Espírito liberto aqui canto … e partilho momentos de desilusão que reflicto na “profundidade” da poesia que penso e escrevo e por quem me perdi. Da beleza das coisas eu fugi … mas porque será que em mim repoisas? E atenção … não toquem no menino porque seu peito diamantino já foi vencido! …
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DESILUSÃO
Noite cerrada e minha alma sem luz
Pede ansiosa quem lhe dirija os passos
Mas em espinhos só depara com a cruz
Nunca se ergueu à altura de meus braços
Os homens são assim faróis erguidos
À beleza dos dias favoráveis
Mas quando, sós, vagamos perseguidos
Eis que surgem barreiras intransponíveis
Não sei que sinto em mim que o não exprimo
Nem espero viver do que não gosto
O próprio pensamento a que me arrimo
Há muito que adulterou seu nobre rosto
O sentimento repartido e forte
A que entreguei dia a dia de meus dias
Encontra-se hoje a braços com a morte
No envelhecer de minhas fantasias
Meu pensamento brilha em longes terras
Ao barro atira o corpo já cansado
Ao corpo grita: - Porque me encerras
Na prisão de meu ser de destronado?
J.C.Pacheco Alves (Setúbal, 9 de Outubro de 2009)