  direito   societário, ficou  claramente   fragilizado, a fraude cresce, a
litigiosidade aumenta e há quem esteja a ganhar muito dinheiro com isso(mas disso
ninguém fala ...)
No plano ético, já não é bem assim, pois se quem tem vindo a criar aquelas medidas
 aparentemente facilitadoras, mas potencialmente  causadoras  de graves prejuízos
 quer aos particulares, quer ao próprio Estado, actuou por ignorância, embora grave,
 é uma coisa; mas se o fez com aquele ou com qualquer outro objectivo interesseiro,
 então é outra coisa, muito, mas mesmo muito mais grave.
            Mas será que em Portugal ainda tem sentido falar-se em ética ?
            Receio  bem   que  não;  só dois exemplos: ainda ontem o Sr. Ministro das
 Finanças veio desvalorizar o facto, a meu ver gravíssimo, sobretudo numa altura em
 que nos   são impostos sacrifícios de monta, de o Tribunal de Contas ter anunciado
 que organismos  oficiais gastaram ilegalmente vários milhões de euros (no entanto,
 se um conservador   se  desleixar e gastar meia dúzia de euros não respeitando as
 normas    que  regem as despesas públicas arrisca-se a  ter amargos de boca, aliás
 muito bem,  porque com  o dinheiro dos contribuíntes ninguém deveria actuar sem
 rigor e ficar impune);  por   outro   lado,   há  dias  o  Sr.  Primeiro  Ministro violou
grosseiramente   uma  lei   draconiana   (não sou fumador ...) por ele assinada (no
 mínimo), reconhecendo publicamente tal violação. Por acaso alguém viu anunciado
nalgum   sítio  a   instauração   do procedimento  legalmente   previsto   para   o
sancionamento desse ilícito, o que a ter acontecido não deixaria de constituir uma
"cacha"  e   ser   notícia   de   abertura  dos noticiários televisivos? Aliás não foi o
responsável máximo de um dos organismos encarregados de fiscalizar o
cumprimento dessa lei que a quebrou publicamente, logo nos primeiros minutos da
sua vigência? Aconteceu-lhe alguma coisa?
                Há quem já sustente que o rectângulo tresanda e peça,  rapidamente, a
 integração da região norte na Galiza, a região centro no   Estremadura espanhola e
o sul na Andaluzia, isto para não termos de suportar um governo regional português
 - do centrão, claro - que   continuaria  a empobrecer-nos,  a   empurrar-nos de novo
para   a emigração   como   solução   para   o   desemprego,  a   tornar  mais funda
a desigualdade, etc.
            Porém, ainda hoje ouvi Odete Santos (minha condiscípula na FDL e colega
na   advocacia)   cantar   na   TV,   com  alegria e convicção, "O Povo Unido Jamais
Será  Vencido"  e,  nos  telejornais, o Manel Alegre a discursar como um verdadeiro
socialista   e  aí  pensei: continua a haver quem diz não, por isso continua a haver
lugar para a esperança numa sociedade mais justa, solidária e igualitária. Por  isso,
amanhã, 5 de Junho,   vou  estar   na rua, na manifestação da CGTP-IN, ao lado de
outros milhares de trabalhadores, dizendo não á política  de direita  deste  governo,
exigindo diálogo, respeito por quem trabalha, protecção para os mais
desfavorecidos, mais justiça social.»

             Um abraço do

             Cícero 
Escrito por J.C.Pacheco Alves em 23:06:23 | Link permanente | Comments (0) |
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