2008/06/29

O SEGREDO

              Não! … Não se trata de fazermos aqui qualquer comentário desenvolvido ao livro
mais vendido em todo o mundo – “The Secret”. Apesar do seu sucesso, não acreditamos
que alguma vez um livro possa mudar a vida dos cidadãos portugueses.
             Não! … Não  se  trata  de  comentarmos o segredo do sucesso financeiro, do amor,
em   suma   da   felicidade   do   ser   humano.  Não  é   desejo   nosso  fazer   do  REGINOT
uma qualquer atracção, operação de  marketing,  ou  onde com umas pinceladas se pinte
um   qualquer   quadro  “cor-de-rosa”. Há  muito que sabemos que o verdadeiro segredo
da   vida   está  no   saber  amar  e  só a libertação da mediocridade e do vazio nos poderá
trazer alguma  felicidade.  Por  não  crermos  em  milagres, há muito que nos habituamos
a  acreditar  que o segredo do   sucesso só  pode  ser  construído  com  a  acção  dinâmica
do  homem,  com  trabalho  e  espírito  de  sacrifício. O segredo, é saber sonhar, acreditar
em nós mesmos e aprender a gostar de nós, enquanto portugueses.
              O  que  nos  preocupa  não … não  é  o  milagre dos pães, o sucesso financeiro, ou
uma  qualquer  “fast-food”  para  a alma. O que nos inquieta nesta sociedade, que dizem
ser  democrática,  e  que  nos  toca   bem   cá   no   fundo,   é   a  indiferença, a  resignação
dos   cidadãos   e   mesmo   o  medo   como   no   tempo  do   fascismo.   Este   é   que  é  o
verdadeiro  SEGREDO,  o  segredo  da  sociedade  portuguesa,  em  que  a  lei  da  maioria
impõe   discrição,   como   tal   há   coisas   que não se devem dizer, devendo ficar ocultas
ou  constituir  mistério. Com  segredo  e  em segredo  «a autoridade do Estado é sagrada
e   o   cumprimento   da   lei   impõe-se   à  bastonada»,   como   refere   Fernanda   Palma,
professora catedrática de Direito Penal.
             Pois é! … O SEGREDO  nada  tem  também a ver com o segredo de Fátima, porque
afinal  este  já  foi  desvendado  e  desmistificado. O  verdadeiro  SEGREDO relativamente
à   sociedade   em   que   vivemos   é  também  o  que  está  relacionado   com  o processo
de   simplificação   da   administração   pública   portuguesa,   o   denominado  e   multifa - 
“SIMPLEX”. Não é que sejamos  contra  as  reformas  da  administração   pública, aliás já
há  muitos  anos  que,  como  afirmam  os  nossos  textos,  o país necessitava muito mais
das auto - estradas  da  administração   do   que   algumas  vias  de alcatrão, novas pistas
para aviões ou mesmo comboios que esgalham em alta velocidade. 
               O   verdadeiro   SEGREDO   é   o   que  conta  com  a  exclusão   dos   profissionais
da   administração    do  referido  processo  de  simplificação.  Por   isso   o   autismo  e  a
ligeireza,   com   que   se   legisla   e  se  tratam  os problemas. Porque raio deverão estes
profissionais      conhecer,   e     já    não   dizemos   discutir,    os   processos   normativos
considerados  essências  à  “reforma” da  administração? Importante, importante é que
seu  conteúdo   seja   restritamente   conhecido   e  que  a lei ou decreto-lei se publique.E
não  interessa  o  dia,   pode   muito   bem  sê-lo   durante   os   meses  em  que  a maioria
dos  portugueses  e,  em parte, os profissionais de determinado sector da administração
goze férias. Mesmo que  sejam  profundas  as alterações, porque é que o diploma há ter
umavacacio legis?  É aplicar  e  toca  a   andar … e se  possível  no  dia  seguinte ao da sua
publicação. 

             Pois é! … Há segredos e segredos! …

            Setúbal, 29 de Junho de 2007

            J.C. Pacheco Alves    
Escrito por J.C.Pacheco Alves em 15:30:48 | Link permanente | Comments (5) |
Comentário
1 - Os Descartáveis dos Serviços Públicos.
É este o sentimento que querem causar aos funcionários que de alguma forma, ingenuamente serviram o estado. . .sim. . .tinhamos essa designação "Servidores do Estado" e até descontamos 1% durante anos para um serviço com o nome de Montepio e Servidores do Estado. Já agora alguém que me diga o que é feito desse dinheiro!?!? E a favor de quem reverte?1?! É suposto ser de quem descontou para . . .não??? Se era um forçado Aforro!!!. . .

Se ser governante não fosse uma "profissão" e tivesse como cabeças "Homens Bons", a consideração e o respeito (não só por quem serviu o Estado), seria ponto de honra e hoje não estariam 100.000 elementos da função pública alinhados em fileiras para um futuro fusilamento.
Também sabemos que num pelotão de fusilamento (e para descanso da consciência de todos os designados para executar), há uma arma com cartuxo de pólvora seca. Daí a serenidade dos nossos legisladores. Como são muitos a decidir pelo voto, nunca se saberá quem ficou com o cartuxo da pólvora seca, ou seja, como o voto é secreto e há sempre quem vote em branco, todos poderão sair de uma votação com o ar de quem não foi responsável pela "execução" dos 100.000 descartáveis, porque votou em branco. . .fiz-me entender ?

Estou farta de Palhaços ricos. Já no circo me causavam nojo, sempre preferi o pobre, pelo menos fazia-me rir. (Comentar)

Escrito por: maria de fátima em 2008/06/29 - 16:39:04
2 - CURIOSIDADES:

http://www.mj.gov.pt/sections/newhome/o-tempo-de-resposta-das/downloadFile/attachedFile_f0/O_tempo_de_resposta_das_Conservatorias_em_2008.pdf?nocache=1215013516.82 (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/07/02 - 19:37:11
3 - Por se trabalhar para as estatisticas é que há muitos funcionários a trabalhar fora de horas por causa de um sistema que funciona mal ou muitas vezes nem funciona e sem serem pagos por isso e com os escalões para progressão na carreira congelados, mas disso não importa falar, são casos pontuais... (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/07/03 - 21:17:00
4 - , Senhor Anónimo do Governo, os serviços estão em dia porque há oficiais que trabalham pela noite fora. É sabido que há profissionais a trabalhar até às 23, 24 horas, mas se quiser saber pode pedir a informação ao ITIJ.Há muito medo e muita pressão sobre os funcionários. (Comentar)

Escrito por: Anónimo em 2008/07/05 - 17:24:18
5 - A pressão efectuada com as supostas listas de excedentários, a estatisticas para SIADAP, levaram a muitos funcionários a fazer serviço fora de horas, à custa do trabalho extraordinário ilegal e não remunerado, a passagem de funcionários de cartórios privatizados para Conservatória, foi o que permitiu a recuperação de serviço em muitas Conservatória. No campo todos sabemos que as aplicações informáticas de que dispomos tornam o nosso trabalho muito menos eficiente... (Sinceramente não sei se os senhores do I.R.N. já se aperceberam disso) Hoje em dia uma Conservatória com o mesmo volume de serviço necessita de mais recursos humanos do que à uns anos atrás.
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Escrito por: Anónimo em 2008/07/06 - 19:56:16
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