No JORNAL DO FUNDÃO de 29 de Junho de 2006, referindo-se à actual crise e à sua vivência real, António Paulouro Neves, distinto Director do referido jornal de quem sou assinante há trinta e tal anos, afirma, que se instalou em Portugal “um nacional – cepticismo que o ambiente social, de norte a sul, não deixa de amplificar em queixumes e não sei quantas mil desgraças com impacte real no quotidiano”.
Constatando efectivamente que sendo a crise à escala mundial, em Portugal, devido fundamentalmente a debilidades próprias, específicas, a angústia parece ser dado adquirido e persistente. No caso concreto português os horizontes estão hoje cerrados para muitos de nós. O número dos que andam zangados com o país cresce a olhos vistos.
E referindo-se ao presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, e recomendando este em entrevista recente dada ao “Diário de Notícias” moderação salarial para os portugueses, e que se devem tomar medidas apropriadas para trazer os custos unitários de trabalho para um valor abaixo da média e recuperar a competitividade,diz ele que com este entendimento a força de trabalho, não passa de “ carne para canhão”, pois não podemos esquecer que os salários em Portugal estão cada vez mais longe da Europa dos Quinze. E se o nosso subdesenvolvimento está aqui, teremos de reconhecer que o presidente do Banco Central Europeu encara Portugal como uma realidade do terceiro – mundo.
Perante tão “sábia” filosofia convirá aqui relembrar novamente o jornalista (o sublinhado é nosso): “ não admira, por isso, que os portugueses dêem expressão a uma certa neurose colectiva que, para além dos seus fundamentos contestatários, desenvolve sobretudo um, certo demissionismo cívico, visível tantas vezes na indiferença com que se encaram as questões da sociedade e outras num silencio que mal esconde uma auto-fagelação mítica.”
Com tamanho nevoeiro, sebastânico, à nossa frente, não admira que o Campeonato de Mundial de Futebol, com a brilhante participação da nossa selecção, surja como uma ténue luz de auto estima e, sobretudo de festa.